Suponha a seguinte situação fictícia. Homem de 35 anos, sem...

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Ano: 2026 Banca: UFLA Órgão: UFLA Prova: UFLA - 2026 - UFLA - Médico/Pneumologista |
Q4071686 Medicina
Suponha a seguinte situação fictícia.
Homem de 35 anos, sem acompanhamento específico para HIV/AIDS, com último contagem de CD4 indicando 80 células/mm3, abandonou terapia antirretroviral há vários meses. Apresenta dispneia insidiosa há 2 semanas mais tosse seca, DHL: 650U/L, saturação O2: 87% em ar ambiente. Radiografia mostra infiltrados intersticiais difusos.

Considerando essa suspeita de infecção oportunista definidora de AIDS, o seu correto manejo envolve, EXCETO:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso é típico de pneumonia por Pneumocystis jirovecii em AIDS avançada: CD4 de 80 células/mm3, dispneia subaguda, tosse seca, hipoxemia com SatO2 de 87%, DHL elevada e infiltrado intersticial difuso. Nessa situação, o manejo correto é TMP-SMX sistêmico por 21 dias e início precoce de TARV após o começo do tratamento/estabilização clínica. Assim, a alternativa B é a exceção porque propõe pentamidina inalatória para doença ativa e posterga indevidamente a TARV por receio genérico de IRIS.

Tema central: Manejo da PCP
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a exceção. TMP-SMX é o tratamento de primeira linha da PCP em pacientes com HIV, com duração de 21 dias. Neste caso, a hipoxemia e o contexto de AIDS avançada sustentam terapia sistêmica para doença ativa; a via IV é compatível com quadro moderado/grave ou limitação para uso oral. A base admite nuance de via e fracionamento, mas isso não muda o acerto do princípio terapêutico da alternativa.
B
Certa
A alternativa B é a exceção porque erra em dois pontos decisivos do manejo. Primeiro, pentamidina por nebulização tem papel profilático em alguns cenários, mas não é tratamento adequado para PCP pulmonar ativa, especialmente quando o quadro é ao menos moderado/grave pela hipoxemia em ar ambiente. Segundo, na PCP associada ao HIV, não se recomenda adiar a TARV de forma indefinida apenas por medo de IRIS; a conduta esperada é iniciar a TARV precocemente após o começo do tratamento da infecção oportunista e estabilização clínica.
C
Errada
Não é a exceção. A alternativa descreve quimioprofilaxia secundária, não tratamento do episódio agudo. Após um episódio de PCP, mantém-se profilaxia secundária com TMP-SMX até reconstituição imune adequada com TARV. O erro seria interpretar esse esquema como terapia de indução da pneumonia ativa, o que a própria alternativa não propõe.
D
Errada
Não é a exceção. Encaminhar para serviço de referência e iniciar TARV após estabilização clínica/início do tratamento da infecção oportunista está de acordo com o manejo recomendado na PCP em paciente com AIDS avançada. O ponto decisivo é que 'após estabilização' não significa adiar prolongadamente; a base sustenta início precoce da TARV após o começo do tratamento da PCP.
Pegadinha da questão
A banca mistura duas confusões clássicas: usar pentamidina inalatória, que é medida de profilaxia e não trata PCP ativa, e justificar adiamento da TARV com um receio genérico de IRIS, apesar de o manejo recomendado ser início precoce após o começo do tratamento da PCP.
Dica para questões semelhantes
  • Em HIV com dispneia subaguda, tosse seca, hipoxemia, DHL elevada e infiltrado intersticial difuso, pense primeiro em PCP.
  • Para PCP ativa, diferencie tratamento de profilaxia: TMP-SMX sistêmico trata; pentamidina aerossolizada não trata pneumonia ativa.
  • Não confunda esquema de indução com profilaxia secundária: TMP-SMX por 21 dias é tratamento; doses intermitentes por via oral entram como manutenção pós-episódio.
  • Na PCP associada ao HIV, receio isolado de IRIS não justifica postergar TARV por tempo indefinido; a lógica é iniciar precocemente após começar o tratamento da infecção oportunista.

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