Qual figura de linguagem se manifestaria no trecho “Minha q...

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TEXTO PARA A QUESTÃO.


Pelo fim do "ismo" e "fobia"


A estratégia pode ser mais simples do que parece: basta olhar para o lado e ver como são muitos os exemplos de famosos e anônimos brilhantes


Renata Giraldi | 05/03/2024



    Aos 54, eu me sinto muito bem (embora saiba que não tenho mais 30, quando estava no auge) e descobri que meus amigos da mesma faixa etária têm a mesma sensação. Porém, parece que o mundo dos jovens vê tudo de outra forma. Há uma insistência em nos rotular com o infeliz sufixo do "ismo": idadismo, etarismo, ageísmo e, de quebra, a velhafobia. Uma patrulha sem fim. Não escapam nem as nossas maiores referências.


    A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a necessidade de combater o preconceito por idade, que afeta imensamente a qualidade de vida de quem segue produzindo, planejando e sonhando, como eu e tantos outros. Como fazer isso? A estratégia pode ser mais simples do que parece: basta olhar para o lado e ver como são muitos os exemplos de famosos e anônimos brilhantes.


    Minha mãe tem 81. Em plena pandemia da covid-19, disse que queria ter 30 para estar na linha de frente e cuidar dos pacientes. Aos 91, tia Maria Raimunda, que recém se despediu da vida, estava sempre com uma viagem engatilhada e uma festa em vista. Ou seja: vivendo intensamente.


    Ney Matogrosso, aos 81, comentou que sabe que o corpo dele está mais velho — embora ninguém note —, mas a mente segue jovem. Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil — que, por sinal, está em mais uma turnê pela Austrália —, todos octogenários, idem. Sem mencionar Fernanda Montenegro, aos 94, lúcida, sempre brilhante.


    Por que o mundo dos jovens se recusa a aceitar essa nova realidade? Resolvi aos 50 fazer a terceira graduação da minha vida. Sou mais velha do que a maior parte dos meus professores. Qual o problema? Estou pronta para aprender com eles. O que faz a minha presença e a dos meus colegas, também cinquentões, incomodar tanto os recém-saídos do ensino médio?


    Sinceramente, não sei responder. Minha querida Cora Coralina, a poetisa da simplicidade, publicou o primeiro livro aos 75 anos, e só foi reconhecida depois dos 90, quando o grande Carlos Drummond de Andrade leu os poemas dela e a revelou para o mundo. A Universidade de Brasília (UnB), mais uma vez na vanguarda, lançou um vestibular para os mais vividos — acima dos 60. Incrível. Que maravilha! Um viva aos inovadores e aos que ousam. Quero, daqui a 50 anos, seguir com sonhos e planos.



GIRALDI, Renata. Pelo fim do "ismo" e "fobia". Correio Braziliense, 05 de março de 2024. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/03/6813214-artigo-pelofim-do-ismo-e-fobia.html. Acesso em: 06 mar. 2024. Adaptado.  

Qual figura de linguagem se manifestaria no trecho “Minha querida Cora Coralina, a poetisa da simplicidade, publicou o primeiro livro aos 75 anos [...]”, caso a expressão “Minha querida Cora Coralina” fosse substituída por “A poetisa da simplicidade”? 
Alternativas

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Tema central da questão: Figuras de linguagem, com foco em antonomásia. Saber identificar esse recurso é fundamental em provas objetivas de interpretação textual, especialmente para cargos jurídicos, onde a precisão linguística é essencial.

Justificativa da alternativa correta (C – Antonomásia):
A alternativa correta é a antonomásia, que consiste em substituir o nome próprio de uma pessoa por uma expressão ou atributo que a caracteriza de maneira única.
No trecho analisado, ao substituir "Minha querida Cora Coralina" por "A poetisa da simplicidade", ocorre exatamente essa figura de linguagem. A expressão substitui o nome da escritora por um atributo que sintetiza sua obra e personalidade, reforçando uma qualidade distintiva.
Como destacam Bechara e a gramática de Cunha & Cintra: "antonomásia é a designação de um ser, não com o nome próprio, mas por um atributo notório ou função característica".

Análise das alternativas incorretas:

A) Catacrese: Catacrese é o uso metafórico forçado de termos por falta de palavra específica (braço da cadeira, dente de alho). Não envolve substituição de nomes por qualidades.

B) Ironia: Ironia consiste em afirmar algo dizendo o oposto do que realmente se pensa, geralmente de modo sarcástico. Não há contraposição ou duplo sentido no exemplo apresentado.

D) Eufemismo: Eufemismo suaviza expressões negativas (foi para melhor em vez de morreu). Não há amenização no contexto dado.

Estratégias de prova e atenção:
Sempre observe qual termo está sendo substituído e por que tipo de expressão. Palavras que resumem características marcantes de pessoas, lugares ou entidades, ocupando o lugar de seus nomes próprios, geralmente indicam antonomásia.
Evite confundir antonomásia com eufemismo ou catacrese, pois o que importa é a relação de identidade entre o nome e o atributo reconhecido coletivamente.

Resumo: Antonomásia = Substituição de nome próprio por expressão de atributo marcante (O Rei do Futebol por Pelé).

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Comentários

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Antonomásia é uma figura de linguagem que substitui o nome de alguém por uma característica marcante. É considerada um tipo de perífrase e também pode ser vista como metonímia, pois há relação entre os termos.

Jeremias 1:5. Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. 

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