Paciente de 60 anos, sexo masculino, hipertenso e portador d...

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Q2317847 Medicina
Paciente de 60 anos, sexo masculino, hipertenso e portador de DM tipo 2, apresentou crise tônico-clônica generalizada sem fator desencadeante aparente. O estado pós-ictal durou 10 minutos e não apresentou qualquer déficit focal. No momento está assintomático.
O eletroencefalograma, após a crise, foi normal. Passado de AVC sem sequela aparente ao exame físico, porém a RM demonstrou infarto prévio em cápsula interna esquerda.
Assinale a opção que indica a melhor conduta.
Alternativas

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Tema central: O caso apresentado trata da conduta após primeira crise epiléptica não provocada em paciente com lesão estrutural cerebral evidenciada em neuroimagem.

Explicação didática: A avaliação da primeira crise convulsiva sem fator desencadeante (não provocada) requer análise cuidadosa do risco de recorrência. Um dos principais parâmetros é a presença de lesão cerebral estrutural na imagem, como infartos antigos, malformações ou sequelas de trauma. Para pacientes que apresentam lesão estrutural, o risco de nova crise é significativamente maior, justificando intervenção precoce.

Justificativa para a alternativa correta (D): Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Epilepsia, quando a ressonância magnética revela lesão estrutural compatível com maior risco de recorrência (como infarto prévio de cápsula interna), a recomendação é iniciar anticonvulsivante, mesmo após a primeira crise. Isso se baseia em evidências científicas, conforme revisões sistemáticas e na diretriz da ABRAMET, que afirmam: “A presença de lesão cerebral estrutural aumenta o risco de recorrência, justificando o início do tratamento antiepiléptico.”

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Errado, pois ignora o fator de risco estrutural; a recomendação de não iniciar só se aplica quando não há achados de risco para recorrência na imagem.
  • B) Errado. O eletroencefalograma (EEG) normal não exclui risco elevado se há lesão estrutural. O EEG não é decisivo isoladamente para essa conduta.
  • C) Errado. Ausência de déficit focal não descarta risco aumentado se houver lesão estrutural cerebral na imagem.
  • E) Errado. O tipo de crise (tônico-clônica) por si só não é critério para início de anticonvulsivante nesta situação.

Estratégia para provas: Dê atenção aos fatores de risco para recorrência apresentados no caso clínico. Termos como “lesão estrutural”, “RM alterada”, ou histórico de AVC são pontos-chave. Fique atento: em concursos, alternativas que desconsideram achados de imagem devem ser vistas com cautela!

Resumo: O início de anticonvulsivante é indicado após primeira crise não provocada quando há doença cerebral estrutural, conforme PCDT Epilepsia (Ministério da Saúde, 2023, p. 21): “...recomenda-se iniciar tratamento após primeira crise quando evidenciada lesão cerebral estrutural...”.

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Comentários

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A alternativa D é a resposta correta porque indica o início da terapia anticonvulsivante devido à presença de uma doença cerebral estrutural pré-existente, que neste caso é o infarto na cápsula interna esquerda evidenciado pela ressonância magnética (RM). Apesar de este ter sido o primeiro episódio de crise convulsiva não provocada e o eletroencefalograma (EEG) estar normal, a decisão de iniciar a medicação não se fundamenta na normalidade do EEG ou na ausência de déficit focal no exame físico, mas sim na presença de uma lesão cerebral que aumenta o risco de novos episódios convulsivos. Em pacientes com crises epilépticas não provocadas e com achados de lesões estruturais cerebrais, o risco de recorrência de crises é consideravelmente mais alto, justificando, portanto, a profilaxia com anticonvulsivantes para prevenir futuros episódios e possíveis complicações associadas a eles.

A ALTERNATIVA CORRETA É: D - Iniciar anticonvulsivante, porque possui doença estrutural.

JUSTIFICATIVA: A presença de doença estrutural, como o infarto prévio em cápsula interna esquerda demonstrado na RM, é um fator de risco importante para o desenvolvimento de crises epilépticas. Nesse caso, a crise tônico-clônica foi não provocada, e o paciente tem um histórico de AVC (Acidente Vascular Cerebral) com sequela. Isso caracteriza uma epilepsia secundária devido à lesão cerebral, o que justifica o início de anticonvulsivantes para prevenir novas crises. A presença de doença estrutural aumenta o risco de recorrência das crises, tornando necessário o tratamento anticonvulsivante.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

  • A - Não iniciar anticonvulsivante, porque foi a primeira crise não provocada: Incorreta. Embora a crise seja a primeira, a presença de doença estrutural (como o infarto em cápsula interna) justifica o início precoce do tratamento anticonvulsivante para prevenir crises subsequentes.
  • B - Não iniciar anticonvulsivante, porque o eletroencefalograma está normal: Incorreta. Um eletroencefalograma normal após a crise não descarta a necessidade de tratamento, especialmente em casos de doença estrutural como o infarto cerebral prévio. A normalidade do EEG não exclui o risco de recorrência de crises.
  • C - Não iniciar anticonvulsivante, porque não apresenta déficit focal: Incorreta. A ausência de déficit focal não impede o diagnóstico de epilepsia. O que importa é a doença estrutural (infarto cerebral prévio), que aumenta o risco de novas crises, tornando necessário o tratamento anticonvulsivante.
  • E - Iniciar anticonvulsivante, porque a crise foi tônico-clônica: Incorreta. A escolha de iniciar o tratamento anticonvulsivante não é baseada apenas no tipo da crise, mas principalmente na presença de fatores de risco para recorrência, como doença estrutural (infarto cerebral), que está presente nesse caso.

EM RESUMO: O paciente apresenta doença estrutural (infarto prévio em cápsula interna), o que aumenta o risco de recorrência de crises, justificando o início do tratamento anticonvulsivante. A crise tônico-clônica não é, por si só, um critério para iniciar o tratamento.

PONTOS CHAVE:

  • Doença estrutural aumenta o risco de epilepsia secundária e justifica o início de tratamento anticonvulsivante.
  • A primeira crise não provocada em um paciente com lesão cerebral prévia deve ser tratada com anticonvulsivantes.

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