Suponha que uma mulher de 56 anos de idade, em pós-menopaus...
Suponha que uma mulher de 56 anos de idade, em pós-menopausa, procure a unidade básica de saúde com o resultado do ultrassom ginecológico e da colpocitologia, apresentados a seguir.
Laudo de ultrassom obstétrico: útero em anteversoflexão, contornos regulares e com 103 cc de volume. Endométrio heterogêneo, com 18 mm de espessura. Ovários não visibilizados. Ausência de massas pélvica ou líquido livre na pelve.
Colpocitologia oncótica: amostra satisfatória. Epitélio escamoso típico e escasso, indicando atrofia e inflamação. Presença de células endometriais atípicas. Flora constituída por cocos.
Em relação à hipótese diagnóstica clínica, é correto afirmar que os achados:
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Tema central: A questão aborda avaliação de achados uterinos e citológicos em mulher pós-menopausa, com foco na investigação de neoplasia endometrial.
Justificativa da alternativa correta (B):
A mulher, de 56 anos e pós-menopausa, apresenta endométrio heterogêneo com 18 mm no ultrassom pélvico. Segundo o protocolo “Avaliação ginecológica da mulher idosa”, considera-se normal espessura até 5 mm nesta faixa etária. Endométrio mais espesso, principalmente acima de 11 mm, acende alerta para processos patológicos, sendo que endométrio ≥ 18 mm é altamente suspeito para câncer. A citologia mostrou “células endometriais atípicas” – achado nunca é normal após a menopausa e exige investigação de neoplasia.
Estudos demonstram que 16,3% das pacientes pós-menopausa com espessamento ≥ 5 mm apresentam câncer de endométrio, aumentando à medida que a espessura cresce. Assim, a combinação dos achados solicita ação imediata e justifica a alternativa B como correta: “levantam suspeita de câncer de endométrio”.
Análise das alternativas incorretas:
A) indicam uma infecção intrauterina.
Incidência de endometrite aguda ou infecção uterina é baixa em gestantes e raríssimo em pós-menopausa, onde sintomas associados (febre, corrimento, dor pélvica) são fundamentais. O exame não sugere quadro infeccioso relevante.
C) levantam suspeita de câncer do colo uterino.
O laudo citológico identificou apenas epitélio escamoso atrófico com células endometriais anormais. Não há indício ou marcador de malignidade cervical (como células escamosas atípicas de alto grau, por exemplo).
D) são compatíveis com o climatério fisiológico.
No climatério ocorre atrofia endometrial e tipicamente o endométrio é fino. A espessura aumentada, de 18 mm, está fora dos padrões fisiológicos e requer elucidação.
Estratégias para prova:
Cuidado com pegadinhas: leia atentamente valores de referência do laudo (no caso, 18 mm é muito acima do esperado); foque em achados atípicos ("células endometriais anormais" nunca são normais em pós-menopausa). Confunda causas infecciosas só com quadros sintomáticos compatíveis; não confunda achados endometriais com doença cervical.
Diretrizes/manejo:
“Em mulheres na pós-menopausa, considera-se espessura endometrial normal até 5 mm…” – Protocolo Avaliação ginecológica da mulher idosa.
Conduta: encaminhamento imediato para avaliação especializada e biópsia endometrial.
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