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Q3992758 Enfermagem
Homem, 68 anos, tabagista (40 maços/ano), portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - GOLD 3. Procura a Unidade de Pronto Atendimento com queixa de dispneia progressiva há 48h, aos pequenos esforços, uso de musculatura acessória e batimento de asa de nariz. O exame, apresenta: FR: 28 irpm, SatO₂: 86% em ar ambiente e presença de sibilos difusos em ambos os tórax. Gasometria arterial:

• pH: 7,34
• PaCO₂: 55 mmHg
• HCO₃ : 30 mEq/L
• PaO₂: 58 mmHg

A interpretação clínica do distúrbio gasométrico é:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: pH 7,34 com PaCO2 55 mmHg define acidose respiratória; HCO3- de 30 mEq/L indica compensação metabólica renal, compatível com retenção crônica de CO2. Como o pH ainda está baixo, a compensação é parcial. A PaO2 de 58 mmHg confirma hipoxemia, sustentando a leitura de acidose respiratória crônica parcialmente compensada com hipoxemia na exacerbação de DPOC.

Tema central: Gasometria na DPOC
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o quadro não é de acidose respiratória aguda grave sem compensação. O HCO3- está elevado em 30 mEq/L, mostrando compensação metabólica renal, o que afasta a ausência de mecanismo compensatório. Além disso, o pH está apenas discretamente reduzido, não caracterizando acidemia grave.
B
Errada
Está errada porque alcalose respiratória exigiria queda da PaCO2 por hiperventilação efetiva. Aqui ocorre o oposto: a PaCO2 está aumentada em 55 mmHg e o pH está baixo, configurando acidose respiratória. A taquipneia do exame não significa eliminação adequada de CO2 em DPOC grave.
C
Certa
A alternativa C reúne corretamente os elementos da gasometria e do contexto clínico. A alteração primária é respiratória porque a PaCO2 está elevada, e há acidemia porque o pH está reduzido. O bicarbonato aumentado não combina com quadro agudo puro sem compensação; ele indica adaptação renal à hipercapnia, compatível com componente crônico. Como o pH não voltou ao normal, essa compensação é apenas parcial. Além disso, PaO2 de 58 mmHg e SatO2 de 86% confirmam hipoxemia. Em paciente com DPOC GOLD 3, dispneia progressiva, sibilos difusos e sinais de esforço respiratório, isso é coerente com exacerbação de DPOC sobre retenção crônica de CO2.
D
Errada
Está errada porque acidose metabólica primária teria HCO3- reduzido. Nesta gasometria, o bicarbonato está elevado, e a alteração predominante é a hipercapnia, o que define distúrbio respiratório primário. Portanto, não se trata de acidose metabólica com retenção secundária de CO2.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: olhar apenas o pH e a PaCO2 sem perceber que o HCO3- elevado muda a classificação para padrão crônico parcialmente compensado, e supor que taquipneia significa alcalose respiratória, quando na DPOC grave pode haver retenção de CO2 por ventilação ineficaz.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro defina o distúrbio primário pelo eixo pH-PaCO2: pH baixo com PaCO2 alto aponta para acidose respiratória.
  • Depois olhe o HCO3-: se estiver elevado, há compensação metabólica, o que afasta acidose respiratória aguda pura sem compensação.
  • Se o pH ainda estiver fora da normalidade, a compensação é parcial; pH não normalizado impede chamar de compensação completa.
  • Integre sempre a oxigenação ao raciocínio: PaO2 baixa e SatO2 reduzida confirmam hipoxemia associada ao distúrbio ventilatório.

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