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Q3017007 Português
O ANALISTA DE BAGÉ

O analista de Bagé era um sujeito muito sério. Levava a vida a sério, o trabalho a sério, e até mesmo os prazeres a sério. Ele nunca ria, nunca chorava, nunca se exaltava. Era sempre o mesmo, calmo e impassível, como um monumento de pedra. 

Um dia, o analista de Bagé estava em seu consultório, atendendo um paciente, quando ouviu um barulho estrondoso do lado de fora. Era um circo que estava se armando na praça em frente ao seu prédio. O analista de Bagé ficou furioso. Ele não suportava barulho. Mandou sua secretária cancelar a consulta e foi até a janela para reclamar com o pessoal do circo.

"Vocês não podem fazer isso aqui!", ele gritou. "Isso é um absurdo! Vocês estão perturbando a paz do meu consultório!"

Os homens do circo olharam para ele com cara de espanto. "Mas, senhor", disse um deles, "estamos aqui só para fazer nosso trabalho. Não estamos incomodando ninguém."

"Claro que estão incomodando!", o analista de Bagé retrucou. "Vocês estão fazendo um barulho infernal! Eu não consigo trabalhar com esse barulho!"

Os homens do circo se entreolharam, sem saber o que dizer. Finalmente, um deles disse: "Olha, senhor, a gente não pode fazer nada. A gente já está aqui, e já montamos as tendas. Se o senhor não gosta do barulho, o senhor pode ir embora."

O analista de Bagé ficou lívido de raiva. Ele não podia acreditar que aqueles homens estavam o desafiando. "Está bem", ele disse. "Eu vou embora. Mas vocês vão se arrepender disso!"

O analista de Bagé saiu do consultório e foi para casa. Ele estava furioso, e não conseguia se concentrar em nada. Ele passou o resto do dia pensando em como se vingar dos homens do circo.

No dia seguinte, o analista de Bagé foi até a praça e comprou um ingresso para o circo. Ele queria ver com os próprios olhos o que era aquilo que tanto o incomodava para construir uma forma de vingança. Quando entrou no circo, o analista de Bagé ficou surpreso. Ele nunca tinha visto nada parecido. Havia palhaços, acrobatas, domadores de leões, tudo muito colorido e animado. O analista de Bagé começou a se divertir. Ele se esqueceu da raiva e começou a rir das palhaçadas, a se admirar com a habilidade dos acrobatas e a se emocionar com os domadores de leões.

No final do espetáculo, o analista de Bagé saiu do circo aplaudindo. Ele tinha se divertido muito, e tinha aprendido uma lição importante: às vezes, é preciso sair da rotina e se divertir um pouco.

Moral da história:

A vida é muito curta para ser levada a sério o tempo todo.

É preciso saber relaxar e se divertir de vez em quando.

ANTERO, Augusto Soares. Histórias apócrifas. São Paulo: Editora do

Autor, 1989.
Como o analista de Bagé se sente ao final do espetáculo no circo?
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de Texto. Esta questão avalia se o candidato compreende o sentido global do texto e consegue identificar a emoção sentida pelo personagem ao final da narrativa, elemento fundamental em provas de concurso.

Justificativa da alternativa correta (D):

O texto descreve o analista de Bagé como alguém inicialmente resistente à diversão e fora de sua zona de conforto, mas, após assistir ao espetáculo do circo, ele “saiu do circo aplaudindo. Ele tinha se divertido muito”. Isso indica encantamento e emoção com as apresentações, além de pontuar que aprendeu uma lição importante sobre aproveitar a vida. Segundo autores como Koch & Travaglia, interpretar exige perceber emoções implícitas e explícitas no texto. Aqui, as palavras-chave são “divertido muito” e “aplaudindo”, que comprovam o sentimento positivo do personagem.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Aliviado por ter escapado de uma situação desconfortável” — Incorreto. O texto não indica desconforto no final, mas diversão e aprendizado.

B) “Impaciente para voltar ao trabalho” — Errado. Ele estava tão envolvido que esqueceu da rotina, não houve menção de impaciência.

C) “Frustrado por ter perdido tempo” — Incabível. O texto afirma que ele “aprendeu uma lição importante”; logo, houve valorização, não frustração.

Estratégia para futuras questões: Procure sempre no texto as palavras ou frases que explicitam o estado emocional do personagem, atentando-se para o final do enredo. Cuidado com pegadinhas que sugerem sentimentos negativos quando o texto indica claramente uma mudança positiva de perspectiva.

Regra importante: A interpretação correta deve ser sustentada por elementos objetivos do texto, e não suposições. Gramáticas renomadas, como a de Rocha Lima, reforçam que a resposta deve sempre se ancorar nos fatos narrados ou descritos pelo autor.

Conclusão: A alternativa D é a correta, pois traduz, com base no texto, o sentimento de encantamento e emoção vivenciado pelo personagem.

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