Sobre as localizações das cefaleias e dores faciais, assina...
Gabarito comentado
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Gabarito: B
Tema central: reconhecer como a localização e a qualidade da dor orientam o diagnóstico em cefaleias e dores faciais, especialmente mapeando território trigeminal (V1–V3) e padrões típicos.
Por que a alternativa B está correta?
A dor em queimação no território da primeira divisão do trigêmeo (V1) é típica da neuralgia pós-herpética (NPH), sobretudo após herpes-zóster oftálmico. A NPH cursa com alodinia, hiperestesia e dor contínua/queimor, frequentemente em faixa dermatomérica. Em V1, pode haver hipoestesia corneana e risco ocular. Referências: ICHD-3 (IHS); UpToDate; Harrison’s.
Análise das alternativas incorretas
A) Afirma que cefaleia focal pode resultar de irritação meníngea por infecção/hemorragia. Em meningite/subaracnoide, a dor é tipicamente difusa/holocraniana, com fotofobia e rigidez de nuca, não focal. Já a cefaleia cervicogênica (disfunção articular/ligamentar C1–C3) pode ser unilateral/occipital e referir à região fronto-orbitária, mas o item mistura conceitos, atribuindo “focalidade” também à irritação meníngea, o que contraria descrições clássicas (ICHD-3; Harrison’s).
C) Diz que dor ocular/retro-orbitária é principalmente de retinopatia diabética/hipertensiva. Essas retinopatias são geralmente indolores. Dor ocular/retro-orbitária sugere: cefaleia em salvas (dor orbital severa, unilateral, com sinais autonômicos), glaucoma agudo (dor intensa, halos), neurite óptica (dor à movimentação ocular), esclerite/uveíte. Logo, o enunciado está em desacordo com a prática clínica (ICHD-3; UpToDate).
D) A cefaleia em salvas é de fato unilateral, orbital/supraorbital/temporal e com sintomas autonômicos ipsilaterais; porém o item erra ao afirmar que isso ocorre na maioria das cefaleias tensionais. A tensional é tipicamente bilateral, em pressão/aperto, leve a moderada, sem náuseas importantes (ICHD-3). Além disso, dizer “invariável” é exagero: embora lado-fixo seja a regra nas salvas, pode mudar entre crises ao longo da vida.
Estratégia para a prova
- Mapeie o território trigeminal: V1 (fronte/orbita), V2 (maçã do rosto), V3 (mandíbula). Dor em queimação em V1 pós-zóster sugere NPH; dor em choque sugere neuralgia do trigêmeo clássica.
- Unilateralidade: reforça salvas, hemicrania paroxística, enxaqueca; bilateralidade favorece tensional.
- Pegadinha: retinopatia diabética/hipertensiva costuma ser indolor.
Dica extra de manejo (NPH): gabapentinoides, tricíclicos, lidocaína/capsaicina tópicas são opções com evidência; avaliar prevenção e manejo de complicações oculares no zóster oftálmico (diretrizes UpToDate, Harrison’s).
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