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Q2540092 Português
O texto abaixo é um excerto de uma reportagem publicada em um periódico semanal. Leia-o, de forma a responder à questão. 

Estudo encerra polarização: bem-estar pressupõe cuidar do corpo e da alma


    Foi sempre uma coisa ou outra, sem concessões — a alma ou o corpo. Durante muito mais tempo do que se deveria, a relevância para o ser humano de se movimentar um pouquinho que seja foi relegada ao fundo das prioridades. O bom mesmo era pensar, cuidar da cabeça, estar psicologicamente bem. Mas então, em meados do século XX, estudos mostraram que o exercício físico é fundamental. Nos anos 1940, um revolucionário trabalho de um médico inglês com cobradores de ônibus demonstrou que a ocorrência cada vez maior de problemas cardíacos estava ligada muito mais ao sedentarismo do que à idade ou ao estresse crônico. E então o mundo percebeu que não poderia ficar parado — e dá-lhe abandonar os fundamentais cuidados com a cuca.
    Mas, como a roda não para de girar, em eterno vaivém, por mais de uma vez foram dadas ordens contrárias, isso ou aquilo. De um lado, os fervorosos defensores do chamado mindfulness, a técnica para acalmar os pensamentos e trabalhar a atenção plena. Do outro, mindfulness os amantes dos exercícios físicos e toda a prazerosa cascata hormonal que eles desencadeiam. Aqui e ali algumas vozes apontaram o caminho do bom senso, mas o tempo tratou de calá-las. 
    A polarização incessável virou mau hábito, um labirinto sem saída, de portas fechadas e donos da verdade. Seria preciso algum freio de arrumação, o necessário equilíbrio para pôr as duas frentes na balança, sem privilégios, em igualdade de condições. Parece, enfim, ter chegado a hora. Um robusto trabalho da Universidade de Bath, na Inglaterra, revela que costurar os dois aspectos — a cabeça e o organismo — é o que nos faz viver mais e melhor. Soa simples, quase banal, talvez seja, mas eis aí uma conclusão que merece ser celebrada. Os estudiosos mergulharam em mais de 7. 500 referências científicas sobre o tema. Buscaram os prós e contras de cada vertente e do combo extraíram um enredo — uma postura ajuda a outra, simples assim. “Ficar mais atento, com a mente alerta, ajuda a treinar as forças psicológicas que precisamos para praticar exercícios corporais”, disse a VEJA Masha Remskar, cientista comportamental de Bath, uma das responsáveis pelo pioneiro levantamento.  “mindfulness e o fitness se complementam mindfulness fitnessincrivelmente bem, multiplicando os benefícios para a saúde mental”.
    Os dados existentes comprovam as respostas de cada linha, isoladamente. A movimentação física é alimento para o ânimo, o bem-estar fundamental para tocar a vida. O zelo mental é atalho para a satisfação no dia a dia. A junção das duas pontas — e adeus polarização — tem extraordinário poder multiplicador. É o que revela a mineração da vasta pesquisa agora divulgada e que muitos especialistas recomendam com veemência. 
    Tudo resolvido? Não. As evidências ajudam a abrir avenidas e a demolir os lugares-comuns. Os xiitas da ginástica e os fanáticos pela reflexão vão naturalmente perder espaço, mas as dificuldades do cotidiano da vida moderna oferecem obstáculos, muitos intransponíveis. Como, por exemplo, ter força para abandonar o smartphone e as redes sociais? Como associar o personal trainer com o terapeuta de consultório, com tempo curto e dinheiro escasso? [...] Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais mostrou que, no Brasil, os transtornos mentais levam à perda de 4,7% do PIB todos os anos, com menor produtividade e redução de postos de trabalho. [...] Vale, portanto, como resolução para o ano que mal começou, a vigilância permanente.

Fonte: Revista VEJA, ed. 2876, 10 jan. 2024.
O texto apresenta diferentes percepções sobre como cuidar da saúde e do bem-estar. Avalie a veracidade das afirmações abaixo a respeito das posturas que vão se definindo na trajetória dos estudos.
I- Houve uma época em que a descoberta de que problemas de saúde, como os distúrbios cardíacos, estariam associados à falta de atividade física levou à negligência quanto aos problemas ligados à mente. II- A inconsistência dos argumentos, seja dos que se preocupam com o equilíbrio da mente, seja dos adeptos à atividade física como suporte para o bem-estar e a saúde, implicou uma nova tendência: a aceitação de que as duas posturas devem caminhar juntas. III- Dado o enfraquecimento de posturas radicais, surgem novos focos de atenção: a reeducação de hábitos relacionados ao uso das redes sociais e as restrições financeiras, fatores que constituem barreiras ao enfrentamento dos cuidados com o corpo em sua totalidade.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão avalia interpretação de texto, exigindo do candidato a capacidade de reconhecer ideias principais, inferir relações de causa e consequência e analisar o desenvolvimento do tema no texto. Estas habilidades envolvem os conceitos de coerência e coesão textuais, essenciais segundo gramáticos como Evanildo Bechara.

Justificativa para a alternativa correta (E – I e III apenas):

Afirmação I: O texto relata que, durante certo período, a ênfase foi excessiva na saúde física (depois dos estudos ligados ao sedentarismo nos anos 40), fazendo com que os cuidados com a mente fossem minimizados ("dá-lhe abandonar os fundamentais cuidados com a cuca"). Assim, a afirmação está correta, pois há registro da negligência em relação à saúde mental após a valorização da atividade física.

Afirmação III: O excerto final aponta novos desafios após a diminuição das posturas radicais: "as dificuldades do cotidiano... obstáculos, muitos intransponíveis", e cita como exemplos o uso excessivo das redes sociais e a limitação de tempo e dinheiro, alinhando-se exatamente ao que a assertiva III indica. Portanto, está correta.

Análise das alternativas incorretas:

Afirmação II: Aqui está o ponto-chave: o texto não atribui “inconsistência dos argumentos” aos defensores de cada lado, mas sim a prevalência de visões radicais e a ausência de consenso. A aceitação do equilíbrio não decorre da inconsistente defesa das duas posturas, mas da comprovação científica da vantagem em associá-las. Portanto, a afirmação II é incorreta.

Estratégia de interpretação: Para questões como essa, identifique expressões-chave no texto que apontam para relações de causa e consequência ou para o desenvolvimento das ideias. Palavras como “mas”, “porém”, “entretanto”, “como”, “obstáculos”, e referências temporais ou causais são focos importantes. Cuidado com termos generalizantes ou explicações que não se apoiam diretamente no texto.

Referência normativa: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), interpretar exige não só reconhecer o que está explícito, mas também identificar implícitos, relações e progressões argumentativas, sempre considerando a coerência global do texto.

Gabarito: E (I e III apenas).

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Comentários

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II- A inconsistência dos argumentos, seja dos que se preocupam com o equilíbrio da mente, seja dos adeptos à atividade física como suporte para o bem-estar e a saúde, implicou uma nova tendência: a aceitação de que as duas posturas devem caminhar juntas.

  • foi exatamente a consistência dos argumentos que fez com que eles tivessem que caminhar juntos

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