A proteína C-reativa de alta sensibilidade pode ser utilizad...
sedentário e hipertenso, foi ao ambulatório para consulta de rotina.
Na consulta, não apresentou cardiopatia estrutural e relatou o uso
de clortalidona, 25mg ao dia. Ao exame físico, referiu índice de
massa corporal (IMC) = 36 kg/m2, pressão arterial (PA) de
158 mmHg × 96 mmHg (média de três medidas consecutivas),
frequência cardíaca (FC) de 84 bpm e circunferência abdominal de
116 cm. Apresentou o resultado de exames realizados recentemente
com os seguintes resultados: triglicerídios de 303 mg/dL, colesterol
total de 285 mg/dL, HDL colesterol de 30 mg/dL, LDL colesterol
de 195 mg/dL e glicemia de jejum de 142 mg/dL. Apresentou,
ainda, resultado de exames realizados havia 6 meses, relativos à
glicemia de jejum, com valor de 139 mg/dL. Realizou
eletrocardiograma e outros exames laboratoriais de rotina, que
referiram resultados normais.
Considerando o caso clínico apresentado acima, julgue os itens
de 5 a 10.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: E) errado
Tema central: Estratificação de risco cardiovascular e o papel da proteína C-reativa de alta sensibilidade (PCR-as) na prática clínica.
Na Medicina, a PCR-as é reconhecida como um marcador inflamatório associado ao aumento do risco cardiovascular, pois níveis elevados indicam maior propensão a eventos aterotrombóticos. Porém, o seu valor na estratificação formal do risco cardiovascular — ou seja, para reclassificar automaticamente o paciente em categorias de risco mais elevadas — não é consenso nas principais diretrizes.
Justificativa detalhada:
Segundo a III Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias (SBC, 2017):
"A proteína C reativa de alta sensibilidade (PCR-as) poderá ser determinada no auxílio da estratificação do risco de aterosclerose clínica. [...] Nesses indivíduos deve ser considerada mudança agressiva do estilo de vida e controle dos fatores de risco presentes." (p. 34)
Portanto, a PCR-as contribui como marcador adicional, mas não determina isoladamente a mudança de categoria de risco. Seu principal papel é reforçar a necessidade de manejo intensivo dos fatores já conhecidos, não alterar o escore oficial de risco que baseia condutas, metas lipídicas ou terapêutica farmacológica.
Análise crítica das alternativas:
Errado (Gabarito): A assertiva peca ao afirmar que, somente pelo aumento da PCR-as, João deve obrigatoriamente ser recategorizado em risco maior, justificando controle mais rigoroso. As diretrizes não estabelecem essa conduta automática — o correto é considerar a PCR-as no conjunto de fatores, sem prescindir dos sistemas clássicos de estratificação (como Framingham), que levam em conta PA, lipidograma, diabetes, idade, tabagismo, etc.
Certo: Estaria correto apenas se sugerisse que a PCR-as auxilia como marcador adicional, e que indivíduos com alta PCR-as devem ter manejo intensificado, mas não que isso altera formalmente a categoria de risco — ponto onde a alternativa falha.
Dicas para provas: Atenção a expressões absolutas (ex: “deve ser estratificado”) e ao uso da PCR-as como instrumento acessório, não decisivo. Questões de concurso costumam explorar se o candidato distingue auxílio diagnóstico de critério mandatório.
Resumo: A PCR-as é útil, porém não substitui sistemas tradicionais de estratificação de risco cardiovascular. Serve como alerta para abordagem mais rigorosa, mas não justifica sozinha recategorização formal do paciente.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo