Sobre a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) recém-diagnosti...
Sobre a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) recém-diagnosticada em crianças analise as afirmativas abaixo.
I. Vale destacar que, independente do tratamento, cerca de 1,7% das crianças evoluem com hemorragia grave, incluindo em sistema nervoso central.
II. Considerar opções terapêuticas em crianças com PTI recém-diagnosticada e sangramento ativo, quando as plaquetas estão abaixo de 30.000/mm3.
III. Iganti-D só pode ser utilizada em pacientes Rh positivos, com Coombs Direto negativo e esplenectomizados.
IV. O anticorpo monoclonal anti-CD20 rituximabe tem apresenta resposta em crianças com PTI aguda.
Estão corretas as afirmativas:
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Comentário da questão: Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) recém-diagnosticada em crianças
Tema central: A PTI é uma doença caracterizada pela autoimunidade contra plaquetas, levando à trombocitopenia e risco variado de sangramento. Na maioria dos casos pediátricos, tem curso benigno e autolimitado, porém a conduta depende da gravidade clínica e da contagem plaquetária.
Alternativa correta: A) I e II apenas
Justificativa das afirmativas:
I. Incidência de hemorragia grave em crianças: Apesar de mencionar um possível percentual de hemorragia grave, a literatura e diretrizes mostram que a incidência de hemorragias sérias, como as de sistema nervoso central, é inferior a 1%. Segundo o “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da PTI” do Ministério da Saúde (seção 7.2), “a hemorragia intracraniana ocorre em menos de 0,5% dos casos em crianças”. Logo, esta afirmativa apresenta um valor superestimado e está incorreta.
II. Indicação de tratamento pela contagem plaquetária: Está correta. O tratamento deve ser considerado quando plaquetas estão abaixo de 30.000/mm³ e há sangramento ativo. Essa conduta reflete o risco aumentado de sangramentos graves com valores tão baixos, segundo o Ministério da Saúde e manuais como Williams Hematology.
III. Sobre o uso de Imunoglobulina anti-D: Incorreta. A imunoglobulina anti-D é indicada apenas para pacientes Rh positivos com Coombs direto negativo mas não necessita que o paciente seja esplenectomizado. Na verdade, ela é usada antes da esplenectomia ser cogitada, como explicam o Ministério da Saúde e o UpToDate.
IV. Uso de rituximabe em PTI aguda: Incorreta. O rituximabe é reservado para casos crônicos ou refratários, não para a PTI aguda conforme descrito no “Relatório Técnico do Ministério da Saúde” e no Harrison.
Análise de estratégias e pegadinhas:
Fique atento a dados numéricos (como a incidência de hemorragia grave) e à indicação de medicamentos conforme a fase da doença. A informação sobre “apenas em esplenectomizados” na anti-D é uma pegadinha clássica, pois a indicação é justamente no paciente não submetido ainda à esplenectomia.
Resumo objetivo e seguro:
Guarde: para crianças com PTI, intervenha se plaquetas <30.000/mm³ e sangramento; anti-D só em Rh+ e Coombs negativo, antes de considerar esplenectomia; rituximabe só na crônica/refratária.
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