Sobre a profilaxia dos fenômenos tromboembólicos, a conduta...
Leia o caso clínico a seguir e responda à questão .
Uma mulher de 45 anos é portadora de estenose mitral de origem reumática e faz uso de atenolol. A presenta-se em classe funcional II. O ecocardiograma transesofágico mostra área valvar mitral de 0,9 cm2, com boa morfologia e insuficiência mitral mínima, ausência de trombos no átrio esquerdo; diâmetro e função sistólica do VE preservados. O ritmo no ECG é de fibrilação atrial.
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Tema central: O foco desta questão é profilaxia dos eventos tromboembólicos em paciente com estenose mitral reumática e fibrilação atrial, condição que eleva significativamente o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e embolia sistêmica.
Justificativa da alternativa correta (E): Pacientes com estenose mitral de origem reumática e fibrilação atrial têm indicação clara de anticoagulação oral para prevenção de eventos tromboembólicos. De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020: “A anticoagulação oral com antagonista da vitamina K (AVK) é recomendada para pacientes com estenose mitral e fibrilação atrial, com alvo de INR entre 2,0 e 3,0.” Isso ocorre porque a estenose mitral promove estase sanguínea no átrio esquerdo, facilitando a formação de trombos, especialmente quando associada à arritmia.
A varfarina é o AVK de escolha (INR entre 2,0 e 3,0), equilibrando eficácia na prevenção de tromboembolismo e risco aceitável de sangramento. A alternativa E se enquadra perfeitamente nesse contexto.
Análise das alternativas incorretas:
A) Ácido acetilsalicílico + varfarina: A associação só é recomendada em situações muito específicas, como presença de prótese valvar ou doença coronariana ativa. O uso combinado aumenta o risco de sangramento, sem benefício comprovado nessa situação.
B) Ácido acetilsalicílico isolado: Não confere proteção adequada contra eventos tromboembólicos em pacientes com válvula mitral reumática e fibrilação atrial. Estudos mostram proteção inferior ao AVK.
C) Dabigatrana ou rivaroxabana (DOACs): Segundo as diretrizes, DOACs não devem ser utilizados em estenose mitral moderada a importante, por falta de evidência de segurança/eficácia.
D) Varfarina com INR de 2,5-3,5: Esse alvo é reservado para situações de próteses valvares mecânicas. Para estenose mitral e FA, o alvo deve ser 2,0 a 3,0, como consta nas diretrizes.
Estratégia para leitura e pegadinhas:
Questões desse tipo exigem atenção ao tipo de valvopatia e à presença de arritmia (“fibrilação atrial”). O detalhe do INR e a contraindicação dos DOACs nesta valvopatia são pontos-chave!
Referência: Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020, seção anticoagulação na estenose mitral com FA.
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