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Q3330910 Medicina
Sobre as localizações das cefaleias e dores faciais, assinale a alternativa CORRETA:
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Gabarito: B

Tema central: reconhecer como a localização e a qualidade da dor orientam o diagnóstico em cefaleias e dores faciais, especialmente mapeando território trigeminal (V1–V3) e padrões típicos.

Por que a alternativa B está correta?

A dor em queimação no território da primeira divisão do trigêmeo (V1) é típica da neuralgia pós-herpética (NPH), sobretudo após herpes-zóster oftálmico. A NPH cursa com alodinia, hiperestesia e dor contínua/queimor, frequentemente em faixa dermatomérica. Em V1, pode haver hipoestesia corneana e risco ocular. Referências: ICHD-3 (IHS); UpToDate; Harrison’s.

Análise das alternativas incorretas

A) Afirma que cefaleia focal pode resultar de irritação meníngea por infecção/hemorragia. Em meningite/subaracnoide, a dor é tipicamente difusa/holocraniana, com fotofobia e rigidez de nuca, não focal. Já a cefaleia cervicogênica (disfunção articular/ligamentar C1–C3) pode ser unilateral/occipital e referir à região fronto-orbitária, mas o item mistura conceitos, atribuindo “focalidade” também à irritação meníngea, o que contraria descrições clássicas (ICHD-3; Harrison’s).

C) Diz que dor ocular/retro-orbitária é principalmente de retinopatia diabética/hipertensiva. Essas retinopatias são geralmente indolores. Dor ocular/retro-orbitária sugere: cefaleia em salvas (dor orbital severa, unilateral, com sinais autonômicos), glaucoma agudo (dor intensa, halos), neurite óptica (dor à movimentação ocular), esclerite/uveíte. Logo, o enunciado está em desacordo com a prática clínica (ICHD-3; UpToDate).

D) A cefaleia em salvas é de fato unilateral, orbital/supraorbital/temporal e com sintomas autonômicos ipsilaterais; porém o item erra ao afirmar que isso ocorre na maioria das cefaleias tensionais. A tensional é tipicamente bilateral, em pressão/aperto, leve a moderada, sem náuseas importantes (ICHD-3). Além disso, dizer “invariável” é exagero: embora lado-fixo seja a regra nas salvas, pode mudar entre crises ao longo da vida.

Estratégia para a prova

  • Mapeie o território trigeminal: V1 (fronte/orbita), V2 (maçã do rosto), V3 (mandíbula). Dor em queimação em V1 pós-zóster sugere NPH; dor em choque sugere neuralgia do trigêmeo clássica.
  • Unilateralidade: reforça salvas, hemicrania paroxística, enxaqueca; bilateralidade favorece tensional.
  • Pegadinha: retinopatia diabética/hipertensiva costuma ser indolor.

Dica extra de manejo (NPH): gabapentinoides, tricíclicos, lidocaína/capsaicina tópicas são opções com evidência; avaliar prevenção e manejo de complicações oculares no zóster oftálmico (diretrizes UpToDate, Harrison’s).

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