Paciente 48 anos, menopausada aos 47 anos, em tratamento com...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3060128 Medicina
Paciente 48 anos, menopausada aos 47 anos, em tratamento com câncer de mama, em uso de tamoxifeno há 6 meses, com queixa de intensas ondas de calor, que não a deixam dormir à noite, o que leva a um cansaço e mau-humor constantes. Procura médico para alívio desses sintomas. Para essa paciente, a opção terapêutica é:  
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Manejo de fogachos (sintomas vasomotores) em mulher na menopausa com câncer de mama em uso de tamoxifeno. O ponto-chave é escolher terapias não hormonais e evitar inibidores potentes do CYP2D6, que reduzem a eficácia do tamoxifeno.

Gabarito: A — Escitalopram ou gabapentina

Justificativa clínica: O tamoxifeno é um pró-fármaco metabolizado via CYP2D6 para endoxifeno (forma ativa). Para tratar fogachos nessa paciente, as melhores opções são não hormonais e que não interfiram no CYP2D6. O escitalopram é um inibidor fraco de CYP2D6 e é considerado seguro com tamoxifeno; a gabapentina também é eficaz, especialmente quando os sintomas atrapalham o sono. Diretrizes da NAMS 2023/2024, ASCO e UpToDate recomendam ISRS/ISNR não inibidores fortes do CYP2D6 (ex.: escitalopram, citalopram, venlafaxina) e gabapentinoides como primeira linha não hormonal.

Como interpretar a questão: Ao ver “tamoxifeno”, lembre-se: 1) evitar terapia estrogênica; 2) evitar ISRS que sejam fortes inibidores do CYP2D6 (paroxetina, fluoxetina).

Análise das alternativas incorretas:

B) Reposição hormonal transdérmica: Contraindicada em mulheres com câncer de mama, sobretudo receptor-hormonal positivo. Mesmo via transdérmica, aumenta risco de recorrência. Diretrizes NAMS/ASCO/ACOG desaconselham.

C) Fitoterápicos (glycine max/isoflavonas): Eficácia inconsistente para fogachos e potencial atividade estrogênica, indesejável em câncer de mama. Não são recomendados como tratamento de escolha (NAMS 2023).

D) Paroxetina ou escitalopram: A paroxetina é forte inibidora do CYP2D6, reduzindo endoxifeno e potencialmente a eficácia do tamoxifeno (evitar). Mesmo com escitalopram adequado, a presença da paroxetina torna a alternativa inadequada.

E) Fluoxetina ou escitalopram: Mesma armadilha. A fluoxetina também é forte inibidora do CYP2D6; deve ser evitada com tamoxifeno.

Conduta prática (resumo): Preferir escitalopram 10–20 mg/dia ou gabapentina 300 mg à noite (pode titular até 900 mg à noite conforme tolerância), especialmente se a insônia predomina. Outras opções não hormonais válidas: venlafaxina 37,5–75 mg, desvenlafaxina, oxibutinina, clonidina (evidência menor).

Pegadinha da prova: presença de “escitalopram” em múltiplas alternativas. O erro está em combinar com paroxetina/fluoxetina, que devem ser evitadas com tamoxifeno.

Referências essenciais: NAMS Nonhormone Therapy Position Statement 2023/2024; ASCO e NCCN (manejo de sintomas em sobreviventes de câncer de mama); ACOG Practice Bulletin sobre vasomotores; UpToDate: “Nonhormonal management of hot flashes”.

Conclusão: Para paciente em tamoxifeno com fogachos intensos, a melhor escolha é escitalopram ou gabapentina (não hormonais e compatíveis com tamoxifeno).

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo