Ao dizer que “como de início se viu um time de sopro curto”...
TEXTO
O DESASTRE DO BRASIL
Carlos Nejar, O Globo, 10/7/2014
Este desastre do futebol brasileiro diante da
Alemanha, em goleada, começou bem antes da
lesão propositada em Neymar, veio bem antes
de quando Felipão mostrou-se desatualizado,
soberbo, ditador; veio antes pela excessiva
propaganda, cuidando dos mínimos gestos e
movimentos de nossos jogadores, como se fossem
deuses, novos e opulentos, com a supervalorização
dos pés, como se pensassem ou criassem a ordem
do universo. Não foi apenas a seleção alemã
superior, houve negligência, pane, lapso dos
atletas nacionais e como de início se viu um time
de sopro curto. O preço foi muito caro.
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Tema central: Figuras de Linguagem — Mais especificamente, metáfora. Questões desse tipo exigem interpretar usos conotativos das palavras dentro do texto, identificando onde há substituição de sentido literal por figura de linguagem, recurso frequente em textos de opinião.
Alternativa correta: B) Metáfora
Segundo a norma-padrão e grandes gramáticas como as de Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra, metáfora consiste em uma comparação implícita entre dois termos com alguma semelhança, sem usar conectivos como "como" ou "tal qual". No texto, "um time de sopro curto" expressa, de forma figurada, que a seleção brasileira mostrava pouco vigor ou fôlego. Aqui, “sopro curto” não é literal: é uma forma de comparar o desempenho do time à ideia de alguém que tem pouco fôlego, sem utilizar elementos explícitos de comparação.
Exemplo típico de metáfora (Celso Cunha): “Meu coração é um deserto.” — O coração não é, literalmente, um deserto, mas passa a ideia de solidão.
Análise das alternativas incorretas:
A) Metonímia: Relaciona-se à substituição por proximidade (exemplo: "bebi dois copos" no lugar de "bebi água dos copos"). No trecho, não há relação de contiguidade, mas sim de semelhança.
C) Pleonasmo: Caracteriza-se por redundância intencional ("subir para cima", "hemorragia de sangue"). O termo "sopro curto" não repete ideia, apenas a faz por meio figurado.
D) Eufemismo: Suaviza uma ideia negativa ("foi para um lugar melhor" em vez de "morreu"). O autor não suaviza, mas sim compara o time à falta de energia.
E) Hipérbole: Indica exagero intencional ("morri de rir", "um milhão de vezes"). O "sopro curto" não é hiperbólico, mas metafórico.
Dica para concursos: Ao encontrar expressões que, no contexto, dão um novo significado à palavra literal, pense primeiro em metáfora. Se notar exagero, busque por hipérbole; se houver suavização, eufemismo; se aparecer redundância, pleonasmo; e se houver troca por proximidade, metonímia.
Resumo do aprendizado: Metáfora é comparação implícita (sem conectivo), aproximando sentidos para expressar ideias de maneira criativa e figurada.
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Comentários
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Por que não eufemismo?
Acho que rolou um eufemismo aí...
Eufemismo e pra amenizar uma situação que causa constrangimento...notícia ruim.... Aí acho que está mais "comparando" com alguma coisa...exemplo: um time de raposa...um time de lesma
também marquei eufemismo
como assim metáfora e não eufemismo?
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