Os nomes em português e outras línguas europeias
remetem, em última instância, ao protoindo-europeu
(PIE), língua pré-histórica falada há mais de 3 mil
anos que deu origem ao latim, grego, sânscrito e às
línguas germânicas. “Leste” deriva da palavra em PIE
para “alvorada”, pois a direção em que o Sol nasce é
um dado astronômico óbvio para qualquer civilização
– e essa foi a origem da ideia. “Oeste”, claro, se refere à
direção oposta – e, portanto, ao período do dia oposto.
O termo tem a mesma raiz da palavra “vespertino”
(a conexão fica óbvia em inglês: west). Em PIE, *wes- era
“noite” ou “poente”. “Norte” provavelmente vem do PIE
*ner-, que significava “esquerda”, porque é a direção que
fica à nossa esquerda quando olhamos o Sol nascente.
Por sua vez, “Sul” deriva da mesma raiz da palavra “Sol”
– porque, no Hemisfério Norte, o Sol do meio-dia se
posiciona no céu mais caído para o Sul que para o Norte
(ideia reforçada pelo fato de que outra palavra para Sul
é “meridional”, que tem origem latina e também se refere
ao meio-dia). Em línguas distantes das indo-europeias,
lógicas parecidas se aplicaram à nomeação dos pontos
cardeais: usar o sol para se localizar foi um método
inventado de maneira independente por muitos povos.
O texto de Bruno Valano foi publicado na revista
Superinteressante, na seção Oráculo, que a revista
caracteriza como “Ser supremo detentor de toda a
sabedoria”. A leitura do texto permite afirmar que ele se caracteriza
como do tipo