As roturas retinianas são importantes causas de descolamento...
Gabarito comentado
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Tema central: rotura retiniana gigante (GRT) — rotura de espessura total com extensão circunferencial ampla, predispondo ao descolamento de retina regmatogênico por tração vítrea.
Alternativa correta: A – Um quadrante (90°)
Por definição clássica (AAO/BCSC, UpToDate, Ryan’s Retina), uma rotura retiniana é considerada gigante quando abrange ≥ 90 graus da circunferência retiniana, ou seja, pelo menos um quadrante. Essa extensão facilita o desdobramento do “flap” retiniano, com enrolamento do bordo posterior e rápida progressão do descolamento devido à entrada de líquido sub-retiniano.
Por que isso importa clinicamente? Roturas gigantes têm alto risco de descolamento extenso e proliferação vítreo-retiniana (PVR). São associadas a miopia alta, trauma, afacia/pseudofacia e degeneração lattice. O olho pode apresentar fotopsias, moscas volantes, escotomas periféricos e queda visual rápida.
Diagnóstico: Exame de fundo com oftalmoscopia indireta e depressão escleral identifica a rotura extensa com borda enrolada e o descolamento associado. Imagem de campo amplo (quando disponível) ajuda a documentar a extensão. A ecografia B é útil se houver opacidades de meios.
Tratamento (conduta padrão): Roturas gigantes geralmente requerem vitrectomia via pars plana com perfluorocarbono líquido para aplanar a retina, endolaser, e tamponamento com gás expansor ou óleo de silicone; faixa escleral pode ser associada em alguns casos. Pequenas roturas (não gigantes) podem ser manejadas com laser/critoterapia profilática se não houver descolamento. Diretrizes e revisões: AAO BCSC – Retina e Vítreo; UpToDate – Giant retinal tears; Ryan’s Retina.
Análise das alternativas incorretas:
- B – 180° (dois quadrantes): Exige metade da circunferência, critério excessivamente restritivo. Embora 180° seja uma GRT, o ponto de corte oficial é ≥ 90°; portanto, dizer “pelo menos 180°” exclui muitas GRT reais.
- C – 270° (três quadrantes): Confunde gravidade com definição. GRTs podem chegar a 270°, mas não é o mínimo necessário para a classificação.
- D – 360° (quatro quadrantes): Implicaria rotura circunferencial completa (“anelar”), situação rara e extrema. Não corresponde ao critério mínimo aceito.
Pegadinha de prova: a palavra “gigante” induz muitos a marcar 180° ou mais. Memorize: GRT = ≥ 90° (≥ 1 quadrante). “Quadrante” significa 360°/4 = 90°.
Referências rápidas: AAO BCSC – Retina and Vitreous; UpToDate – Giant retinal tears; Ryan SJ. Ryan’s Retina; Yannuzzi LA. The Retina Atlas.
Gabarito: A
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