Um paciente, no pós-operatório de revascularização do miocá...
Um paciente, no pós-operatório de revascularização do miocárdio completa eletiva com função ventricular normal, foi admitido na unidade de terapia intensiva em boas condições. Aproximadamente seis horas após a admissão, evoluiu com pressão arterial de 80 mmHg × 40 mmHg, pressão venosa central de 20 mmHg, frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto em ritmo sinusal e diurese de 20 mL na última hora. O débito pelo dreno mediastinal foi de 100 mL/h nas três horas antecedentes. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
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Gabarito: A) tamponamento cardíaco.
1. Interpretação do caso:
O enunciado descreve um paciente pós-operatório de revascularização miocárdica que, após 6 horas em condições estáveis, desenvolve subitamente hipotensão (PA 80x40 mmHg), aumento da pressão venosa central (PVC 20 mmHg), taquicardia (FC 120 bpm) e oligúria. O débito do dreno foi 100 mL/h nas últimas 3h.
2. Legislação aplicável:
Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico), Art. 4º: "São atividades privativas do médico: […] II - indicação e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os procedimentos cirúrgicos;"
3. Tema central:
Esta questão avalia a capacidade de reconhecer choque obstrutivo no contexto pós-operatório cardíaco, essencial ao cirurgião cardiovascular, e diferenciação de causas como hemorragia versus tamponamento cardíaco.
4. Exemplo prático:
Se, após cirurgia cardíaca, o paciente tem hipotensão e PVC aumentando, mas dreno mantém débito baixo ou moderado, o tamponamento cardíaco deve ser suspeitado e a intervenção imediata se faz necessária.
5. Justificativa da alternativa correta:
No tamponamento cardíaco, ocorre acúmulo de sangue no espaço pericárdico, resultando em: hipotensão, aumento da PVC, taquicardia, oligoanúria, com débito pelo dreno normalmente não exuberante, já que sangue se acumula no pericárdio e não drena livremente. O quadro clínico clássico é o "pulso paradoxal de Beck".
6. Análise das alternativas incorretas:
Hemorragia: O dreno mediastinal mostraria débito muito maior (> 200 mL/h) e PVC não estaria aumentada. O choque seria mais hipovolêmico.
Disfunção ventricular: A função era normal, não há sinais de insuficiência cardíaca esquerda típica ou congestão pulmonar inicial.
Débito inadequado da bomba: O paciente encontrava-se estável nas primeiras horas, e sinais laboratoriais/ hemodinâmicos não condizem.
7. Pegadinhas e dicas:
Pegadinha: O débito do dreno pode enganar. Em tamponamento, o líquido sangra para o pericárdio, não para o dreno. Atenção para PVC aumentada – sugestiva de obstrução ao retorno venoso!
Referencial doutrinário: Maria Helena Diniz e Celso Antônio Bandeira de Mello reforçam o dever de empregarmos diligência e precisão no raciocínio diagnóstico (negligência, imprudência ou imperícia são vedadas – Resolução CFM nº 2.217/2018).
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