A institucionalização prolongada de crianças em tenra idade ...

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Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2026 - TJ-SC - Psicólogo |
Q4153898 Psicologia
A institucionalização prolongada de crianças em tenra idade traz repercussões emocionais que impactam o desenvolvimento global ao longo da vida. O psicanalista René Spitz descreveu um quadro caracterizado por graves alterações físicas e psíquicas em bebês, decorrentes da privação afetiva total, podendo levar à morte da criança.

A esse quadro extremo, Spitz deu o nome de 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A distinção entre depressão anaclítica e hospitalismo em Spitz decide a questão: o enunciado descreve o quadro extremo de privação afetiva prolongada em bebês institucionalizados, o que corresponde à alternativa A.

Tema central: Hospitalismo em Spitz
Análise das alternativas
A
Certa
Hospitalismo é a nomenclatura usada por René Spitz para o quadro extremo decorrente de privação afetiva total e prolongada em bebês institucionalizados.
B
Errada
Depressão anaclítica, em Spitz, não coincide com o quadro extremo pedido. Ela se refere ao sofrimento ligado à separação ou perda materna, sendo distinta do hospitalismo em gravidade e configuração; por isso não atende à descrição de privação afetiva total com risco de morte.
C
Errada
Transtorno de desapego não é a denominação clássica de Spitz para esse quadro específico. O erro está na incompatibilidade de autoria e de nomenclatura com o conceito cobrado.
D
Errada
Posição maníaco-depressiva não designa, em Spitz, quadro de privação afetiva institucional em bebês. A alternativa erra por trazer um termo conceitualmente estranho ao autor e ao objeto mencionados no enunciado.
E
Errada
Síndrome de privação materna pode soar compatível com o tema, mas não é a nomenclatura técnica precisa exigida na obra de Spitz para o quadro extremo descrito. A questão cobrava o nome exato, e esse nome é hospitalismo.
Pegadinha da questão
A confusão real era entre hospitalismo e depressão anaclítica, porque ambos se relacionam à privação afetiva na primeira infância; o enunciado, porém, trouxe marcadores de gravidade extrema que apontam para hospitalismo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão mencionar Spitz, confirme se está cobrando a nomenclatura exata do autor, não um termo genérico semanticamente próximo.
  • Se aparecerem privação afetiva total, institucionalização prolongada, alterações físicas e psíquicas graves e possibilidade de morte, o quadro apontado é hospitalismo.
  • Se a alternativa rival for depressão anaclítica, diferencie pelo grau e pela configuração: ela não corresponde automaticamente ao quadro extremo de deterioração global.

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Comentários

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Quando o rompimento do vínculo afetivo é duradouro e total, sucede uma privação emocional a que Spitz deu o nome de hospitalismo. Quando a ruptura da relação afetiva é parcial e passageira, acontece a depressão anaclítica, uma ausência de estimulação afetiva que é reversível, ou seja, que cessa no momento do reencontro entre a figura materna e a criança.

ChatGPT/Gemini

Gabarito: A) hospitalismo.

René Spitz observou bebês que viviam em instituições (em orfanatos e hospitais) , especialmente aqueles que sofriam privação afetiva e ausência de uma relação estável com a figura materna.

Ele identificou que a falta de cuidados afetivos e de contato emocional poderia produzir consequências progressivas e graves, não apenas psicológicas, mas também físicas.

Dois quadros principais decorrentes da separação e privação do vínculo afeto-materno:

  • Hospitalismo (Privação Total): Ocorre quando o bebê sofre uma privação afetiva total e prolongada (superior a 3-5 meses) do vínculo maternal ou de um cuidador substituto contínuo. As crianças recebiam cuidados físicos básicos (higiene, alimentação), mas nenhuma atenção afeto-emocional. O quadro evolui com um severo retardo no desenvolvimento motor e de linguagem, marasmo, queda da imunidade e, em casos extremos, marasmo irreversível e morte.
  • Depressão Anaclítica (Privação Parcial): Ocorre quando o bebê, após ter estabelecido uma boa relação de apego nos primeiros meses de vida (geralmente entre o 6º e o 18º mês), é privado temporariamente do contato com a mãe. Se a mãe retorna antes de um período crítico (aproximadamente 3 a 5 meses), os sintomas (choro, apatia, perda de peso) tendem a regredir. Se a privação persistir sem um substituto, o quadro pode evoluir para o hospitalismo.

✅ A — Hospitalismo

O hospitalismo é uma síndrome associada à privação afetiva prolongada, especialmente em crianças institucionalizadas.

Pode envolver:

  • atraso no desenvolvimento;
  • apatia e retraimento;
  • perda de interesse pelo ambiente;
  • alterações físicas;
  • prejuízos no desenvolvimento motor e cognitivo;
  • maior vulnerabilidade a doenças;
  • e, em casos extremos, risco de morte.

❌Erro das outras alternativas

B) Depressão anaclítica

Está relacionada à privação/separação materna, mas o quadro descrito na questão é o hospitalismo, mais grave e associado à institucionalização prolongada.

C) Transtorno de desapego

Não é o conceito clássico utilizado por Spitz para esse quadro.

D) Posição maníaco-depressiva

Conceito relacionado à teoria de Melanie Klein, não à descrição de Spitz.

E) Síndrome de privação materna

Embora descreva a situação de maneira geral, não é o nome dado por Spitz ao quadro extremo.

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