M. é uma mulher trans e foi agredida por seu companheiro, R....

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Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2026 - TJ-SC - Psicólogo |
Q4153929 Psicologia
M. é uma mulher trans e foi agredida por seu companheiro, R., que lhe desferiu golpes de faca, razão pela qual ela acabou saindo da residência em que ambos moravam.

Diante dessa situação, à luz das normas de proteção às mulheres em situação de violência e da atuação profissional da Psicologia na rede de proteção, analise as assertivas a seguir.

I. Na atuação em rede de proteção, o psicólogo poderá contribuir para a requisição de medidas protetivas de urgência, inclusive o afastamento de R. do lar e a proibição de aproximação de M.

II. Para M. não caberá encaminhamento a abrigo para mulheres, sendo vedada essa medida em razão de sua condição trans, não se inserindo a Psicologia na articulação desse tipo de acolhimento.

III. No acompanhamento psicossocial, o psicólogo pode atuar na articulação da rede de proteção, incluindo o monitoramento eletrônico do agressor, com tornozeleira de delimitação de perímetro e sistema de alerta à vítima em caso de aproximação, como medida de proteção e prevenção.

Está correto o que se afirma em 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo foi a incidência da Lei Maria da Penha também à mulher trans, o que afasta a vedação da assertiva II e torna compatíveis as assertivas I e III com as medidas de proteção previstas em lei.

Tema central: Lei Maria da Penha
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque considera correta apenas a I e exclui a III. Essa exclusão contraria o art. 22, § 5º, da Lei nº 11.340/2006, que admite a monitoração eletrônica do agressor com sistema de alerta à vítima.
B
Errada
Está errada porque toma a II como única correta, mas a II é falsa. A condição de mulher trans não afasta a incidência da Lei Maria da Penha nem autoriza vedação genérica de encaminhamento a abrigo para mulheres; além disso, a articulação de acolhimento integra a lógica da rede de proteção.
C
Errada
Está errada porque mantém a II no conjunto das corretas. O erro específico da II é afirmar uma vedação sem amparo normativo: não há exclusão da mulher trans da proteção e do acolhimento por sua condição trans.
D
Certa
A alternativa D está certa porque as assertivas I e III têm suporte normativo. A I é compatível com a atuação do psicólogo na rede de proteção, em articulação para as medidas protetivas de urgência previstas no art. 22, II e III, da Lei nº 11.340/2006, como afastamento do agressor do lar e proibição de aproximação. A III também encontra amparo no art. 22, § 5º, que prevê a monitoração eletrônica do agressor com dispositivo de alerta à vítima. Já a II é falsa, porque o STJ reconhece a incidência da Lei Maria da Penha à mulher trans, de modo que não há vedação genérica de abrigo nem exclusão da Psicologia na articulação desse acolhimento por causa da condição trans.
E
Errada
Está errada porque inclui a II, que é a assertiva falsa. I e III têm suporte na Lei Maria da Penha, mas a II contraria o entendimento de incidência da proteção legal à mulher trans e a própria lógica de rede de acolhimento.
Pegadinha da questão
A confusão real era dupla: ler a atuação do psicólogo na rede como se ele próprio deferisse a medida protetiva e presumir, sem base normativa, que mulher trans estaria fora da proteção da Lei Maria da Penha ou do acesso ao abrigo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a assertiva falar em atuação do psicólogo na rede, verifique se ela descreve contribuição para requisição, encaminhamento ou articulação, e não competência decisória autônoma.
  • Em violência doméstica contra mulher trans, não parta de exclusão da Lei Maria da Penha por sexo biológico; a base decisiva é a incidência reconhecida pelo STJ.
  • Se a medida mencionada for afastamento do lar, proibição de aproximação ou monitoração eletrônica com alerta à vítima, confronte com o art. 22 da Lei Maria da Penha.

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Comentários

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Psicólogo fazendo monitoramento de tornozeleira?

QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO.

A assertiva III "No acompanhamento psicossocial, o psicólogo pode atuar na articulação da rede de proteção, INCLUINDO o monitoramento eletrônico do agressor, com tornozeleira de delimitação de perímetro e sistema de alerta à vítima em caso de aproximação, como medida de proteção e prevenção." - (???)

O psicólogo NÃO faz o monitoramento técnico ou rastreamento geográfico da tornozeleira eletrônica, pois essa é uma função exclusiva dos agentes de segurança das Centrais de Monitoração Eletrônica - CME.

O trabalho do psicólogo é na articulação em rede. Ele atua de forma interdisciplinar na rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar. Subsidia tecnicamente decisões, emite relatórios e realiza o acolhimento psicossocial da vítima e/ou o acompanhamento reflexivo do agressor (CFP).

Gabarito: A

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