Sempre que vou para alguma praça fazer
minhas leituras, carrego comigo algumas folhas
em branco e uma caneta ensebada no bolso,
caso eu precise anotar alguma informação
pertinente, alguma ideia que surja... Uma frase
pairando sobre o vendaval conturbado de minha
mente.
Abro a folha em meu colo e faço uso do
belíssimo instrumento que deu título a esta
crônica. Enganou-se se você pensava que eu
estava me referindo ao ostensivo lance
futebolístico em que o jogador passa sutilmente
com a bola por entre as pernas do adversário
(aliás, se alguém souber me dizer o porquê da
nomenclatura deste lance fazer referência com
a caneta, eu ficarei muito agradecido).
Não, senhor. A caneta aqui é aquele
pequeno instrumento mágico, que imprime
diretamente no papel sem o uso de uma
impressora, em tempo real. Desenha palavras e
formas ao gosto de seu usuário. E quando o
combustível chega ao fim, precisamos fazer
exatamente como os motoristas fazem com seus
possantes motorizados: temos que levá-la até
um posto e abastecer.
Vez ou outra, durante algumas de
minhas constantes anotações, eu reparo certos
olhares curiosos sobre mim. São pessoas que
passam pela praça e estranham aquele meu ato
antiquado demais para este mundo moderno.
Gente me observando com algum espanto,
transeuntes que quase não acreditam no que
veem. Afinal, por que cargas d'água este sujeito
não usa o aplicativo do celular para escrever?
Onde foi parar o seu tablet? Será que ele não
tem computador em casa? Será que ele tem
casa? Céus, onde foi que ele conseguiu uma
caneta? (...)
E mesmo sustentando a plena
consciência de que terei que transcrever para
meu computador tudo o que foi rabiscado no
PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA II - ARTЕ
INSTITUTO AVANÇA SÃO PAULO
papel, isso não me é empecilho nenhum. E você
poderia redarguir que este é sim, um trabalho
desnecessário, repetitivo e saudosista... Mas
sou um amante da escrita. E continuarei muito
feliz em poder transcrever para o mundo virtual
minhas ideias que primeiramente foram
registradas por uma caneta... Marca que ficou
registrada neste mundo real e cada vez menos
manuscrito.