Durante uma internação psiquiátrica involuntária, um pacien...

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Q3770557 Medicina
Durante uma internação psiquiátrica involuntária, um paciente em crise psicótica recusa-se a receber medicação e solicita contato com familiares. O médico responsável avalia que o tratamento é necessário para conter os sintomas e prevenir riscos, mas também reconhece o direito do paciente à dignidade e à informação. Considerando os princípios éticos que regem a atuação médica e a assistência em saúde mental, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na internação psiquiátrica involuntária, a crise psicótica pode reduzir a capacidade decisória, mas não elimina a autonomia como princípio ético nem o dever de informação, de registro da recusa e de justificativa ética e legal para eventual intervenção sem consentimento. Isso torna correta a alternativa que preserva autonomia/consentimento informado e documenta a exceção.

Tema central: Autonomia em saúde mental
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o sigilo profissional não pode ser rompido livremente por juízo subjetivo de benefício. A quebra do sigilo é exceção restrita e depende de autorização, dever legal ou justa causa, não de mera utilidade percebida pelo médico.
B
Certa
A alternativa B está correta porque expressa a ponderação ética exigida nesse cenário: vulnerabilidade psíquica pode limitar a capacidade de consentir, mas não autoriza apagar os direitos do paciente à informação, ao respeito e à consideração de sua autonomia na medida do possível. Se houver necessidade de intervir sem consentimento por risco e incapacidade decisória, isso deve ser clinicamente necessário, proporcional e obrigatoriamente fundamentado e registrado. Esse é exatamente o núcleo ético-legal aplicável à internação psiquiátrica involuntária.
C
Errada
Está errada porque a recusa terapêutica deve ser registrada, assim como a avaliação da capacidade decisória, os riscos e a justificativa para eventual superação da recusa. Além disso, a internação psiquiátrica involuntária não cria consentimento presumido para qualquer conduta. O erro da alternativa é tratar a internação como tutela médica absoluta e dispensar documentação, o que contraria o dever ético-legal de registro em prontuário.
D
Errada
Está errada porque a beneficência não é princípio absoluto que autoriza qualquer decisão sem considerar a autonomia. Mesmo quando há comprometimento da capacidade decisória, a autonomia deve ser respeitada na extensão possível, com análise de necessidade, proporcionalidade e justificativa. A alternativa incorre em paternalismo irrestrito, incompatível com a ponderação bioética exigida.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre internação involuntária e perda total da autonomia, como se isso permitisse consentimento presumido, quebra livre de sigilo ou supremacia absoluta da beneficência.
Dica para questões semelhantes
  • Em saúde mental, incapacidade decisória pode limitar a autonomia, mas não elimina dignidade, informação e necessidade de justificativa para exceções ao consentimento.
  • Se houver intervenção sem consentimento, procure a alternativa que exija necessidade clínica, proporcionalidade e registro em prontuário.
  • Desconfie de opções que tratem sigilo como disponível ao critério pessoal do médico ou que presumam consentimento apenas porque a internação é involuntária.

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