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Ano: 2024 Banca: IBADE Órgão: CRMV-ES Prova: IBADE - 2024 - CRMV-ES - Agente Fiscal |
Q2448240 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Os guaranis e a fundação de São Paulo

Tenho ouvido muitas memórias guaranis, especialmente sobre a cidade de São Paulo
Txai Suruí | 15.mar.2024

Que a história foi contada pelo outro lado e que nós sofremos um apagamento histórico vocês já sabem, por isso falo tanto da importância das nossas narrativas e de recontar essa história. E a memória é essencial para todos nós, sociedade indígena e não indígena.
[Ela] é condutora para entendermos o presente e construirmos o futuro que queremos. Por isso sempre atento às histórias que são recontadas pelos mais velhos e por outros povos de Abya Yala. Ultimamente, por causa do meu amado, ando ouvindo muitas memórias guaranis, especialmente de São Paulo.
O Pátio do Colégio é um local emblemático e de grande importância histórica para a cidade de São Paulo e para o Brasil como um todo. Ele marca o local onde os jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fundaram o colégio que viria a ser o ponto inicial da cidade, em 25 de janeiro de 1554.
Originalmente criado como um núcleo de educação religiosa e de CONVERÇÃO/CONVERSÃO dos indígenas ao catolicismo, o Pátio do Colégio desempenhou papel central no processo da colonização portuguesa no Brasil e nas dinâmicas de interações com os povos indígenas, particularmente os guaranis.
Os jesuítas buscavam CATEQUIZAR/CATEQUISAR os guaranis, ensinando-[lhes] a língua portuguesa e a religião católica, e com eles aprendiam habilidades em agricultura e artesanato. Mas essa interação não foi isenta de violência e exploração. Na verdade, houve um complexo panorama de relações, que inclui resistência, ADAPTAÇÃO/ADAPITAÇÃO e, infelizmente, muito abuso.
Os jesuítas [os] organizavam em aldeias, conhecidas como "reduções", onde os guaranis deveriam seguir as regras e os modos de vida europeus. Essa abordagem missionária resultou na perda de aspectos significativos das culturas indígenas, incluindo crenças, línguas e maneiras tradicionais de vida.
Além disso, os europeus trouxeram doenças contra as quais os guaranis não tinham imunidade, provocando drástica redução populacional. Enquanto isso, no âmbito da colonização mais ampla, os guaranis enfrentavam outras formas severas de exploração. Muitos foram mortos e muitos foram capturados nas expedições chamadas "bandeiras", organizadas por colonos de origem portuguesa para escravizá-los. 
É essencial reconhecer que a fundação de São Paulo, representada simbolicamente pelo Pátio do Colégio, marca não apenas o início de uma cidade, mas também uma era de encontros culturais complexos que têm implicações até hoje.
O legado dos guaranis e a violência que eles sofreram e sofrem é uma parte integral da história de São Paulo e do Brasil que precisa estar na memória, para a história, a reparação e a justiça.

Txai Suruí - Coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental - Kanindé e do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia


SURUÍ, Txai. Os guaranis e a fundação de São Paulo. Folha de São Paulo, 15 de março de 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/txaisurui/2024/03/a-historia-e-seus-narradores.shtml. Acesso em: 16 mar. 2024. Adaptado.
Segundo as informações explicitadas nesse artigo, pode-se considerar que o encontro cultural entre os europeus e os povos originários do Brasil NÃO teve um viés.
Alternativas

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Tema central da questão: A questão pertence ao campo da interpretação de texto, com foco na identificação de ideias centrais e inferência de informações implícitas. O termo-chave é "viés", que indica tendência, orientação ou inclinação de sentido em determinado contexto.

Justificativa da alternativa correta – D) pacífico:

Para resolver corretamente, recorra à estratégia de leitura atenta e destaque os elementos centrais do texto:

  • O texto menciona repetidas vezes violência, exploração e abusos sofridos pelos guaranis.
  • Palavras e expressões como "não foi isenta de violência", "muito abuso" e "drástica redução populacional" evidenciam conflitos e sofrimento.

Assim, NÃO há qualquer indício de que o encontro foi pacífico. Conforme a semântica e a norma-padrão, um viés pacífico pressupõe a ausência de conflitos, o que o texto explicitamente nega.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) exploratório: Confirmada pelas referências a exploração, escravização e bandeiras.
  • B) educativo: O colégio fundado para converter indígenas e educá-los evidencia esse viés.
  • C) violento: Amplamente mencionado o caráter violento das interações.
  • E) histórico: O texto trata do passado histórico da fundação de São Paulo e da relação entre guaranis e colonizadores.

Orientação estratégica: Cuidado com questões de negação (“NÃO teve um viés”). Muitos candidatos erram por ignorarem o advérbio de negação. Ler com calma e reler o enunciado evita pegadinhas!

Fundamentação: Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a interpretação exige identificar ideias explícitas e implícitas no texto, sempre atentos ao sentido global e às palavras de negação ou oposição.

Resumo: A alternativa correta é D) pacífico, pois o texto não aponta para um viés pacífico nos encontros entre europeus e guaranis.

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Comentários

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d) pacífico

Sim, não foi tudo um paraíso, mas também não foi tão ruim assim. Não falaram da Cultura,das riquezas, das universidades, bibliotecas, do salto na economia...

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