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Gabarito comentado
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Tema central da questão: Interpretação de Texto, com análise de relações implícitas, uso de citações e compreensão da coerência textual.
O enunciado pede ao candidato que identifique a relação implícita ao citar Oscar Wilde: “Por isso, toda poesia sincera é ruim.” Para resolver, aplica-se uma das estratégias essenciais de interpretação de texto: encontrar analogias, relações não evidentes e compreender o sentido por trás da citação no argumento global do autor.
O trecho analisado contrapõe a exposição excessiva do "eu" (falar demais sobre si) à discrição (ser reservado). O autor critica a sociedade contemporânea pelo excesso de exposição pessoal e afirma, pelo apoio na citação, que a “poesia sincera” – aquela que revela tudo sem filtro – acaba sendo, paradoxalmente, pouco interessante, pois tira do leitor o mistério e o desejo de compreender o sujeito-poeta.
Justificativa da alternativa correta (A): A resposta correta é a alternativa A, pois ela associa a valorização da discrição do sujeito (pessoa reservada desperta interesse nos outros) à qualidade da boa poesia (que deixa espaço para interpretação, criando vazios de significado e despertando curiosidade). Essa relação está implícita quando o autor sugere que, tal qual o pudor atrai na convivência, a poesia reserva também atrai na literatura.
Sobre as alternativas incorretas:
B: Erra por afirmar que mostrar tudo da alma é próprio do fazer poético, quando o texto critica justamente essa exposição total.
C: Equivoca-se ao associar "poesia sincera" a uma falta de racionalidade ou a ausência de mistério, o que não é sustentado pelo argumento do autor.
D: Relaciona o “eu” falante à poesia sobre temas incômodos, fugindo do real paralelismo do texto, que aborda excesso de exposição.
Estratégia para futuras provas: Sempre busque identificar as analogias (comparações implícitas) e se apoie nas palavras-chave do texto. Cuidado com alternativas que parecem “encaixar” no tema geral, mas fogem do argumento principal.
Referências úteis: Segundo Koch & Travaglia (“A Coerência Textual”), o bom leitor identifica a lógica dos implícitos para compreender sentidos não literais e construir a unidade do texto com base nessas relações.
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Gabarito Letra A (relação implícita)
- A discrição de uma pessoa ao falar de si mesma desperta o interesse de outras pessoas em conhecê-la.
- Boa poesia deixa vazios (silêncios) de significado para ser bastante lida.
discrição= ser discreto
descrição= exposição.
Vamos analisar:
"O "eu" falante inunda o mundo com seu ruído. O "eu" mais discreto tece um silêncio que desperta o interesse em conhecê-lo. Mas hoje vivemos num mundo da falação de si, como numa espécie de contínuo striptease da alma. O corpo nu é mais interessante do que a alma que se oferece. Por isso toda poesia sincera é ruim (Oscar Wilde). O "eu" deve agir como as mulheres quando fecham as pernas em sinal de pudor e vergonha".
Logo, a alternativa mais coerente é a A, pois o autor compara a poesia sincera ao "eu" mais discreto, o qual tece um silêncio que desperta o interesse em conhecê-lo, e ainda acrescenta que, hoje em dia, vivemos num mundo da "falação de si", no qual o corpo nu se tornou mais interessante do que a alma que se oferece.
A alternativa correta é a A.
Para chegar a essa conclusão, é preciso analisar o contexto em que Pondé cita Oscar Wilde. O autor está criticando o "striptease da alma" e a "falação de si" — essa necessidade moderna de expor tudo o que se sente e pensa.
- A crítica ao excesso: Pondé argumenta que o "eu" que fala demais inunda o mundo com ruído. Ele defende que a discrição e o silêncio são mais atraentes.
- A analogia de Wilde: Quando Wilde diz que "toda poesia sincera é ruim", ele sugere que a arte que apenas "despeja" sentimentos brutos (sinceridade pura) carece de estética, mistério e elaboração. A boa poesia não é um diário aberto; ela exige forma, contenção e, muitas vezes, o que não é dito.
- A relação implícita: Assim como uma pessoa discreta desperta interesse por não revelar tudo de imediato, uma boa poesia não entrega um significado mastigado e óbvio ("sincericida"); ela deixa espaços (vazios) para que o leitor complete o sentido.
- B: Incorreta porque o autor faz justamente o oposto: ele critica a alma que se mostra por inteiro, comparando-a a algo sem interesse.
- C: O erro está em dizer que a poesia sincera é "desprovida de racionalidade". O foco da crítica de Pondé/Wilde não é a falta de lógica, mas a falta de pudor/mistério.
- D: O texto não sugere que a poesia incomoda a sociedade por seus temas, mas sim que a poesia "sincera" é artisticamente pobre por ser uma exposição excessiva do "eu".
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