Quando o autor cita “Paulo Gustavo”, subentende-se que:
Texto 1
Juíza de SC nega aborto a menina de 11 anos vítima de estupro; TJ apura caso
(...)
Por envolver menores de idade, o caso segue em segredo de Justiça, mas o jornal O Estado de S. Paulo conseguiu acesso à decisão. As identidades da vítima e da mãe foram preservadas.
No despacho, Joana Ribeiro Zimmer defendeu a continuidade da gestação por parte da criança. Ela citou que o aborto deve ser realizado até 22 semanas de gravidez ou o feto atingir 500 gramas.
(...)
Já em um diálogo direto com a mãe, a juíza afirma que existem cerca de 30 mil casais que “querem o bebê”. “Essa tristeza para a senhora e para a sua filha é a felicidade de um casal”, disse a magistrada. “É uma felicidade porque eles não estão passando pelo o que eu estou passando”, respondeu a mãe da criança.
“Estamos lutando para essa interrupção da gestação. Primeiro, porque a criança é assistida por lei. Ela está no enquadramento do aborto legal, por ser vítima de violência e por correr riscos de morte”, afirmou advogada Daniela Félix, que representa a família da vítima. “A gente tem, no Brasil, três casos de aborto que independe do tempo de gestação. Nesse caso, estamos amparados por dois (risco à saúde da gestante e estupro) – o terceiro caso seria o de anencefalia”, explicou a advogada.
(...)
De acordo com os médicos, os riscos à vida da vítima estão relacionados com a duração da gestação, e também com os procedimentos de parto e pós-parto a que uma criança de 11 anos será submetida. O descolamento de placenta e sangramento provocados pelo trabalho de parto prematuro e atonia uterina (falta de contrações do útero) após o nascimento do bebê foram alguns dos problemas citados pelos médicos.
Estadão Conteúdo
(MEDONÇA, T.)
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Interpretação de texto, com foco em inferência (informações implícitas do texto) e uso de metáfora – figura de linguagem que estabelece uma comparação implícita.
Comentário da alternativa correta:
D) Subentende-se que a questão de gênero e orientação sexual não tem nada a ver com a responsabilidade de um homem na figura de um pai, pois o que é importante é assumir seu papel no afeto e demais responsabilidades.
A questão exige capacidade de inferência, ou seja, deduzir o que está subentendido nas palavras do autor. No texto, ao citar “Paulo Gustavo”, o autor emprega uma metáfora para simbolizar exemplos de pais que, independentemente da orientação sexual, cumprem com responsabilidade, carinho e presença o papel de pai. Trata-se de um argumento que não distingue orientação sexual como critério para o exercício da paternidade. Gramaticalmente, seguindo Bechara e Cunha & Cintra, o uso da metáfora amplia o sentido da expressão literal, permitindo a leitura crítica exigida em concursos.
Análise das alternativas incorretas:
A) Errada. Não há no texto menção direta à ideologia de gênero ou adoção por casais homoafetivos; a intenção é discutir responsabilidade paterna, e não direito de adoção.
B) Errada. O texto não afirma superioridade de responsabilidade em casais homoafetivos; a ideia é que o comprometimento com os filhos independe da configuração familiar ou orientação sexual.
C) Errada. Não há discussão sobre desrespeito à criança ou perda de identidade; a crítica é direcionada ao machismo social e à ausência paterna afetiva e material.
Elementos centrais do trecho:
- Uso da metáfora ("Paulos Gustavos" = pais de verdade, não importa a orientação sexual);
- Inferência como chave interpretativa, pois o valor está no comportamento paterno, não em rótulos sociais.
Estratégia para provas: Sempre busque a essência da argumentação do autor e desconfie de respostas que inserem julgamentos ou informações que não constam – Cuidado com termos “superioridade”, “direito de adoção” ou “influência prejudicial”, ausentes no texto.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo