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Q1152995 Português

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          Um roteiro literário por Belo Horizonte

Com desenho urbano moderno, a capital de Minas

Gerais inspirou muitas obras da literatura. Aqui,

roteiros que conduzem a lugares eleitos por

prosadores

                                                                                                             Por Fabrício Marques


       O primeiro roteiro pode ser percorrido a pé, na região que inspirou os modernistas e motiva os escritores contemporâneos, no seu traçado em xadrez. Andando, cada um inventa sua própria cidade: o Centro de BH é um emaranhado de avenidas diagonais superpostas às ruas ortogonais, com nome dos estados da União, entrelaçadas àquelas que remetem a tribos indígenas.

       Se quiser, cantarole Ruas da Cidade, do antológico Clube da Esquina Nº 2, de 1978. “Para quem chega, a experiência é estonteante até que, mais dia, menos dia, o hábito se instala”, diz o poeta e tradutor baiano Duda Machado, que mora há 18 anos na capital mineira, admirado com o choque do planejamento dos traçados triangular e retangular com a elevação montanhosa e as muitas ladeiras.

        Comece pela Rua Sapucaí, espécie de “orla” seca da região, com destaque para os restaurantes do italiano Massimo Battaglini, a Salumeria Central (carne de porco) e o Pecatore (frutos do mar) e o bar Dorsé.

         Nas proximidades, curta o Petit Café, em um casarão dos anos 1920. Dali, da balaustrada da avenida, você tem uma bela visão do Centro: aviste a Praça da Estação em um ângulo diferente e, olhando para a esquerda, o Viaduto Santa Tereza, onde, no final dos anos de 1920, Carlos Drummond de Andrade, aos 27 anos, escalou um dos arcos.

            Com revestimento de argamassa em tom de concreto, o viaduto foi criado para ligar o bairro da Floresta, onde morava o poeta, ao Centro – cumprindo, profeticamente, os desígnios da letra do compositor Rômulo Paes: “Minha vida é esta: subir Bahia e descer Floresta”. O “alpinismo urbano” foi repetido por algumas gerações de escritores, como a de Fernando Sabino, que recriou, em forma de ficção, o ritual em O Encontro Marcado (1956). Hoje, o viaduto conjuga aparência decadente e importância cultural e histórica. Só olhe, não precisa subir!

            O próximo destino é o Edifício Maletta. Antes de chegar lá, no caminho, passe bem ao lado do Palácio das Artes, pelo Parque Municipal, um dos cenários de Os Novos (1971), de Luiz Vilela, prosador que frequentava o local em busca de inspiração.

           Mas não perca o foco no Maletta: vire à esquerda na Rua da Bahia, que, nas palavras do poeta Paulinho Assunção, “inventou Belo Horizonte”. Famosa, a rua concentrou os bares favoritos de jornalistas e escritores e as redações dos principais jornais impressos – num deles trabalhou Rubem Braga, que, fazendo troça do caráter provinciano da metrópole, chamou-a de “Belorizontem” numa crônica. “Haja cidade, disse a Rua da Bahia em uma segunda-feira chuvosa, muito tediosa, sem nada para fazer, só com empadas nos mostruários e alguns udenistas de cachecol. E houve então a cidade”, completa Assunção.

             O Edifício Maletta fica na confluência da Bahia com a Avenida Augusto de Lima. É um mundaréu de galeria, livraria, sebo, self-services, barbearia, lojas, escritórios e bloco residencial. Peça um bife à parmegiana na Cantina do Lucas, dê uma incerta no sebo Crisálida, na sobreloja, onde o varandão abriga happy hour e baladas noturnas, e considere bares e restaurantes como o Lua Nova, Objetoria, Dub, Nine e Arcângelo.

             O paulista Mário de Andrade visitou Belo Horizonte em quatro ocasiões. Na segunda delas, em 1924, fez a leitura, na sacada do Grande Hotel, do poema que acabara de escrever, o Noturno de Belo Horizonte. O hotel foi demolido para a construção do Maletta, inaugurado em 1961.

              O passeio termina seguindo pela Augusto de Lima até chegar ao Mercado Central (no número 744), que merece reiteradas visitas. Um dos lugares mais conhecidos da capital mineira, o mercado ganhou saborosas referências no livro “O Mundo Acabou”, de Alberto Villas, com o relato de incursões para comprar frutas e outros produtos, e também no poema de Ricardo Aleixo Cine-Olho, que flagra um menino, “um ponto riscado a laser na noite de rua cheia/ali para os lados do Mercado”.

            Esse local tão querido também pelos turistas é tema de um dos livros, assinado pelo compositor Fernando Brant, da ótima coleção BH. A Cidade de Cada Um (Conceito Editorial), que reúne 28 títulos lançados sobre pontos importantes de “Belô”, “Belorizoo”, “Belzonte” – vá somando aí os apelidos da terra de escritores que já moraram aqui e voltam de vez em quando, como Silviano Santiago e Affonso Romano de Sant’Anna.


                                                                                                                    Disponível em

https://viagemeturismo.abril.com.br/destinos/belo

horizonte-um-roteiro-literario/ 

Assinale a alternativa correta de acordo com o texto.



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Tema central da questão: Interpretação de textos. A habilidade cobrada é identificar a ideia principal do texto, distinguindo o foco do roteiro apresentado e compreendendo os sentidos explícitos e implícitos, conforme prevê a norma-padrão e as principais gramáticas (Bechara; Cunha & Cintra).

Justificativa da alternativa correta (E):
O texto propõe um roteiro literário por Belo Horizonte, destacando pontos marcados por opiniões, vivências e até ficção de autores brasileiros, como Drummond, Fernando Sabino e outros, mostrando suas impressões e relações subjetivas com lugares da cidade. O roteiro valoriza o olhar do escritor, refletindo pontos de vista artísticos sobre os ambientes. A alternativa E representa corretamente essa perspectiva, pois foca na opinião, experiência e até ficcionalização feita pelos autores, estando em perfeita sintonia com o texto apresentado.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. Não houve colaboração direta de outros autores na produção do texto, mas sim menção a experiências deles; portanto, o texto não foi “escrito com ajuda”.

B) Errada. Embora o texto cite locais a visitar, ele não se propõe a ser um roteiro turístico tradicional; o enfoque é literário/cultural e subjetivo.

C) Errada. O texto não se limita a “amantes por leitura e por viagem”, pois seu público é mais abrangente e em nenhum momento afirma ser redigido apenas por autores brasileiros; o autor é identificado (Fabrício Marques).

D) Errada. Não há qualquer tom ou indicação de “brincadeira”; o roteiro não foi elaborado em parceria ou como interação entre os autores citados e o jornalista.

Estratégia de interpretação:
Destaque palavras-chave como "inspirou", "recreou, em forma de ficção", "opinião", "visão do autor". Busque sempre o propósito comunicativo do texto: neste caso, valorizar o olhar artístico e subjetivo sobre pontos reais da cidade.

Dica para futuras provas:
Atenção à diferença entre roteiro objetivo (turístico) e roteiro subjetivo/literário; busque indícios claros no texto sobre o propósito do autor.

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Comentários

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GABARITO: LETRA E

? Segundo o próprio título do texto:  Um roteiro literário por Belo Horizonte Com desenho urbano moderno, a capital de Minas Gerais inspirou muitas obras da literatura. Aqui, roteiros que conduzem a lugares eleitos por prosadores

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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

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