A remessa necessária é considerada prerrogativa processual d...

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Q2003862 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
A remessa necessária é considerada prerrogativa processual da Fazenda Pública. O Código de Processo Civil atual promoveu restrições em seu cabimento, visando conferir maior celeridade aos processos nos quais a Fazenda é parte.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Tema central: A questão explora o cabimento da remessa necessária, dispositivo processual relevante diante de sentenças contrárias à Fazenda Pública e suas limitações fixadas pelo CPC/2015.

Legislação Aplicável: O art. 496 do CPC dispõe expressamente sobre os parâmetros da remessa necessária:

“Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição... quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: I – 1.000 salários-mínimos para a União...”

Súmula e Jurisprudência: O STJ já consolidou que sentenças ilíquidas não podem ser dispensadas do reexame necessário, pois não é possível aferir se os limites do art. 496 foram atingidos (REsp 1735097/RS).

Exemplo Prático: Imagine que um Município é condenado, mas a sentença não fixa valor (“ilíquida”). Como não se sabe se o montante superou 100 salários-mínimos, a decisão deve ser submetida ao Tribunal via remessa necessária.

Alternativa Correta – B: Justificativa: Fiel ao art. 496 do CPC e à orientação jurisprudencial, sentenças ilíquidas, pela incerteza do montante, exigem reexame obrigatório.

Análise das Alternativas Incorretas:

A: Incorreta – O CPC não atribui natureza recursal à remessa necessária, mas de condição de eficácia; inexiste iniciativa da parte e não há devolução por meio de recurso.

C: Incorreta – O Tribunal, em sede de remessa necessária, não pode agravar a condenação. O reexame beneficia a Fazenda Pública, não admitindo reforma para pior nesse contexto.

D: Incorreta – O efeito devolutivo não é tão amplo; a Fazenda pode apelar para ampliar discussão, especialmente se houver matéria não analisada ou necessidade de prequestionamento.

E: Incorreta – O art. 496, §4º, III, CPC/2015 dispensa o reexame quando a decisão judicial está em conformidade com orientação vinculante da administração ou dos tribunais superiores.

Pegadinha: Atenção ao uso do termo “sentenças ilíquidas”, pois é comum a banca tentar confundir em relação ao valor da causa.

Conclusão: Valorize o conhecimento do texto literal da lei e o entendimento jurisprudencial na hora de marcar sua alternativa. Pratique com hipóteses em que o valor da condenação não esteja claro.

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GABARITO B

A) O Código de Processo Civil atribui expressamente a natureza jurídica de recurso à remessa necessária, a despeito de o reexame não possuir algumas características típicas aos recursos.

  • A remessa necessária não está inserida no rol do artigo 994 do CPC. Assim, não foi considerada como recurso pela lei.

C) A remessa necessária não impede o agravamento, pelo Tribunal, da condenação imposta à Fazenda Pública, eis que a função do reexame é de aprimorar a prestação jurisdicional, independente da parte processual beneficiada.

  • Súmula 45 do STJ: “No reexame necessário, é defeso, ao Tribunal, agravar a condenação imposta à Fazenda Pública”.

D) O efeito devolutivo da remessa necessária é amplo. Via de consequência, inexiste interesse recursal da Fazenda Pública para apelar em face de sentença que estará sujeita ao reexame necessário, pois toda a matéria controvertida será submetida à apreciação do Tribunal.

  • Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:
  • § 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á.

E) A existência de orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do ente público e que seja coincidente com o fundamento da sentença não é suficiente para afastar a aplicação do reexame necessário, ante a autonomia de instâncias decisórias.

  • § 4º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em:
  • IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.

Sobre a letra B:

"PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SENTENÇA ILÍQUIDA. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. REMESSA NECESSÁRIA. OBRIGATORIEDADE. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NO JULGAMENTO DO RESP 1.101.727/PR, SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543-C DO CPC/1973.

1. A Corte Especial, no julgamento do REsp 1.101.727/PR, proferido sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, firmou o entendimento de que é obrigatório o reexame da sentença ilíquida proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e as respectivas autarquias e fundações de direito público (art. 475, § 2º, CPC/73).

2. Na esteira da aludida compreensão foi editada a Súmula 490 do STJ: "A dispensa de reexame necessário, quando o valor da condenação ou do direito controvertido for inferior a sessenta salários mínimos, não se aplica a sentenças ilíquidas".

3. A dispensa do exame obrigatório pressupõe a certeza de que a condenação não será superior ao limite legal estabelecido, seja no art. 475 do CPC/1973, seja no artigo 496 do CPC/2015.

4. Verifica-se, assim, que o acórdão do Tribunal regional divergiu da orientação do STJ quanto ao cabimento do reexame necessário, pois considerou, por estimativa, que o valor da condenação não excederia 1.000 (mil) salários mínimos.

5. Recurso Especial provido."

(REsp 1741538/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/06/2018, DJe 23/11/2018)

GAB B

Interessante lembrar:

Súmula 490, STJ: A dispensa de reexame necessário, quando o valor da condenação ou do direito controvertido for inferior a sessenta salários mínimos, não se aplica a sentenças ilíquidas.

Tema Repetitivo 1081, STJ (em andamento): Definir se a demanda previdenciária cujo valor da condenação seja aferível por simples cálculos aritméticos deve ser dispensada da remessa necessária, quando for possível estimar que será inferior ao montante previsto no artigo 496, § 3º, inc. I do Código de Processo Civil.

Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:

I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público;

II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal.

§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á.

§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal julgará a remessa necessária.

§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a:

I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e fundações de direito público;

II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados;

III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público.

§ 4º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em:

I - súmula de tribunal superior;

II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;

III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência;

IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.

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