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Q4376749 Português
Livros escritos por inteligência artificial: qual o limite do uso?


     O avanço da inteligência artificial no mercado editorial deixou de ser uma questão futurista e tornou-se um desafio concreto para leitores, editoras e plataformas de publicação. A proliferação de livros gerados automaticamente por algoritmos já forçou grandes empresas a adotarem medidas restritivas para conter o fenômeno.

    O problema vai além da qualidade literária. Foram identificados e-books sobre coleta de cogumelos, publicados nessas plataformas de autopublicação, que indicavam espécies venenosas como se fossem comestíveis. O episódio ilustra como conteúdos gerados por IA sem supervisão adequada podem representar riscos concretos à saúde e à segurança das pessoas. A preocupação é que esse tipo de erro não fique restrito a guias de cogumelos, mas se expanda para obras de saúde e outros temas sensíveis, influenciando a forma como as pessoas pensam e o que consomem. 

    Diante desse cenário, cresce a discussão sobre a necessidade de rotular claramente o que foi produzido por inteligência artificial. A União Europeia já aprovou uma lei de regulamentação de IA que entra em vigor em agosto e exige que empresas identifiquem o que é ou não gerado por algoritmos. A proposta é que o leitor tenha o direito de escolher, sendo informado sobre a origem do conteúdo que consome. Para livros mais técnicos ou manuais, a presença da IA pode ser menos incômoda, mas no campo da literatura, a questão ganha outra dimensão.

    Os dados sobre o uso da inteligência artificial no Brasil reforçam a urgência do debate: 70% dos brasileiros afirmam utilizar IA no trabalho, índice superior à média global de 54%. Quase 30% dos colaboradores no país a utilizam diariamente. A distinção entre usar a IA como ferramenta de apoio — para corrigir erros ou auxiliar na escrita — e delegar a ela a criação integral de uma obra é apontada como um ponto central da discussão. Com o avanço tecnológico, surge ainda outra questão: em breve, será possível identificar se um texto foi escrito por um humano ou por uma máquina?


Fonte: CNN Brasil. Adaptado.
De acordo com o texto, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) Os livros gerados por IA pecam apenas na qualidade literária.
( ) Um pouco menos de 30% dos trabalhadores brasileiros utilizam IA diariamente no trabalho.
( ) Os livros gerados por IA não representam riscos à saúde. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A sequência depende do confronto com as informações explícitas do texto: “O problema vai além da qualidade literária.” exclui a restrição imposta por “apenas”; “Quase 30% dos colaboradores no país a utilizam diariamente.” sustenta a expressão “um pouco menos de 30%”; e a possibilidade expressa de riscos à saúde impede sua negação geral. Portanto, a sequência é E - C - E.

Tema central: Confronto entre afirmativas e texto
Análise das alternativas
A
Errada
Acerta os dois primeiros julgamentos, mas considera certa a terceira afirmativa. A negação de riscos à saúde contradiz a informação de que conteúdos gerados por IA sem supervisão adequada podem representar esses riscos. O texto não precisa afirmar dano em todos os casos para tornar falsa essa negação geral.
B
Certa
A alternativa B reúne os três julgamentos sustentados pelo texto. A primeira afirmativa é errada porque apresenta a qualidade literária como único problema, embora o texto indique problemas que ultrapassam esse aspecto. A segunda é certa porque “um pouco menos de 30%” preserva o sentido contextual de “Quase 30%”, referente ao uso diário de IA pelos colaboradores no Brasil. A terceira é errada porque o texto afirma: “O episódio ilustra como conteúdos gerados por IA sem supervisão adequada podem representar riscos concretos à saúde e à segurança das pessoas.” Essa possibilidade já contradiz a negação geral de riscos, sem significar que todo livro gerado por IA necessariamente cause danos.
C
Errada
Inverte os três julgamentos: considera verdadeira a restrição introduzida por “apenas”, embora o problema vá além da qualidade literária; rejeita “um pouco menos de 30%”, que preserva o sentido contextual de “Quase 30%”; e aceita a negação de riscos à saúde, apesar de o texto reconhecer expressamente essa possibilidade.
D
Errada
Acerta apenas o terceiro julgamento. A primeira afirmativa deve ser errada, pois “apenas” limita os problemas à qualidade literária, contrariando “vai além”. A segunda deve ser certa: “um pouco menos de 30%” reformula fielmente o percentual de uso diário indicado por “Quase 30%”.
Pegadinha da questão
A banca explora o alcance de “apenas”, a distinção entre os quase 30% de uso diário e os 70% de utilização de IA no trabalho, além da confusão entre possibilidade de risco e dano obrigatório: “podem representar” não significa que todos os livros causem danos, mas impede afirmar que não existem riscos.
Dica para questões semelhantes
  • Confira se palavras restritivas, como “apenas”, excluem informações que o texto apresenta expressamente.
  • Ao comparar percentuais, preserve tanto a aproximação numérica quanto a frequência indicada: uso diário não equivale a utilização em geral.
  • Diferencie possibilidade de universalidade: reconhecer que algo pode causar riscos não é afirmar que sempre causa danos, mas já invalida uma negação geral desses riscos.

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Comentários

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O gabarito correto é a Alternativa B (E - C - E).

Vamos à auditoria técnica de cada afirmativa. Em questões de Interpretação e Compreensão de Textos, a regra de ouro é: o texto é o seu universo; o que não está lá, não existe.

Análise Estratégica das Afirmativas:

1. ( E ) "Os livros gerados por IA pecam apenas na qualidade literária."

  • O erro: A afirmativa usa a palavra restritiva "apenas". O texto afirma literalmente o oposto no início do segundo parágrafo: "O problema vai além da qualidade literária." Logo em seguida, cita o risco à saúde e à segurança.

  • Veredito: Errada.

2. ( C ) "Um pouco menos de 30% dos trabalhadores brasileiros utilizam IA diariamente no trabalho."

  • A comprovação: No último parágrafo, o texto afirma: "Quase 30% dos colaboradores no país a utilizam diariamente." Dizer "quase 30%" é, semanticamente e logicamente, o mesmo que dizer "um pouco menos de 30%".

  • Veredito: Certa.

3. ( E ) "Os livros gerados por IA não representam riscos à saúde."

  • O erro: A banca tentou negar uma informação explícita. O texto relata o caso dos livros sobre cogumelos venenosos e conclui no segundo parágrafo: "O episódio ilustra como conteúdos gerados por IA sem supervisão adequada podem representar riscos concretos à saúde e à segurança das pessoas."

  • Veredito: Errada.

? Radar de Pegadinhas:

  1. A Pegadinha da Palavra Exclusiva: Palavras como apenas, somente, exclusivamente, nunca e sempre são os maiores distratores em questões de interpretação. Na afirmativa 1, o "apenas" inverteu o sentido do texto. Viu essas palavras? O seu nível de alerta deve ir ao máximo.

  2. A Pegadinha da Paráfrase Matemática: Na afirmativa 2, a banca trocou a palavra "Quase" por "Um pouco menos de". O candidato desatento e bitolado, que procura as palavras exatas do texto (leitura de escaneamento viciada), não acha o "um pouco menos de", entra em pânico e marca como Errado. Você não pode cair nisso. Interpretação exige compreensão semântica, não apenas busca visual.

  3. A Pegadinha da Negação Simples: Na afirmativa 3, a banca simplesmente pegou um trecho do texto e enfiou a palavra "NÃO" no meio. É a tática mais preguiçosa de elaboração de questões, mas derruba quem lê a prova com pressa ou cansaço.

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