O texto "Os robôs não são a grande ameaça à humanidade; os ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4322380 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Os robôs não são a grande ameaça à humanidade; os desumanos, sim


    Quanto se ganha por ler uma poesia? Ou por deixar a música invadir e mudar a batida do coração? Qual o valor de ter o fôlego interrompido diante de uma escultura, de uma flor ou do pôr-do-sol? Quanto vale o que nos faz mais humanos? É na ampliação do sentir que percebemos o mundo e nos implicamos nele. O que nos preenche a alma não é palpável, quantificável ou útil, mas é o que embeleza a vida, e para isso não há preço.


    Ninguém sabe o momento exato que vai realizar essa verdade, talvez porque esse momento nem exista, é aos poucos que a gente se humaniza, e isso é o oposto do processo de desumanização, que ocorre rápido, devasta amizades, amores e famílias, como uma peste ou uma guerra.


    A praga do utilitarismo corrói os bons afetos. As relações humanas pautadas por ele são empobrecedoras, tornam o mundo pior, não importa o que de longe possa parecer.


    Somos razão, mas existimos, com grandeza, é na sensibilidade.


    Sou inconformada como embrutecimento do mundo. Diante de tantas possibilidades da humanidade dar um salto de consciência, entristece ver pessoas com o coração mais árido, menos dispostas a se deixarem afetar por relações humanas baseadas na ausência de utilidade.


    Nada contra o networking. Sobre isso acho o óbvio: útil. Mas é o inútil contido nas humanidades que nos torna mais interessantes, eventualmente, até para fazer negócios. (...)


    Não são os robôs a grande ameaça à humanidade, são os desumanos.


    As disciplinas humanísticas pedem passagem como antídoto à barbárie da utilidade. A desumanidade turva a compreensão da realidade óbvia e permite cegueiras coletivas, que abrem espaço para aberrações comportamentais. Exige esforço, mas é preciso dedicar mais tempo para resgatar valores comunitários.


    As relações baseadas em princípios mais humanos melhoram as pessoas. A riqueza interior supera o lucro. Apoiar o ensino de novos conceitos de riqueza baseados em sentimentos e não em matéria é remédio para um mundo adoecido e autodestrutivo. (...)


AGUIAR, Aurê. Os robôs não são a grande ameaça à

humanidade; os desumanos, sim. A Gazeta. Disponível

em <https://www.agazeta.com.br/colunas/aureaguiar/os-robos-nao-sao-a-grande-ameaca-ahumanidade-os-desumanos-sim-0424>.

O texto "Os robôs não são a grande ameaça à humanidade; os desumanos, sim" é predominantemente:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A tipologia predominante é identificada pelo modo de organização: o texto desenvolve uma posição por meio de avaliações e argumentos, em vez de apresentar acontecimentos em sequência ou caracterizar seres e ambientes. A crítica ao utilitarismo confirma essa organização e conduz à alternativa A.

Tema central: Tipologia textual predominante
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a autora desenvolve ideias sobre comportamentos humanos para defender a sensibilidade e as relações não utilitárias. A crítica ao utilitarismo é sustentada pelos efeitos que lhe são atribuídos: empobrecimento dos afetos e das relações. A proposta de resgatar valores comunitários reforça essa posição. Portanto, a designação “dissertativo” abrange a organização argumentativa do texto.
B
Errada
Não há sequência de acontecimentos vividos por personagens em um contexto temporal e espacial. As referências a pessoas e relações humanas integram uma discussão geral; a presença de uma voz em primeira pessoa não constitui, por si só, um enredo.
C
Errada
A alternativa inventa um enredo de dominação por robôs. O texto afirma: “Não são os robôs a grande ameaça à humanidade, são os desumanos.” A referência aos robôs estabelece um contraste que direciona a argumentação à desumanização, não a acontecimentos de uma sociedade dominada pela tecnologia.
D
Errada
O texto não constrói uma sociedade imaginária nem organiza predominantemente suas características. As avaliações sobre o mundo e as relações humanas sustentam a crítica ao utilitarismo e a defesa da sensibilidade, exercendo função argumentativa.
E
Errada
Há dois erros: o texto não se organiza como descrição e não apresenta um levantamento de qualidades positivas e negativas da tecnologia. Seu eixo é a oposição entre humanização e utilitarismo; as qualificações positivas e negativas sustentam essa posição.
Pegadinha da questão
A menção aos robôs no título pode levar à classificação pelo assunto, em vez da organização textual. Além disso, avaliações positivas e negativas podem parecer descrição, embora funcionem como argumentos em defesa de uma posição.
Dica para questões semelhantes
  • Observe se as afirmações defendem uma posição e se as avaliações e justificativas sustentam essa defesa.
  • Para reconhecer uma narrativa, procure uma sequência de acontecimentos articulada em enredo, não apenas referências a pessoas ou uso da primeira pessoa.
  • Verifique se as qualificações caracterizam predominantemente seres e ambientes ou se servem para sustentar argumentos.
  • Considere a organização predominante: a presença pontual de outros modos de organização não altera necessariamente a classificação global.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Texto Dissertativo: O autor (Aurê Aguiar) não está contando uma história com personagens (o que eliminaria o narrativo), nem focado em desenhar um retrato detalhado de objetos ou cenários (o que eliminaria o descritivo). Ele está defendendo uma tese/ponto de vista — a de que a desumanização e o utilitarismo excessivo são os verdadeiros perigos, e não a tecnologia — desenvolvendo reflexões sobre comportamentos humanos, sensibilidade e valores.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo