Considere o trecho da obra Extraordinário , de R. J. Pala...

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Q3993708 Português
Considere o trecho da obra Extraordinário , de R. J. Palacio:
“Sei que não posso mudar o modo como nasci. Mas talvez eu possa mudar o modo como as pessoas me veem. Se todos fossem um pouco mais gentis do que o necessário, o mundo seria um lugar melhor.” (p.9)
Fonte: PALACIO, R. J. Extraordinário. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.
A partir dos processos de análise linguística, semântica e textual, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a articulação entre uma condição reconhecida como imutável, uma possibilidade de mudança marcada por “talvez” e uma hipótese condicional de alcance coletivo em “Se... seria”, o que sustenta a leitura da alternativa E.

Tema central: progressão argumentativa
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao afirmar que a compreensão depende de intertextualidade implícita. A posição enunciativa está explicitada no próprio trecho por marcas de primeira pessoa e por enunciados diretos como “Sei”, “não posso”, “eu possa”. Não há, na base, qualquer elemento que torne necessária uma relação intertextual para compreender o sentido do excerto.
B
Errada
A alternativa é incorreta porque rebaixa indevidamente elementos que são centrais. As marcas de subjetividade e modalização não são acessórias: “Sei” explicita a atitude do enunciador, “talvez” marca possibilidade, e a construção “seria” integra a hipótese formulada. O sentido global não decorre só do encadeamento lógico explícito, mas da maneira como o eu enunciador qualifica o que diz.
C
Errada
A exclusão dessa alternativa decorre do fato de que o texto estabelece, sim, relação entre experiência pessoal e valores socialmente compartilhados. O excerto começa no plano individual, com “nasci” e “me veem”, e se amplia para o coletivo com “todos” e “o mundo”. Logo, não há restrição da dimensão interpretativa ao plano pessoal; há ampliação para uma reflexão social.
D
Errada
A alternativa é eliminada por dois problemas objetivos. Primeiro, a base afirma que a análise morfossintática, isoladamente, não basta para explicar os efeitos de sentido, que dependem de interpretação semântica e textual. Segundo, a classificação “sequência textual jaculatória” é inadequada ao excerto, que apresenta reflexão e encadeamento argumentativo, não uma jaculatória.
E
Certa
A alternativa E é a única que explicita a progressão semântico-textual do excerto sem desviar de seus marcadores linguísticos. O texto começa com a constatação de um limite pessoal, avança para uma possibilidade de transformação da forma como o eu é visto e, depois, amplia a reflexão para uma hipótese ética coletiva. Essa organização é confirmada por “talvez”, que modaliza a possibilidade, e por “Se... seria”, que estrutura a hipótese e sua consequência.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler o texto apenas como desabafo individual ou apenas como sequência lógica de frases, fazendo o candidato ignorar dois marcadores decisivos: “talvez”, que modaliza a possibilidade, e “Se... seria”, que formula a hipótese ética coletiva.
Dica para questões semelhantes
  • Observe se o texto progride de uma constatação para uma possibilidade e depois para uma generalização; esse movimento costuma definir o sentido global.
  • Não trate modalizadores como detalhe: palavras como “talvez” alteram diretamente o valor semântico do enunciado.
  • Quando aparecer estrutura condicional, verifique a relação entre hipótese e consequência, porque ela pode ampliar o texto do plano individual para o coletivo.

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Comentários

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  • A: A compreensão não é "inviabilizada" pela ausência de intertextualidade. O trecho é perfeitamente compreensível por si só.
  • B: As marcas de subjetividade (o "eu", o "talvez") não são acessórias; elas são essenciais para entender o tom emocional e a intenção do narrador.
  • C: O texto estabelece, sim, uma relação direta entre o pessoal ("como eu nasci") e o social ("como as pessoas veem" / "mundo melhor"). Além disso, não há uso de pronomes coletivos marcantes (como "nós"), mas sim de um pronome indefinido ("todos").
  • D: Apenas a análise morfossintática (gramática pura) não explica os "efeitos de sentido". É preciso considerar a semântica (o significado das palavras) e o contexto da obra para uma análise plena. Além disso, o termo "sequência textual jaculatória" não se aplica adequadamente a essa estrutura argumentativa.

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