Leia o caso clínico. Paciente do sexo feminino, queixa-se de...

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Q2134153 Medicina

Leia o caso clínico. 

Paciente do sexo feminino, queixa-se de dispneia progressiva aos esforços e tosse noturna. O médico atendente, ao examiná-la, percebe um sopro diastólico em ruflar, intenso, melhor audível com a campânula do estetoscópio, na região do ictus cordis, porém sem o reforço pré-sistólico habitualmente audível nesse sopro. Nota ainda ausência de bradicardia, alteração do ritmo cardíaco e que a primeira bulha cardíaca apresenta fonese variável. Detecta também déficit de pulso.

Qual é a hipótese clínica para essa arritmia?

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Tema central da questão: Trata-se de arritmia cardíaca em paciente com provável valvulopatia mitral, identificando as repercussões clínicas ao exame físico e relacionando-as ao diagnóstico diferencial de arritmias.

Por que a alternativa C é correta?

A fibrilação atrial (FA) é caracterizada por atividade elétrica atrial completamente desorganizada, determinando:

  • Ausência de contração atrial efetiva
  • Irregularidade dos intervalos RR (ritmo irregular)
  • Frequência ventricular variável

Na FA, o sopro diastólico em ruflar sem reforço pré-sistólico ocorre porque não há contração do átrio esquerdo para promover o reforço no final da diástole. A primeira bulha variável e o déficit de pulso — diferença entre batimentos cardíacos auscultados e pulsos periféricos palpáveis — são clássicos deste ritmo desorganizado.

Conforme a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – 2025:
“... completa desorganização da atividade elétrica atrial... ECG: intervalos RR irregulares e ausência de ondas P bem definidas...”

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Bloqueio atrioventricular total (BAVT): O BAVT gera dissociação total entre átrios e ventrículos, mas tipicamente cursa com bradicardia importante (não relatada no caso) e não leva à ausência de reforço pré-sistólico pois a contração atrial segue ocorrendo, embora sem condução ao ventrículo.

B) Bloqueio completo do ramo esquerdo: Altera morfologia do QRS e não gera irregularidade do ritmo nem deficit de pulso. Tampouco interfere no reforço pré-sistólico do sopro mitral.

D) Taquicardia sinusal: O ritmo permanece regular e mantém onda P antes de cada QRS. Não há déficit de pulso, nem variabilidade da primeira bulha cardíaca.

Dica de interpretação: Observe palavras-chave como “sopro em ruflar sem reforço pré-sistólico”, “primeira bulha variável” e “déficit de pulso”. São sinais clássicos de FA. Questões costumam cobrar este raciocínio, sobretudo em contextos de estenose mitral.

Referências: Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial – 2025.
HARRISON’S Principles of Internal Medicine, 21ª ed.
UpToDate: Clinical manifestations and diagnosis of atrial fibrillation.

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Comentários

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Com base na descrição dos sintomas apresentados pela paciente, a hipótese clínica para essa arritmia é a fibrilação atrial, que é uma arritmia cardíaca comum que pode causar dispneia, tosse noturna, sopro diastólico em ruflar, déficit de pulso e fonese variável na primeira bulha cardíaca. É importante destacar que a ausência de reforço pré-sistólico no sopro diastólico é um sinal comum da fibrilação atrial. As outras opções de resposta não parecem ser compatíveis com o quadro clínico apresentado.

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