I - A dispepsia não ulcerosa (dispepsia funcional) é defini...

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Q2464633 Medicina
Dispepsia é uma sensação de dor ou desconforto na parte superior do abdomen; muitas vezes é recorrente. Pode ser descrita como indigestão, gases, saciedade precoce, empachamento pós-prandial, sensação de corrosão interna ou queimação.

Sobre este assunto analise os itens e assinale a correta:

I - A dispepsia não ulcerosa (dispepsia funcional) é definida como a existência de sinais e sintomas dispépticos em um paciente sem alterações ao exame físico ou na endoscopia do trato gastrintestinal alto e/ou outras avaliações (exemplo: exames laboratoriais e/ou exames de imagem).
II - A revisão dos sinais vitais pode observar especificamente a presença de taquicardia ou pulso irregular. O exame geral deve procurar por palidez ou sudorese, caquexia ou icterícia. Palpa-se o abdome procurando por áreas doloridas, massas ou organomegalia. Realizase o toque retal para detectar sangue vivo ou oculto.
III - Um episódio único e agudo de dispepsia não é preocupante, especialmente se os sintomas forem acompanhados de dispneia, sudorese ou taquicardia; este paciente pode apresentar isquemia coronariana aguda. Os sintomas crônicos que ocorrem aos esforços e melhoram com o repouso podem ser decorrentes de angina.
Alternativas

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Tema central: Dispepsia é dor ou desconforto epigástrico recorrente. A dispepsia funcional (não ulcerosa) ocorre quando há sintomas sem causa estrutural identificável após avaliação adequada (ex.: endoscopia normal). Classicamente inclui os subtipos de Roma IV: síndrome da dor epigástrica e síndrome do desconforto pós-prandial.

Gabarito: C — Somente os itens I e II estão corretos.

Por que o item I está correto? Define adequadamente a dispepsia funcional: sintomas dispépticos na ausência de alterações significativas ao exame físico e sem doença estrutural no TGI alto em endoscopia ou outros exames que expliquem o quadro. Isso está alinhado a Roma IV e às diretrizes ACG/UpToDate (Harrison’s; ACG 2022).

Por que o item II está correto? A avaliação clínica deve buscar sinais de alarme: taquicardia/irregularidade de pulso (hipovolemia/anemia/arrítmias), palidez ou sudorese (anemia/choque), caquexia (neoplasia), icterícia (doença hepatobiliar), dor/masse abdominal ou organomegalia. O toque retal auxilia a detectar sangramento (vivo/oculto). Essas condutas são padrão em dispepsia com possível gravidade.

Por que o item III está incorreto? Ele afirma que um episódio agudo de “dispepsia” não é preocupante “especialmente” se acompanhado de dispneia, sudorese ou taquicardia. Isso é o oposto do correto: tais sintomas associados à dor epigástrica podem indicar síndrome coronariana aguda (angina equivalente), exigindo abordagem imediata. A parte final (sintomas aos esforços que aliviam com repouso sugerem angina) é verdadeira, mas o item como um todo se torna falso pela primeira afirmação. Diretrizes ACC/AHA de dor torácica reforçam essa apresentação atípica.

Análise das alternativas:

  • A (Todos corretos): Errada, pois o item III é incorreto.
  • B (Todos incorretos): Errada, pois I e II estão corretos.
  • C (Somente I e II): Correta.
  • D (Somente I e III): Errada pelo III.
  • E (Somente II e III): Errada pelo III.

Estratégia de prova e pegadinhas:

  • Identifique sinais de alarme: perda ponderal, anemia, vômitos persistentes, sangramento GI, icterícia, disfagia/odinofagia, massa abdominal, idade avançada ou início recente de sintomas — indicam endoscopia precoce.
  • Lembre da angina equivalente: dor epigástrica/dispepsia com dispneia, sudorese, náusea ou taquicardia → pensar em isquemia e não “tranquilizar”.
  • Na dispepsia sem alarme e idade <60 anos: testagem e tratamento para H. pylori e/ou teste terapêutico com IBP são condutas recomendadas (ACG/UpToDate).

Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; ACG Clinical Guideline: Functional Dyspepsia (2022); UpToDate – Overview of dyspepsia; ACC/AHA Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain (2021).

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Comentários

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A alternativa A é a correta e afirma que todos os itens estão corretos. Vamos analisar cada item individualmente para entendermos por que essa é a resposta certa. I - A dispepsia não ulcerosa, também conhecida como dispepsia funcional, é uma condição caracterizada por sintomas dispépticos (como dor ou desconforto no abdome superior) na ausência de uma doença orgânica identificável, como úlcera ou câncer, que possa ser detectada por exames físicos ou endoscopia. Portanto, o primeiro item é correto ao definir dispepsia funcional. II - A revisão dos sinais vitais é uma prática clínica padrão para avaliar a saúde geral de um paciente. Observar a presença de taquicardia ou pulso irregular pode ajudar a identificar problemas cardíacos ou sistêmicos. Além disso, exames físicos que buscam por palidez, sudorese, caquexia, icterícia, massas palpáveis, ou organomegalia, são essenciais na avaliação de um paciente com dispepsia para descartar outras condições. A realização do toque retal também é um procedimento útil na detecção de sangue vivo ou oculto nas fezes, o que pode indicar sangramento gastrointestinal. Assim, o segundo item também é correto. III - Um episódio agudo de dispepsia acompanhado de sintomas como dispneia, sudorese ou taquicardia pode ser um sinal de isquemia coronariana aguda, uma condição grave que requer atenção imediata. Por outro lado, sintomas crônicos de dispepsia que ocorrem durante esforços e melhoram com o repouso podem ser indicativos de angina de peito, que também é relacionada à isquemia cardíaca. Portanto, o terceiro item é correto ao abordar a importância de avaliar esses sintomas no contexto de possíveis doenças cardíacas. Em resumo, a resposta correta é a alternativa A, pois todos os itens I, II e III estão corretos e oferecem informações relevantes sobre o diagnóstico e a avaliação da dispepsia em um contexto clínico.

Não precisa se preocupar, vc não tem dispepsia não ulcerosa, na verdade é um IAM :D

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