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Q1102137 Medicina

Analise o caso a seguir.

Em uma Unidade de Pronto Atendimento, uma jovem de 19 anos de idade procura o ginecologista de plantão com queixa de febre, acompanhada de dor pélvica e sinusiorragia. Os sintomas surgiram há dois dias. Faz uso de DIU de progesterona há um ano. Analise os resultados de exames clínicos e laboratoriais realizados neste cenário

Achados de exame:

• Temperatura axilar: 38,9 ºC.

• Toque bimanual: útero muito doloroso à mobilização.

• Exame especular: corrimento escasso e inespecífico.

• VHS: elevada.

• Beta-HCG: negativo.

A seguir, analise as afirmativas sobre a interpretação desses achados.

I. Os achados são incompatíveis com abortamento em evolução.

II. A ausência de corrimento volumoso afasta a possibilidade de endocervicite.

III. A história clínica e os achados apontam para doença inflamatória pélvica aguda.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

Alternativas

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Tema central: O foco da questão é o diagnóstico diferencial em ginecologia diante de sintomas como febre, dor pélvica, uso de DIU e sinais laboratoriais alterados.

Justificativa da alternativa correta (A – I e III apenas):

Afirmativa I – Correta: A paciente apresenta beta-HCG negativo, afastando gravidez. O quadro de febre, dor pélvica e útero doloroso à mobilização não corresponde ao clássico de abortamento em evolução, que geralmente cursa com sangramento vaginal profuso, dor cólica intensa e dilatação do colo uterino.

Afirmativa II – Incorreta: A endocervicite pode apresentar corrimento escasso ou até mesmo ser assintomática. Portanto, a ausência de corrimento volumoso NÃO exclui o diagnóstico. Conforme preconizam manuais de ginecologia clínica, a presença ou ausência de corrimento volumoso não é critério decisivo para afastar endocervicite (pegadinha comum de prova).

Afirmativa III – Correta: Os sintomas associados (febre alta, dor pélvica e útero muito doloroso à mobilização) e VHS elevada apontam fortemente para doença inflamatória pélvica (DIP). O DIU é um fator de risco, especialmente se associado à exposição a infecções sexualmente transmissíveis. Segundo o Manual de Atenção à Mulher no Climatério, item 8.2.8: “o risco de desenvolver DIP na presença de DSTs é maior em usuárias de DIU.”

Análise das alternativas incorretas:

B (I, II e III): Errada, pois II está incorreta.
C (II apenas): Errada. Afirmativa II está incorreta.
D (III apenas): Errada, pois I também é correta.

Estratégias de prova: Atenção para expressões como “afasta” ou “confirma” totalmente um diagnóstico. Muitas vezes, os sintomas podem ser sutis, e provas adoram exigir esse raciocínio clínico baseado em conjunto de sinais e não apenas em achado isolado.

Resumo e evidência científica: A sintomatologia apresentada (febre, dor pélvica, útero doloroso, VHS elevada) é clássica para DIP. A ausência de gravidez descarta abortamento. Corrimento escasso não exclui endocervicite.

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