A leucoaférese terapêutica é indicada nos casos refratários...

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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Oncologia Pediátrica |
Q1686273 Medicina
Um homem, motorista de 30 anos de idade, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com diátese hemorrágica e cansaço. Aos exames laboratoriais, constatam-se contagem de leucócitos = 50 × 109 /L (VR = 4 a 12 x 109 /L) com 80% de blastos; hemoglobina = 7,0 g/dL (VR = 12 g/dL a 14 g/dL); e contagem de plaquetas = 10 × 109 /L (VR = 140 a 450 x 109 /L). Suspeita-se de leucemia promielocítica aguda (LMA-M3) pela morfologia dos blastos e pelos testes de coagulação, sendo esses últimos com sinais de coagulação intravascular disseminada. O tratamento com ácido all-transretinoico (ATRA) e o suporte de hemoderivados são iniciados imediatamente.


Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir.
A leucoaférese terapêutica é indicada nos casos refratários a corticoterapia durante a síndrome ATRA, principalmente nos pacientes com leucocitose.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O tema da questão é o manejo da síndrome de diferenciação (SD) – complicação potencial do tratamento da Leucemia Promielocítica Aguda (LPA) com ácido all-trans-retinoico (ATRA) – e a indicação (ou não) da leucoaférese terapêutica em casos refratários à corticoterapia.

Justificativa da resposta:
A alternativa está errada porque a leucoaférese não é indicada para o tratamento da síndrome de diferenciação (SD), mesmo nos casos refratários à corticoterapia e com leucocitose. O manejo da SD é centrado na administração precoce de corticosteroides, preferencialmente dexametasona 10 mg IV a cada 12 horas. Conforme diretrizes do Ministério da Saúde: “A administração de corticosteroide deve ser iniciada ao primeiro sinal de síndrome de diferenciação…” e, em casos graves, pode ser necessário suspender o ATRA temporariamente (PCDT LMA, Ministério da Saúde, p. 37-38).

A leucoaférese está indicada em situações muito específicas, como leucostase em leucemias agudas, mas não tem eficácia comprovada na SD/LPA e seu uso não reduz a mortalidade ou melhora desfechos dessa complicação (UpToDate; Harrison’s Principios de Medicina Interna, 21ª Ed.).

Análise das demais alternativas:
A alternativa propõe que a leucoaférese seria empregada quando a corticoterapia falha, mas isso reflete uma compreensão incorreta do manejo da síndrome de diferenciação. O único tratamento respaldado por evidência de benefício consiste em administrar corticosteroide, com interrupção temporária do ATRA caso a SD evolua gravemente; portanto, a opção está incorreta do ponto de vista técnico e prático.

Dicas de interpretação e estratégia:
Cuidado com termos como “principalmente nos pacientes com leucocitose”: na LPA, a leucocitose agrava o risco de SD, mas não muda o protocolo de tratamento da SD em si. Muitos candidatos se confundem por associarem rapidamente leucoaférese à redução de leucócitos em qualquer contexto.

Resumo dos protocolos:
Segundo o PCDT do Ministério da Saúde para LMA, e evidências do UpToDate e Harrison's, o tratamento da SD/LPA consiste em corticoterapia precoce e eventual suspensão do ATRA; a leucoaférese não faz parte dessa conduta.

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A questão trata da leucoaférese terapêutica, que é um procedimento utilizado para reduzir rapidamente o número de leucócitos no sangue, principalmente em pacientes com leucemia. No caso clínico apresentado, o paciente é diagnosticado com leucemia promielocítica aguda (LMA-M3) e iniciado tratamento com ácido all-transretinoico (ATRA). No entanto, a afirmação dada está errada. A leucoaférese terapêutica não é indicada nos casos refratários a corticoterapia durante a síndrome ATRA, principalmente nos pacientes com leucocitose. Na verdade, a leucoaférese é indicada em casos de leucostase, que é uma situação clínica emergencial decorrente de hiperleucocitose, ou seja, uma quantidade excessiva de leucócitos no sangue, que não é o caso apresentado. A corticoterapia é geralmente utilizada para controlar a inflamação e a síndrome de lise tumoral, e não está diretamente relacionada à necessidade de leucoaférese. Portanto, a afirmação é incorreta.

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