Leia o caso clínico a seguir. Paciente de 45 anos, com quei...
Paciente de 45 anos, com queixa de queimação retroesternal e empachamento pós prandial, procura atendimento médico. Relata que os sintomas se iniciaram há 3 meses; associa-os com estresse no trabalho e mudança de hábitos alimentares. Nega febre, emagrecimento, uso de drogas ou etilismo. Nega história familiar de neoplasias. Aos exames, apresenta anemia microcítica e hipocrômica com ferro sérico reduzido, saturação de transferrina baixa e ferritina normal.
É correto afirmar que o paciente
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Tema central: Esta questão aborda dispepsia associada a sinais de alarme, destacando a necessidade de identificar situações clínicas nas quais a investigação aprofundada (endoscopia digestiva alta) se torna mandatória na prática médica.
Justificativa da alternativa correta (B): O paciente apresenta dispepsia (queimação retroesternal e empachamento pós-prandial) e evidências laboratoriais de anemia ferropriva (microcitose, hipocromia, ferro sérico reduzido, saturação de transferrina baixa). Anemia é um sinal de alarme clássico em quadros dispépticos, pois pode indicar sangramento gastrointestinal oculto, úlcera ou neoplasia.
De acordo com o Protocolo de Gastroenterologia do Espírito Santo (Protocolo 6 – Dispepsia):
"Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para endoscopia digestiva alta: dispepsia e sinais de alarme [...]"
O Projeto Diretrizes da AMB reforça:
"A endoscopia digestiva alta [...] está indicada na abordagem inicial de pacientes com dispepsia na presença de um ou mais sintomas de alarme citados anteriormente."
Portanto, o paciente deve ser submetido à endoscopia digestiva alta prontamente. Tratar apenas empiricamente pode retardar o diagnóstico de doenças graves.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta. Ignora a presença de sinais de alarme. Mudança de hábitos/dieta só é suficiente se não houver sinais de alarme.
C) Incorreta. O uso sequencial de hábitos e tratamento só é aceitável na ausência de sinais de alarme; aqui eles existem (anemia).
D) Incorreta. O “tratamento de prova” com IBP se aplica à dispepsia SEM sinais de alarme.
E) Incorreta. Além do erro da abordagem escalonada, recomenda ranitidina (não mais indicada em protocolos atuais devido a segurança) e leite de magnésio (sem benefício comprovado para essa indicação).
Estratégia de prova: Em questões sobre dispepsia, busque ativamente sinais de alarme (anemia, perda ponderal, disfagia, hemorragia digestiva, vômitos persistentes, história familiar de câncer gástrico, idade ≥50 anos). Nesses casos, o tratamento empírico nunca é suficiente! A investigação endoscópica precoce é imprescindível.
Referência: Harrison’s Principles of Internal Medicine; Projeto Diretrizes AMB; Protocolo de Gastroenterologia-ES.
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