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Q3884344 Medicina
Uma mulher de 79 anos, advogada aposentada, hipertensa e diabética, vem em consulta médica acompanhada da filha com queixa de esquecimento progressivo há 2 anos. A filha relata que a mãe repete as mesmas perguntas várias vezes, esquece compromissos e tem dificuldade em lidar comas finanças da casa, atividade que desempenhava antes com autonomia. Sem queixas de humor e não há história de abuso de álcool ou medicamentos psicotrópicos. Ao exame físico: Pressão arterial 130x80 mmHg, sem déficits neurológicos focais. O rastreio cognitivo tem MiniExame do Estado Mental (MEEM) = 22/30, com prejuízo na evocação das três palavras e na orientação temporal.
Considerando a investigação inicial da síndrome demencial nesta paciente, a conduta mais adequada ao caso é
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Na suspeita de síndrome demencial, como neste caso de declínio cognitivo progressivo com prejuízo funcional e MEEM alterado, a investigação inicial deve incluir rastreio laboratorial de causas potencialmente reversíveis/comórbidas e neuroimagem estrutural; por isso a alternativa E é a que contempla a conduta adequada.

Tema central: Investigação inicial da demência
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos médicos: transforma a tomografia em exame obrigatório específico, o que não é sustentado pela base, e ainda reduz a investigação inicial à imagem. Na suspeita de demência, a avaliação adequada inclui também rastreio laboratorial de causas potencialmente reversíveis ou agravantes. Além disso, a necessidade é de neuroimagem estrutural, não de TC obrigatória para todos os casos.
B
Errada
Está errada porque a neuroimagem não deve ser adiada para apenas quando houver piora rápida. A base é explícita em que a imagem estrutural integra a investigação inicial da síndrome demencial, mesmo sem déficits focais, para excluir causas estruturais e auxiliar no diagnóstico diferencial.
C
Errada
Está errada porque iniciar donepezila sem investigação laboratorial usa tratamento como atalho diagnóstico. A clínica é compatível com demência provável, mas isso não autoriza pular a etapa de exclusão de causas reversíveis ou agravantes nem dispensa melhor definição etiológica. Pela base, tratamento específico não substitui a investigação inicial mínima.
D
Errada
Está errada porque um MEEM alterado não confirma sozinho o diagnóstico etiológico nem dispensa exames complementares. Encaminhamento ao especialista pode ter lugar, mas propor isso 'sem necessidade de exames complementares' contraria o ponto central da questão: a investigação inicial deve incluir laboratório e neuroimagem.
E
Certa
A alternativa E está correta porque contempla a abordagem inicial adequada diante de síndrome demencial provável: o quadro clínico sugere demência, mas o MEEM apenas documenta déficit cognitivo e não define etiologia nem encerra a investigação. Nessa etapa, é necessário pesquisar causas reversíveis ou agravantes do comprometimento cognitivo com exames laboratoriais básicos, como vitamina B12, TSH, hemograma e função renal, além de realizar neuroimagem estrutural para excluir lesões e diagnósticos diferenciais como causas estruturais cerebrais. Esse é o passo tecnicamente correto antes de fechar etiologia ou iniciar tratamento específico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre rastreio cognitivo e investigação diagnóstica: MEEM alterado apoia déficit cognitivo, mas não fecha etiologia nem dispensa exames laboratoriais e neuroimagem. Outra armadilha é aceitar formulações absolutas como 'obrigatório' ou 'apenas se houver piora rápida'.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver declínio cognitivo progressivo com repercussão funcional, pense em síndrome demencial e procure a alternativa que inclua investigação etiológica mínima, não apenas rastreio cognitivo.
  • MEEM alterado ajuda a documentar comprometimento cognitivo, mas não substitui exame clínico, laboratório e imagem.
  • Na avaliação inicial, elimine opções que tratam empiricamente antes de excluir causas reversíveis ou agravantes.
  • Desconfie de alternativas com absolutizações sobre imagem, como exigir uma modalidade específica para todos os casos ou postergá-la sem justificativa clínica.

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