Analise as afirmações a seguir, relativas a sentidos constr...
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Ano: 2026
Banca:
IGEDUC
Órgão:
Prefeitura de Alagoinha - PB
Prova:
IGEDUC - 2026 - Prefeitura de Alagoinha - PB - Assistente Social |
Q4371348
Português
Texto associado
Garnier
Crônica publicada por Machado de Assis em outubro de 1893, após a
morte do livreiro e editor B. L. Garnier, cuja livraria funcionava na Rua
do Ouvidor, no Rio de Janeiro.
Durante meio século, Garnier não fez outra coisa, senão
estar ali, naquele mesmo lugar, trabalhando. Já enfermo
desde alguns anos, com a morte no peito, descia todos
os dias de Santa Teresa para a loja, de onde regressava
antes de cair a noite.
[...] os cemitérios são tristes, não em si mesmos, ao
contrário. Quando outro dia fui a enterrar o nosso velho
livreiro, vi entrar no de S. João Batista, já acabada a
cerimônia e o trabalho, um bando de crianças que iam
divertir-se. Iam alegres, como quem não pisa memórias
nem saudades.
Vivos há-os ainda, e dos bons, que alguma coisa se
lembrarão daquela casa e do homem que a fez e perfez.
Editar obras jurídicas ou escolares, não é mui difícil; a
necessidade é grande, a procura certa. [...] Quem a vê
agora, fechadas as portas, trancados os mostradores, à
espera da justiça, do inventário e dos herdeiros, há de
sentir que falta alguma coisa à rua.
Pessoalmente, que proveito deram a esse homem as
suas labutações? O gosto do trabalho, um gosto que se
transformou em pena, porque no dia em que devera
libertar-se dele, não pôde mais; o instrumento da riqueza
era também o do castigo. [...] Valha sequer a memória,
ainda que perdida nas páginas dos dicionários
biográficos. Perdure a notícia, ao menos, de alguém que
neste país novo ocupou a vida inteira em criar uma
indústria liberal, ganhar alguns milhares de contos de
réis, para ir afinal dormir em sete palmos de uma
sepultura perpétua. Perpétua!
Vocabulário: perfez: concluiu, completou (do verbo "perfazer"). mui:
muito. labutações: trabalhos árduos. devera: deveria. contos de réis:
unidade de conta da antiga moeda brasileira.
ASSIS, Machado de. Garnier. In: ASSIS, Machado de. Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. 2. Publicado originalmente em
Páginas recolhidas (Rio de Janeiro: Garnier, 1906). Disponível em:
https://machado.mec.gov.br/obra-completa-lista/item/download/44_efbd
a0d80ae2b6fd9a0cab326fad708c. Acesso em: 16 set. 2026.
(Fragmento adaptado: supressões indicadas por [...] e grafia
atualizada conforme o Acordo Ortográfico vigente.)
Analise as afirmações a seguir, relativas a sentidos
construídos no texto.
I.Ao afirmar que quem vê a casa fechada "há de sentir que falta alguma coisa à rua", o cronista sugere que a livraria fazia parte da identidade do lugar, para além de sua função comercial.
II.A observação de que editar obras jurídicas ou escolares "não é mui difícil" funciona como crítica aos editores desse ramo, acusados de explorar a necessidade dos leitores, como indica "a procura certa".
III.O episódio das crianças no cemitério relativiza a tristeza atribuída a esses lugares, pois sugere que ela depende do olhar de quem os percorre, e não dos lugares em si mesmos.
IV.Ao apresentar o gosto do trabalho como algo que "se transformou em pena", o cronista sugere que Garnier se arrependeu da profissão escolhida e desejou abandoná-la ainda na juventude.
É correto o que se afirma em:
I.Ao afirmar que quem vê a casa fechada "há de sentir que falta alguma coisa à rua", o cronista sugere que a livraria fazia parte da identidade do lugar, para além de sua função comercial.
II.A observação de que editar obras jurídicas ou escolares "não é mui difícil" funciona como crítica aos editores desse ramo, acusados de explorar a necessidade dos leitores, como indica "a procura certa".
III.O episódio das crianças no cemitério relativiza a tristeza atribuída a esses lugares, pois sugere que ela depende do olhar de quem os percorre, e não dos lugares em si mesmos.
IV.Ao apresentar o gosto do trabalho como algo que "se transformou em pena", o cronista sugere que Garnier se arrependeu da profissão escolhida e desejou abandoná-la ainda na juventude.
É correto o que se afirma em: