O tratamento oncológico deve ser instituído após o controle...

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Ano: 2020 Banca: IADES Órgão: SES-DF Prova: IADES - 2020 - SES-DF - Oncologia Pediátrica |
Q1686245 Medicina
Uma mulher de 56 anos de idade, previamente hígida, procurou atendimento médico em razão de dor torácica esquerda há dois meses. Aos exames laboratoriais, eletroforese de proteínas séricas mostrou imunoglobulina G (IgG) λ paraproteína de 5,22 g/dL (VR = indetectável), com supressão de imunoglobulinas não envolvidas. Sua hemoglobina era de 8,5 g/dL (VR = 12 g/dL a 14 g/dL), com proteinúria de 24 horas normal, função renal e cálcio normais; sua albumina era 3,6 g/dL (VR = 3,5 g/dL a 4,5 g/dL); e a β2-microglobulina era 3 mg/L (VR = 2,3 g/dL a 3,5 g/dL). A pesquisa do esqueleto revelou lesões líticas em arcos costais esquerdos, e a biópsia de medula óssea identificou plasmocitose de 80%, com restrição para cadeia leve λ. O cariótipo foi normal e o FISH foi negativo.


Considerando esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
O tratamento oncológico deve ser instituído após o controle da hipergamaglobulinemia com plasmaférese terapêutica.
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Gabarito: E) Errado

Tema central: O caso aborda o manejo inicial do mieloma múltiplo (MM) e, especificamente, quando implementar a plasmaférese terapêutica antes do tratamento oncológico.

Justificativa para a alternativa correta:

No mieloma múltiplo, o tratamento oncológico não depende da realização prévia de plasmaférese. Segundo as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Mieloma Múltiplo (Ministério da Saúde), a plasmaférese é indicada apenas nos casos em que há síndrome de hiperviscosidade, caracterizada por cefaleia, distúrbios visuais, sangramentos ou confusão mental devido a níveis muito altos de paraproteínas. Na ausência desses sintomas, a plasmaférese não é indicada, como confirma o UpToDate e obras de referência como o Harrison’s Principles of Internal Medicine (20ª ed., capítulo 110).

No caso apresentado, apesar do nível elevado de IgG e da anemia, não há sinais clínicos de hiperviscosidade. Portanto, o manejo correto consiste em iniciar o tratamento antineoplásico imediatamente, sem necessidade de aguardar ou realizar plasmaférese, a menos que os sintomas de hiperviscosidade estejam presentes.

Análise crítica da alternativa incorreta:

A afirmação da questão sugere que o tratamento só deve começar após controle da hipergamaglobulinemia com plasmaférese. Isso é incorreto: tal conduta atrasaria o início do tratamento adequado e não se sustenta nas melhores práticas ou evidências atuais.

Pegadinha/estratégia de prova:
Muitos candidatos confundem os níveis elevados de paraproteína com indicação mandatória de plasmaférese. Preste muita atenção aos sintomas relatados e lembre-se: a indicação é clínica, não apenas laboratorial.

Referência normativa:

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Mieloma Múltiplo destaca (p. 40): “A plasmaférese só está indicada na síndrome de hiperviscosidade.”

Resumo: O tratamento do mieloma múltiplo deve ser iniciado com base nos critérios clínicos e laboratoriais estabelecidos, independentemente da realização de plasmaférese, salvo nos raros casos de síndrome de hiperviscosidade.

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A resposta para essa questão é que o tratamento oncológico NÃO deve necessariamente ser instituído após o controle da hipergamaglobulinemia com plasmaférese terapêutica. A paciente do caso clínico apresenta características de mieloma múltiplo, uma doença oncológica que se caracteriza pela proliferação descontrolada de plasmócitos na medula óssea e produção excessiva de uma imunoglobulina, neste caso, a IgG. Embora a plasmaférese terapêutica possa ser utilizada para reduzir temporariamente os níveis de imunoglobulinas no sangue em alguns casos, ela não trata a causa subjacente do problema - a proliferação descontrolada de plasmócitos. Portanto, o tratamento oncológico, que é destinado a controlar a proliferação das células cancerosas, deve ser considerado independentemente da realização da plasmaférese. A decisão de quando iniciar o tratamento oncológico deve levar em consideração outros fatores, como o estado geral de saúde do paciente, a presença de sintomas e a extensão da doença.

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