Leia o poema a seguir: As Sem-razões do Amor Eu te amo...

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Q4233621 Literatura

Leia o poema a seguir:


As Sem-razões do Amor

Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 2002.)

 

Nesse poema, é possível identificar:


I - A presença de rimas nos versos 18 e 19.


II - A partir de uma análise acerca do título, nota-se que há um jogo de palavras entre “sem” e “cem” que se relaciona com o significado do restante do poema. Além disso, pode ser vista uma dicotomia existente: mesmo que alguém tente explicar o amor, é impossível enumerá-lo.


III - O eu-lírico expressando a sua perspectiva acerca do amor.


Após analisar as alternativas, indique a opção correta:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era comparar os versos 18 e 19 do poema, que terminam em "morte" e "vencedor", para verificar que a proposição I é falsa por ausência de rima entre eles. Como o texto também é construído em primeira pessoa e traz formulações explícitas da visão do eu-lírico sobre o amor, a alternativa correta é a que admite II e III.

Tema central: estilística no poema
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque depende da veracidade da proposição I, mas I é falsa: os versos 18 e 19 terminam em "morte" e "vencedor", sem semelhança sonora final que autorize afirmar rima entre eles. Além disso, a III é verdadeira, pois o poema expressa claramente a visão do eu-lírico.
B
Errada
Está errada porque não é apenas a II que se sustenta. A III também está correta, já que o poema é construído em primeira pessoa e apresenta explicitamente a perspectiva do eu-lírico sobre o amor.
C
Errada
Está errada porque reduz a resposta à III, mas a II também é compatível com o texto como leitura interpretativa do título e do desenvolvimento temático do poema. A base não autoriza rejeitar II, pois ela dialoga com a recusa de racionalização e enumeração objetiva do amor.
D
Certa
A alternativa D está correta porque combina três verificações compatíveis com o texto. Primeiro, a proposição I não se sustenta tecnicamente, já que os versos 18 e 19 não rimam entre si. Segundo, a proposição III é confirmada pela construção em primeira pessoa e pelos juízos diretos sobre o amor, como "Eu te amo porque te amo", "Amor foge a dicionários" e "Porque amor é amor a nada", o que evidencia a perspectiva do eu-lírico. Terceiro, a proposição II é aceitável como leitura interpretativa do título em relação ao restante do poema, pois o texto insiste na recusa de definição, regulação, troca e explicação racional do amor; por isso, a interpretação do título é compatível com o sentido global, embora não se trate de classificação formal obrigatória.
E
Errada
Está errada porque há proposição correta no conjunto. A III é inequivocamente verdadeira, pois a voz do eu-lírico e sua perspectiva sobre o amor aparecem de forma explícita no poema.
Pegadinha da questão
A confusão principal era tratar a proposição I como verdadeira por aproximação temática entre versos e, ao mesmo tempo, exigir da proposição II um rigor técnico que ela não promete, já que opera como leitura interpretativa do título.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a afirmação mencionar rima entre versos específicos, confronte diretamente as palavras finais e verifique a semelhança sonora, sem decidir por tema ou proximidade de sentido.
  • Em itens interpretativos sobre título, avalie se a leitura é compatível com o sentido global do texto; isso não exige que o efeito seja um recurso formal obrigatório.
  • Se o poema traz primeira pessoa e juízos explícitos sobre um tema, isso sustenta o reconhecimento da perspectiva do eu-lírico.

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