Mulher de 68 anos, portadora de fibrose pulmonar, em uso de ...

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Q3884399 Medicina
Mulher de 68 anos, portadora de fibrose pulmonar, em uso de oxigenioterapia domiciliar prolongado(ODP) (2 L/min) por 18h/dia, é encontrada com sonolência excessiva e confusão mental após afilha ter aumentado o fluxo para 6 L/min durante episódios de fadiga. Exames mostram: PaO2 = 92 mmHg, PaCO2 = 66 mmHg, pH = 7,28.
O mecanismo fisiopatológico mais provável para a piora clínica é o seguinte: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso mostra aumento do fluxo de O2 seguido de sonolência/confusão, com PaCO2 de 66 mmHg e pH de 7,28, caracterizando retenção de CO2 com acidose respiratória; na formulação clássica cobrada em prova, isso é atribuído à redução do estímulo ventilatório hipóxico, o que torna a alternativa B a correta.

Tema central: Hipercapnia induzida por oxigênio
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque toxicidade pulmonar por oxigênio se relaciona a exposição sustentada a frações inspiradas elevadas de O2 e não explica, como mecanismo mais provável, instalação aguda de sonolência com PaCO2 de 66 mmHg e pH de 7,28 após aumento de fluxo por cateter nasal. O padrão objetivo do caso é hipoventilação hipercápnica, não lesão pulmonar tóxica por hiperóxia.
B
Certa
A alternativa B é a única que conecta diretamente a sequência clínica e gasométrica do caso: aumento excessivo da oferta de oxigênio, seguido de sonolência/confusão, com PaCO2 elevada e acidemia. Esse conjunto define encefalopatia hipercápnica com acidose respiratória por retenção de CO2. Na formulação clássica cobrada em prova, isso é explicado por redução do drive ventilatório hipóxico, levando a hipoventilação e piora da hipercapnia. Embora outros mecanismos fisiopatológicos também possam contribuir na prática, isso não altera que B é a opção compatível com o quadro proposto.
C
Errada
Está errada porque atelectasia por absorção pode ocorrer com altas FiO2, mas esse mecanismo não explica de forma principal o achado dominante do caso, que é retenção de CO2 com acidose respiratória e rebaixamento do sensório. O enunciado não descreve piora predominantemente hipoxêmica nem contexto que torne colapso alveolar por alta concentração de O2 a explicação mais provável.
D
Errada
Está errada porque aumento do fluxo de O2 por cateter nasal não gera, por si, aumento relevante do trabalho respiratório capaz de justificar sonolência, confusão, PaCO2 elevada e acidose respiratória. Falta nexo fisiológico plausível entre excesso de fluxo nasal isoladamente e retenção aguda de CO2 como evento principal.
E
Errada
Está errada porque redução de perfusão cerebral por hiperóxia não explica adequadamente a alteração gasométrica objetiva do caso. O distúrbio mensurado é respiratório, com hipercapnia importante e acidemia, e isso explica melhor a confusão mental do que um mecanismo hemodinâmico cerebral primário.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar a atenção para efeitos gerais da hiperóxia, mas o critério decisivo está na gasometria: PaCO2 alta com pH baixo após aumento do O2 define piora por hipercapnia, não por toxicidade pulmonar, atelectasia por absorção ou efeito cerebral direto da hiperóxia.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver sonolência ou confusão após aumento de oxigênio, procure primeiro o padrão gasométrico: PaCO2 elevada com pH baixo aponta para acidose respiratória por retenção de CO2.
  • Diferencie hipercapnia de toxicidade por oxigênio pelo tempo e pelo tipo de alteração: hipercapnia dá rebaixamento do sensório e acidose respiratória; toxicidade pulmonar não é explicada por esse padrão agudo.
  • Se a questão pedir o mecanismo clássico de prova após excesso de O2 em paciente susceptível, a resposta esperada é redução do estímulo ventilatório hipóxico com hipoventilação.
  • Não deixe a PaO2 aparentemente adequada desviar o raciocínio: nesta situação, o problema central não é oxigenação insuficiente, e sim retenção de CO2.

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