Na narrativa, expressões como “Tinha um mês” e “todo sábado...

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Q4197307 Português
Analise o texto abaixo para responder à questão.


Texto I


    Tinha um mês que Maria Teresa da Vazante havia tirado o diploma. Mariinha e Tuninha fizeram de um tudo para que a filha conseguisse aquele curso. Mariinha, por intermédio de Angélica, que ainda ia à cidade, arranjou uma vaga com desconto no Sacramentina e Silva, pelo vínculo que tinha com a instituição, e fez a matricula de Maria Teresa, que todo sábado, por seis meses, carreou até Santa Stella para comparecer às aulas.

    Esse foi um período difícil e de muita privação para todas elas, porque além do preço do curso tinha o transporte, que elas pagavam para Thadeu. E todo sábado ajeitavam a menina para a viagem, que a filha delas não poderia passar vergonha.

    A angústia de esperar a manhã do sábado inteira, com a menina indo e voltando sozinha, as castigava. Toda madrugada, antes do carro partir, Mariinha fazia centenas de recomendações a Thadeu para que ele não viesse embora sem Maria Teresa. A senhora tinha confiança nele, existia aquela união entre os Fontes e as mulheres da Vazante, mas a professora não conseguiu controlar seu medo. Durante os seis meses que o curso durou, a mãe agoniava o motorista com advertências e precauções.

   — Não, eu não acredito – Maria Teresa trocava olhares de felicidade com o noivo e as mães. – Será aquilo, mainha? – a menina estendeu o braço para segurar a mão de Tuninha.

   — Abre, nega! É tua! Foi um trabalho danado de conseguir, desde antes do teu curso acabar que venho fazendo esse plano – os olhos do noivo dançavam como o alívio de chuva que cai em tarde de sol refrescando a areia.

   Mané da Gaita achou bonito tocar uma valsa doce naquele momento. Com a porta da casa aberta, o cheiro das rosas adocicava ainda mais o ambiente. Maria Teresa foi descobrindo, descobrindo, abrindo o que estava guardado naquele embrulho de coberta.

    — Sim! É uma máquina, mamãe!


(APARECIDA, Luciany. Mata Doce.Rio de Janeiro: Alfaguara, 2023, p.54)
Na narrativa, expressões como “Tinha um mês” e “todo sábado por seis meses” (1º§) revelam: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O valor decisivo está na função dos marcadores temporais do trecho — “Tinha um mês que Maria Teresa da Vazante havia tirado o diploma. [...] que todo sábado, por seis meses, carreou até Santa Stella para comparecer às aulas.” —, que quantificam o tempo decorrido, a frequência e a duração das ações narradas. Assim, o texto apresenta marcação cronológica objetiva, o que confirma a alternativa D.

Tema central: marcação temporal objetiva
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. As expressões destacadas não registram a percepção subjetiva do tempo pelos personagens. Elas funcionam como informação cronológica dada pelo narrador: “um mês” e “todo sábado, por seis meses” indicam medida temporal objetiva.
B
Errada
Incorreta. Não há imprecisão no recorte temporal. “Um mês” e “por seis meses” são delimitações claras, e “todo sábado” acrescenta frequência regular. A construção “Tinha um mês” não torna o tempo vago; apenas introduz tempo decorrido definido.
C
Errada
Incorreta. O texto de fato menciona privação e angústia, mas isso não altera a função das expressões perguntadas. Elas não mostram dificuldade de mensurar experiências desagradáveis; ao contrário, mensuram explicitamente o tempo das ações narradas.
D
Certa
A alternativa D está correta porque as expressões destacadas situam os fatos de modo definido e mensurável no eixo temporal da narrativa. “Tinha um mês” delimita o tempo decorrido desde a obtenção do diploma, e “todo sábado, por seis meses” informa repetição regular e duração determinada da ação. Portanto, o texto organiza objetivamente a sequência dos acontecimentos.
E
Errada
Incorreta. A alternativa fala em incapacidade de registrar um tempo que escapa, mas o trecho faz exatamente o oposto: registra o tempo com nitidez por meio de quantificação temporal explícita e repetição regular das ações.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o candidato misturar o tom emotivo do enredo com o valor semântico das expressões temporais. Embora haja angústia e privação na narrativa, “Tinha um mês” e “todo sábado, por seis meses” exercem função cronológica objetiva.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a expressão temporal quantifica o tempo decorrido, a duração ou a frequência da ação; quando isso ocorre, a marcação tende a ser objetiva.
  • Não projete o conteúdo emocional do texto sobre um elemento cujo papel é apenas organizar a cronologia.
  • Expressões como “todo sábado” ganham precisão maior quando aparecem acompanhadas de duração definida, como “por seis meses”.

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Comentários

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Essa questão fica bem mais fácil quando você entende a diferença entre tempo objetivo e tempo subjetivo.

Alternativa A - Tempo subjetivo >> O tempo é percebido conforme o sentimento, estado emocional ou percepção do personagem.

Alternativa D - Tempo objetivo >> O tempo é apresentado por meio de medidas ou referências cronológicas concretas.

“a forma subjetiva com que os personagens percebem o tempo.”

Aqui, a questão estaria dizendo que o texto mostra como o personagem sente o passar do tempo.

Por exemplo:

“Aquela espera parecia durar uma eternidade.”

Objetivamente, talvez tenham passado 30 minutos. Mas, para o personagem, pareceu uma eternidade.

Outro exemplo:

“As horas voaram enquanto conversavam.”

O tempo é percebido subjetivamente: pareceu passar rapidamente.

Portanto, tempo subjetivo = tempo psicológico, relacionado à percepção do personagem.

“uma marcação cronológica objetiva em relação às ações.”

Aqui não interessa como o personagem sente o tempo. O narrador simplesmente informa quando ou durante quanto tempo algo aconteceu.

É exatamente o que temos no texto:

“Tinha um mês que Maria Teresa [...] havia tirado o diploma.”

Temos uma referência concreta: 1 mês.

“todo sábado, por seis meses”

Temos outra referência concreta: 6 meses, além da periodicidade de todo sábado.

Não importa se Maria Teresa achou que seis meses passaram rápido, devagar, com sofrimento ou com alegria. O narrador está simplesmente localizando cronologicamente os acontecimentos.

Gab: D

Justificativa:

As expressões “Tinha um mês” e “todo sábado por seis meses” funcionam no texto como marcadores de tempo cronológico. Elas servem para datar e quantificar de forma exata e linear a duração e a frequência dos acontecimentos na narrativa (o tempo exato desde a formatura e o período exato em que ela frequentou as aulas).

Texto narrativo é marcação cronológica.

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