Na gravidez múltipla, a gestação gemelar monocoriônica (MC) ...
I- As gestações dizigóticas são sempre DC/DA, com cada feto possuindo sua própria placenta e cavidade amniótica. Em contraste, a corionicidade das gestações monozigotia é determinada pelo tempo em que ocorre a divisão do óvulo fertilizado.
II- A corionicidade é melhor diagnosticada no ultrassom do 1º trimestre (entre 11 e 14 semanas), sendo que a presença do sinal do T é indicativo de gestação dicoriônica.
III- A medida do comprimento do colo uterino, no ultrassom de 2º Trimestre, para diagnóstico de colo curto e chance aumentada de parto pré-termo, é dispensada na gestação múltipla.
IV- Na gravidez monocoriônica, o controle com US-Doppler deve ser quinzenal, entre 16 e 26 semanas, para diagnóstico precoce da STFF e sequência de anemia-policitemia (TAPS).
V- A avaliação do crescimento fetal devido a risco aumentado de restrição de crescimento intrauterino (RCIU) deve ser mais frequente nas gravidezes gemelares.
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Tema central: gravidezes gemelares e a importância da corionicidade no pré-natal. A corionicidade define riscos fetais (ex.: STFF/TAPS em monocoriônicas) e determina o esquema de vigilância.
Alternativa correta: C (I, IV e V)
I — Correta. Gestações dizigóticas são sempre DC/DA (placentas e bolsas próprias). Nas monozigóticas, a corionicidade depende do momento da clivagem: até dia 3 → DC/DA; dias 4–8 → MC/DA; dias 8–13 → MC/MA; >13 dias → gêmeos conjugados. Isso fundamenta riscos e seguimento distintos. (ISUOG; UpToDate)
IV — Correta. Em monocoriônicas, realizar ultrassom com Doppler a cada 2 semanas a partir de 16 até 26 semanas (muitos protocolos seguem quinzenal até o parto) para detecção precoce de STFF e TAPS. A detecção precoce muda desfechos (ex.: fetoscopia na STFF). (ISUOG 2016/2024; ACOG PB 231)
V — Correta. Gemelares têm maior risco de RCIU e discordância de crescimento; logo, a avaliação do crescimento deve ser mais frequente que em singletons: tipicamente MC a cada 2 semanas e DC a cada 4 semanas, com EFW e Dopplers conforme achados. (RCOG; ISUOG)
Por que as demais estão incorretas?
II — Incorreta. A melhor janela para definir corionicidade é o 1º trimestre (11–14 sem), porém o sinal do T indica monocoriônica (inserção perpendicular da membrana fina). O que indica dicoriônica é o sinal do “lambda”/twin-peak (projeção triangular de tecido corial). Confundir esses sinais é pegadinha clássica. (ISUOG)
III — Incorreta. A medida do comprimento do colo no 2º trimestre (18–24 sem, via transvaginal) não é dispensável em gemelares; é útil para predizer parto pré-termo e estratificar risco. Embora intervenções preventivas variem (cerclagem não rotineira sem dilatação; progesterona tem evidência limitada em gêmeos, mas pode ser considerada em colo muito curto), a triagem é recomendada. (ACOG; SMFM; UpToDate)
Estratégia de prova:
• Identifique primeiro a corionicidade e os sinais ultrassonográficos: lambda = DC; T = MC.
• Lembre a vigilância quinzenal 16–26 sem em MC para STFF/TAPS.
• Em gêmeos, crescimento é monitorado com maior frequência; colo curto deve ser pesquisado, não ignorado.
Referências: ISUOG Practice Guidelines: role of ultrasound in twin pregnancy (2016; atualizações), ACOG Practice Bulletin 231 (2021), RCOG Green-top Guideline Multiple Pregnancy, UpToDate: Twin pregnancy: Prenatal issues.
Gabarito: C
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