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Q3328548 História

“Os planos da ditadura para integrar o território de Roraima ao restante do país eram tanto ambiciosos para o governo quanto arriscado para os índios. Após rasgar, ao sul, por mais de uma centena de quilômetros a terra waimiri-atroari com a abertura da rodovia BR-174, que permitiu a ligação de Manaus à capital do território, Boa Vista, os militares passaram a construir outra estrada, a BR-210, agora no sentido leste-oeste, para cruzar a BR-174 a fim de conectar Macapá [...] ao Norte do Amazonas. [...] A exemplo da Transamazônica, porém a obra jamais foi concluída.”



(VALENTE, Rubens. Os fuzis e as flechas: história de sangue e resistência indígena na ditadura. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 179.)



Acerca da relação entre a Ditadura Militar, os povos indígenas e a ocupação da região norte do Brasil, assinale a afirmativa correta:

Alternativas

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Alternativa correta: A

Tema central da questão: A pergunta aborda a relação entre o regime militar, os povos indígenas e a ocupação da Amazônia durante a Ditadura Militar brasileira. O foco está em políticas de integração territorial e seus impactos sobre os indígenas, tema recorrente em concursos de História do Brasil.

Resumo teórico: Nos anos de chumbo (1964-1985), os militares buscaram integrar a Amazônia ao restante do país, promovendo a construção de estradas (como a BR-174 e a Transamazônica) e estimulando a ocupação populacional. Para administrar os interesses sobre os povos indígenas, criaram a FUNAI em 1967 (Lei nº 5.371, de 05/12/1967), substituindo o antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), marcado por escândalos e ineficiência.

Justificativa da alternativa correta (A): A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) foi mesmo criada em dezembro de 1967, pelo governo Costa e Silva, para substituir e reunir funções do SPI, do Parque Indígena do Xingu e do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. O objetivo era centralizar e modernizar a política indigenista, apesar dos problemas persistentes. Fonte: Lei nº 5.371/1967.

Análise das alternativas incorretas:

B: O Programa de Integração Nacional (PIN) foi lançado em 1970, já no governo Médici, e não em 1966 por Castelo Branco. Portanto, a data e o contexto estão errados.

C: Nos primeiros anos, a FUNAI não rejeitou parcerias com missionários, inclusive manteve colaboração com organizações religiosas, como o CIMI e o ISA. A visão de espionagem existiu, mas não foi determinante para a recusa de parcerias.

D: O PIN não foi criado nos primeiros anos do regime, mas em 1970, já durante o governo Médici, e sua implementação foi imediata, com forte apelo ufanista. A alternativa confunde a cronologia.

E: A migração nordestina foi estimulada, porém, não esvaziou os conflitos sociais no Nordeste; muitos problemas sociais persistiram, e o impacto dessas migrações foi limitado.

Dica de interpretação: Atente-se sempre às datas e nomes de governos. Em temas históricos, eles costumam diferenciar as alternativas corretas das erradas. Desconfie de informações que parecem muito amplas ou que generalizam demais processos complexos.

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Comentários

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Erros:

A e D: o Programa de Integração Nacional (PIN) foi instituído pelo Decreto-Lei nº 1.106, de 16 de junho de 1970, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici. Tinha por objetivo implementar obras de infraestrutura econômica e social no Norte e no Nordeste do país.

C: A gestão do jornalista José de Queirós Campos (dez. 1967-jun. 1970) foi marcada pelas tarefas relativas à liquidação do SPI e remontagem do aparelho sob a forma de uma fundação. Manteve ainda em seus quadros elementos ligados ao SPI, como José Maria da Gama Malcher e Heloísa Alberto Torres, João Oscar Henriques e Álvaro Vilas Boas. [...] Durante o período, o Parque do Xingu, “vitrine” da política indigenista da Funai ao longo de boa parte de sua trajetória, foi ampliado e foram criados três outros parques: Aripuanã, em Mato Grosso, Tumukumaque, no Pará, e Araguaia, em Tocantins, só decretado em 1971. Queirós Campos promoveu o 1º Simpósio Funai-Missões Religiosas e refez o convênio anteriormente firmado pelo SPI com o Instituto Linguístico de Verão (Summer Institute of Linguistics — SIL), entidade confessional voltada para a educação bilíngue com fins religiosos.

E: A construção da Transamazônica não esvaziou os conflitos sociais no Nordeste.

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