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Q2720547 Português

Da ação dos justos

Em recente entrevista na TV, uma conhecida e combativa juíza brasileira citou esta frase de Disraeli*: “É preciso que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas”. Para a juíza, o sentido da frase é atualíssimo: diz respeito à freqüente omissão das pessoas justas e honestas diante das manifestações de violência e de corrupção que se multiplicam em nossos dias e que, felizmente, têm chegado ao conhecimento público e vêm sendo investigadas e punidas. A frase propõe uma ética atuante, cujos valores se materializem em reação efetiva, em gestos de repúdio e medidas de combate à barbárie moral. Em outras palavras: que a desesperança e o silêncio não tomem conta daqueles que pautam sua vida por princípios de dignidade.
Como não concordar com a oportunidade da frase? Normalmente, a indignação se reduz a conversas privadas, a comentários pessoais, não indo além de um mero discurso ético. Se não transpõe o limite da queixa, a indignação é impotente, e seu efeito é nenhum; mas se ela se converte em gesto público, objetivamente dirigido contra a arrogância acanalhada, alcança a dimensão da prática social e política, e gera conseqüências
A frase lembra-nos que não costuma haver qualquer hesitação entre aqueles que se decidem pela desonestidade e pelo egoísmo. Seus atos revelam iniciativa e astúcia, facilitadas pela total ausência de compromisso com o interesse público. Realmente, a falta de escrúpulo aplaina o caminho de quem não confronta o justo e o injusto; por outro lado, muitas vezes faltam coragem e iniciativa aos homens que conhecem e mantêm viva a diferença entre um e outro. Pois que estes a deixem clara, e não abram mão de reagir contra quem a ignore.
A inação dos justos é tudo o que os contraventores e criminosos precisam para continuar operando. A cada vez que se propagam frases como “Os políticos são todos iguais”, “Brasileiro é assim mesmo” ou “Este país não tem jeito”, promove-se a resignação diante dos descalabros. Quem vê a barbárie como uma fatalidade torna-se, ainda que não o queira, seu cúmplice silencioso.


* Benjamin Disraeli, escritor e político britânico do século XIX.


(Aristides Villamar) 

O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do plural para preencher de modo correto a lacuna da frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A resolução depende da concordância verbal com o sujeito real da oração: em "Se a cada um de nós efetivamente ...... (perturbar) os que agem mal, a impunidade seria impossível.", o sujeito de "perturbar" é "os que agem mal", no plural; por isso, a forma correta é plural. "A cada um de nós" é termo preposicionado e não determina a flexão.

Tema central: concordância verbal
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única em que o verbo deve ir ao plural, porque o sujeito é "os que agem mal". O segmento "a cada um de nós" não exerce função de sujeito, já que vem introduzido por preposição. Assim, a forma correta é "perturbarem".
B
Errada
A forma plural está incorreta. O correto é: "Deve-se aos homens de ação o aperfeiçoamento estrutural de uma sociedade". O núcleo do sujeito é "aperfeiçoamento", singular.
C
Errada
A pluralização é indevida, pois "haver", com sentido de existir, é impessoal e fica no singular: "costuma haver".
D
Errada
O verbo deve ficar no singular, porque o sujeito é a oração "que os maus contam com o silêncio da sociedade para seguirem sendo o que são". Logo, o correto é "não ocorre".
E
Errada
A forma plural não se sustenta porque o sujeito de "advir" é "qualquer reação", singular. O correto é "não advém qualquer reação".
Pegadinha da questão
A questão explora a tendência de tomar termos próximos ou salientes como sujeito, em vez de identificar o sujeito sintático de cada verbo.
Dica para questões semelhantes
  • Localize o sujeito sintático antes de flexionar o verbo.
  • Termo preposicionado não comanda concordância verbal.
  • Em "haver" existencial, mantenha o singular, inclusive em locução verbal.
  • Considere se o sujeito pode ser uma oração inteira; nesse caso, o verbo fica no singular.

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