Homem, 76 anos, negro, com diagnóstico de carcinoma uroteli...

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Q4069881 Medicina
Homem, 76 anos, negro, com diagnóstico de carcinoma urotelial metastático (hepático e pulmonar), é avaliado para início de tratamento sistêmico com primeira linha. Possui regular estado geral (ECOG-PS 1), em tratamento para diabetes mellitus tipo 2, em uso de metformina (Hb1Ac = 6,8%) e para hipertensão arterial com losartana e anlodipino. Exames laboratoriais mostram um clearance de creatinina de 55 mL/min. Ao exame neurológico, apresenta neuropatia periférica sensorial grau 1 e a audiometria não demonstra perdas auditivas. Considerando o caso exposto, qual é a conduta mais apropriada para início de tratamento?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelo critério clássico da EAU, clearance/GFR ≤ 60 mL/min torna o paciente inelegível à cisplatina; como o caso mostra ClCr de 55 mL/min em carcinoma urotelial metastático sem tratamento sistêmico prévio, a alternativa compatível com a base é enfortumabe vedotina + pembrolizumabe como primeira linha.

Tema central: Primeira linha no carcinoma urotelial metastático
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cisplatina exige elegibilidade adequada, e o dado decisivo do caso é o clearance de creatinina de 55 mL/min. Pela referência decisiva da base, GFR/clearance ≤ 60 mL/min já caracteriza inelegibilidade à cisplatina. ECOG 1, audiometria normal e neuropatia apenas grau 1 não anulam a exclusão renal.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o paciente tem carcinoma urotelial metastático em primeira linha e é inelegível à cisplatina pelo clearance de creatinina de 55 mL/min. Na atualização terapêutica incorporada à base, enfortumabe vedotina + pembrolizumabe é opção preferencial/adequada nesse contexto, com benefício clínico frente à quimioterapia. A neuropatia periférica sensorial grau 1 não configura contraindicação absoluta ao enfortumabe vedotina; a preocupação técnica maior recai sobre neuropatia basal grau ≥ 2 ou agravamento relevante durante o tratamento, com necessidade de monitorização e ajuste conforme gravidade.
C
Errada
Está errada porque gencitabina + carboplatina era alternativa clássica para pacientes inelegíveis à cisplatina, mas a base afirma que, no cenário atual, essa lógica foi superada quando enfortumabe vedotina + pembrolizumabe está disponível entre as opções. O erro aqui é de hierarquia terapêutica de primeira linha, não de impossibilidade absoluta de carboplatina.
D
Errada
Está errada porque a premissa médica é falsa: neuropatia periférica grau 1 não contraindica automaticamente enfortumabe vedotina. A bula/informação oficial citada na base trata neuropatia como toxicidade relevante que exige monitorização e modificação conforme gravidade, não como impedimento absoluto na presença basal de grau 1. Portanto, não há fundamento técnico para substituir a estratégia preferencial por pembrolizumabe isolado com essa justificativa.
E
Errada
Está errada porque paclitaxel em monoterapia não é a estratégia apropriada de primeira linha para esse perfil na base apresentada, e a justificativa também falha em dois pontos: o paciente não é inelegível ao enfortumabe vedotina por ter neuropatia grau 1, e a contraindicação à cisplatina não implica contraindicação a todas as opções mais eficazes. Além disso, a própria base destaca que taxano pode piorar neuropatia periférica.
Pegadinha da questão
A banca mistura um critério clássico de inelegibilidade à cisplatina com um paradigma terapêutico mais novo: quem resolver apenas pelo modelo antigo tenderá a marcar carboplatina; quem superestimar a neuropatia grau 1 tenderá a excluir enfortumabe vedotina indevidamente.
Dica para questões semelhantes
  • Em carcinoma urotelial metastático, confira primeiro os critérios de elegibilidade à cisplatina; clearance/GFR ≤ 60 mL/min já exclui cisplatina independentemente de ECOG 1 e audiometria normal.
  • Se a questão trouxer enfortumabe vedotina + pembrolizumabe como opção de primeira linha, compare com o padrão terapêutico atual antes de escolher automaticamente gencitabina + carboplatina.
  • Não transforme toxicidade potencial em contraindicação absoluta: neuropatia periférica grau 1, pela base, não basta para vetar enfortumabe vedotina.
  • Diferencie 'inelegível à cisplatina' de 'inelegível a tratamento sistêmico efetivo'; a exclusão renal da cisplatina não empurra automaticamente para monoterapia subótima.

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