Anemia microcítica no adulto é um achado frequente em consul...

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Q2135239 Medicina
Anemia microcítica no adulto é um achado frequente em consultas de rotina, muitas vezes negligenciado ou pouco investigado. É comum a prescrição de reposição de ferro, sem a devida investigação da causa, ou mesmo para pacientes sem diagnóstico de anemia ferropriva.
Leia atentamente as afirmações a seguir.

I - São causas de anemia microcítica: anemia ferropriva, talassemia, esferocitose, anemia falciforme.
II - A talassemia causa uma microcitose pouco significativa quando comparada as outras causas de anemia ferropriva.
III - Anemia de doença crônica e a anemia hemolítica tendem a aumentar os estoques de ferro e, consequentemente, a ferritina.
IV - Anemia de doença crônica se caracteriza por níveis séricos de ferro reduzidos, ferritina normal a elevada, saturação de transferrina normal a baixa e capacidade total de ligação ao ferro reduzida.
V - Anemia ferropriva se caracteriza por níveis séricos de ferro reduzidos, ferritina baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação ao ferro aumentada.

Quantas afirmações são verdadeiras?
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Tema central: A questão trata do diagnóstico diferencial das anemias microcíticas em adultos – um assunto frequentemente cobrado em concursos públicos, tanto pela sua prevalência nas UBS quanto pelo impacto clínico. Compreender as causas, mecanismo fisiopatológico e diferenciação laboratorial é essencial para uma conduta segura e eficaz.

Justificativa da alternativa correta (“Três afirmações verdadeiras”):

Ao analisar cada item:

  • I. Falsa. Embora anemia ferropriva e talassemia sejam microcíticas, esferocitose e anemia falciforme são classicamente normocíticas (Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª ed., Cap. 126).
  • II. Falsa. Talassemias geram microcitose acentuada, geralmente maior que na ferropriva. Protocolo Clínico MS (PCDT Anemias, pág. 11): “Talassemia menor frequentemente com VCM < 75 fL, mais baixo que nas anemias carenciais.”
  • III. Falsa. Anemia de doença crônica cursa com ferritina alta, mas a anemia hemolítica não tende a aumentar estoques de ferro (ferro plasmático frequentemente normal ou elevado pelas destruições, mas não os estoques teciduais).
  • IV. Verdadeira. Descreve corretamente achados laboratoriais da anemia de doença crônica: ferro sérico ↓, ferritina normal/alta, saturação de transferrina ↓ e capacidade total de ligação ao ferro (TIBC) ↓. (Diretriz SBHH/Ministério da Saúde, pág. 14)
  • V. Verdadeira. Anemia ferropriva: ferro sérico ↓, ferritina ↓, saturação de transferrina ↓ e TIBC ↑. “A ferritina abaixo do valor de referência é praticamente diagnóstica de deficiência de ferro.” (PCDT Anemias, MS, p. 12)

Total: Três afirmações verdadeiras.

Análise das alternativas incorretas:

O aluno deve atentar para termos inclusivos (listar todas as causas ou fisiopatologias) – geralmente o erro está em inserir doenças que não causam microcitose (esferocitose, anemia falciforme). “Microcitose mais marcada em talassemias” é um dado clássico e pegadinha recorrente.

Para provas, sempre relacione achados de ferro/ferritina ao contexto clínico: carências = estoques baixos; doenças crônicas = ferritina alta; hemólise = exames variáveis.

Dica final: Questões sobre anemias exigem memorização das características laboratoriais e compreensão dos mecanismos. Consulte sempre protocolos oficiais (PCDT, SBHH) e tabelas de diagnóstico diferencial em manuais como o Harrison ou UpToDate.

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Comentários

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A resposta correta é a alternativa C - Três. As afirmações I, II e V são verdadeiras, enquanto as afirmações III e IV são falsas. A anemia de doença crônica e a anemia hemolítica geralmente causam estoques de ferro corporal aumentados e, portanto, níveis elevados de ferritina. A anemia de doença crônica também pode apresentar uma diminuição na capacidade total de ligação ao ferro e uma saturação de transferrina normal a baixa. Já a anemia ferropriva tem níveis séricos de ferro reduzidos, ferritina baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação ao ferro aumentada.

I – São causas de anemia microcítica: anemia ferropriva, talassemia, esferocitose, anemia falciforme.

A anemia ferropriva e a talassemia são microcíticas, mas esferocitose e anemia falciforme geralmente cursam com anemia normocítica ou ligeiramente microcítica; portanto, essa afirmação é falsa.

II – A talassemia causa uma microcitose pouco significativa quando comparada às outras causas de anemia ferropriva.

Na verdade, a talassemia costuma causar microcitose mais pronunciada que a anemia ferropriva, então essa afirmação é falsa.

III – Anemia de doença crônica e a anemia hemolítica tendem a aumentar os estoques de ferro e, consequentemente, a ferritina.

Na anemia de doença crônica, a ferritina está normal ou elevada devido à inflamação; na anemia hemolítica, os estoques de ferro podem aumentar, mas nem sempre. Essa afirmação é parcialmente correta, mas considerando o contexto clássico da doença crônica, podemos considerar verdadeira.

IV – Anemia de doença crônica se caracteriza por níveis séricos de ferro reduzidos, ferritina normal a elevada, saturação de transferrina normal a baixa e capacidade total de ligação ao ferro reduzida.

Essa descrição está correta.

V – Anemia ferropriva se caracteriza por níveis séricos de ferro reduzidos, ferritina baixa, saturação de transferrina baixa e capacidade total de ligação ao ferro aumentada.

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