Analise as assertivas abaixo sobre o texto. I. O trecho “o c...

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Q519044 Português

      A tentativa de implantação da cultura europeia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra. Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem.

      Assim, antes de perguntar até que ponto poderá alcançar bom êxito a tentativa, caberia averiguar até onde temos podido representar aquelas formas de convívio, instituições e ideias de que somos herdeiros.

      É relevante, em primeiro lugar, a circunstância de termos recebido a herança através de uma nação ibérica. A Espanha e Portugal são, com a Rússia e os países balcânicos (e em certo sentido também a Inglaterra), um dos territórios-ponte pelos quais a Europa se comunica com os outros mundos. Assim, eles constituem uma zona fronteiriça, de transição, menos carregada, em alguns casos, desse europeísmo que, não obstante, mantêm como um patrimônio necessário.

      Foi a partir da época dos grandes descobrimentos marítimos que os dois países entraram mais decididamente no coro europeu. Esse ingresso tardio deveria repercutir intensamente em seus destinos, determinando muitos aspectos peculiares de sua história e de sua formação espiritual. Surgiu, assim, um tipo de sociedade que se desenvolveria, em alguns sentidos, quase à margem das congêneres europeias, e sem delas receber qualquer incitamento que já não trouxesse em germe.

                                                                                   HOLANDA, S.B. de. Raízes do Brasil. Texto com adaptação.

                                                                                                           12ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978.

Analise as assertivas abaixo sobre o texto.


I. O trecho “o certo é que [...] outra paisagem.”, no final do primeiro parágrafo, constitui uma reafirmação da ideia de que somos “uns desterrados em nossa terra”.

II. Está de acordo com as ideias do quarto parágrafo do texto a seguinte paráfrase: “A carga mais flexível de europeísmo de Portugal e Espanha – em que pese o fato de conservarem uma necessária parte de tal carga – coloca-os como território responsável pela comunicação do continente europeu com outros mundos”.

III. Apreende-se do último período do texto a ideia de que não houve efetiva influência das demais sociedades europeias no desenvolvimento da sociedade ibérica surgida com a extemporânea entrada de Portugal e Espanha no “coro europeu”.


É correto o que se afirma em

Alternativas

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Gabarito: D) I e III, apenas.

Tema central: Interpretação de texto, com ênfase nos mecanismos de coesão textual e compreensão de ideias principais, inferências e paráfrases.

Comentários e explicações assertiva por assertiva:

I. Correta.
O trecho “o certo é que [...] outra paisagem.” reforça e retoma a ideia de “somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”. Pela coesão textual, há uma reafirmação do sentimento de deslocamento cultural, demonstrando que as instituições e ideias implantadas não se enraizaram plenamente no novo território. Essa retomada é um recurso típico para fortalecer a argumentação, conforme explicam Bechara e Cunha & Cintra.

II. Incorreta.
A paráfrase apresentada modifica o sentido original do texto. O autor diz que Espanha e Portugal, apesar de manterem traços de europeísmo, são zonas de transição e menos carregadas desse traço, não que “têm carga mais flexível” (interpretação livre e não fiel). Além disso, “responsável pela comunicação” extrapola o papel descrito: o texto destaca o caráter de fronteira e contato, não de responsabilidade direta.

III. Correta.
No último período, o texto destaca que, devido à entrada tardia no “coro europeu”, Portugal e Espanha desenvolveram sociedades quase à margem das congêneres europeias, sem receber delas incitamentos “que já não trouxessem em germe”. Ou seja, houve autonomia no desenvolvimento, com pouca influência direta das demais sociedades europeias.

Estratégia de resolução:
Destaco a importância de localizar as ideias centrais de cada parágrafo e reler os trechos-chave, evitando interpretar por analogia ou acrescentar informações não contidas no texto.

Principais pegadinhas: Cuidado com paráfrases que alteram o sentido original ou ampliam ideias do texto, e com generalizações não manifestadas explicitamente pelo autor.

Referências: Gramáticas como Bechara (“coesão e retomadas textuais”) e Cunha & Cintra (“interpretação fiel do texto base”). Manual de Redação da Presidência também orienta a fidelidade ao texto-fonte em paráfrases e resumos.

Resumo: Estão certas apenas as alternativas I e III. O texto exige leitura atenta para detectar as retomadas de ideias e evitar extrapolações.

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Comentários

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Fiquei confuso em relação ao item II!

O erro do item "II" é que ele afirma que as ideias estão de acordo com o quarto parágrafo, enquanto que as ideias referidas em tal item estão no terceiro parágrafo

A paráfrase descrita no item II está presente no terceiro parágrafo, e não no quarto como descrito.

Então a II está errada. Apenas I e III estão corretas.

Para mim o erro do item II é afirmar  que “A carga mais flexível de europeísmo de Portugal e Espanha – em que pese o fato de conservarem uma necessária parte de tal carga – coloca-os como território responsável pela comunicação do continente europeu com outros mundos”. Na realidade o correto é que a localização geografica de Portugal e Espanha é que proporcionaram uma maior comunicação do continete Europeu principalmente com os Árabes do norte da África (Mouros), e não o contrário como afirma a assertiva.

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