Durante acompanhamento longitudinal de puericultura em uma ...

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Q3917525 Enfermagem
Durante acompanhamento longitudinal de puericultura em uma Unidade de Saúde da Família, um lactente de 6 meses, sexo masculino, nascido a termo (39 semanas), peso ao nascer de 3.180 g, é avaliado pela enfermagem em consulta programada. Consta no prontuário histórico de faltas recorrentes às consultas, interrupção do aleitamento materno exclusivo aos 2 meses, introdução precoce de líquidos e alimentos ultraprocessados e ausência paterna. Na consulta atual, a enfermagem identifica:

− Peso e estatura abaixo do percentil 5 para idade;
− Queda progressiva de percentis nas curvas de crescimento;
− Sentar sem apoio ausente;
− Pouco contato visual, irritabilidade e choro inconsolável;
− Infecções respiratórias de repetição nos últimos três meses;
− Esquema vacinal incompleto;
− Mãe adolescente, com sinais de exaustão, baixa responsividade e dificuldade em compreender orientações.
− Durante a entrevista, a mãe relata insegurança para o cuidado, ausência de rede de apoio e dificuldades financeiras importantes.

Analisando o contexto do caso apresentando e relacionando aos fundamentos da puericultura, a atenção integral à saúde da criança, a abordagem familiar e as atribuições da enfermagem na Atenção Primária, analise as proposições abaixo e assinale a alternativa correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Na puericultura, peso e estatura abaixo do percentil 5 com queda progressiva dos percentis, atraso do desenvolvimento, infecções de repetição, vacinação incompleta e vulnerabilidade sociofamiliar configuram risco ampliado. Esse quadro exige seguimento longitudinal intensificado na APS, com cuidado multiprofissional e articulação com a rede de proteção social, o que torna correta a alternativa D.

Tema central: Risco ampliado infantil
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o enunciado mostra vulnerabilidade importante e possível prejuízo ao cuidado, mas não comprova negligência como diagnóstico fechado. Déficit de crescimento e atraso do desenvolvimento não autorizam concluir automaticamente falha moral da família nem restringir a atuação da enfermagem a encaminhamento tutelar. Tecnicamente, a APS deve manter avaliação clínica, seguimento intensivo, apoio à díade cuidador-criança, educação em saúde e articulação com a rede de proteção quando necessário. Substituir o cuidado longitudinal por medida apenas tutelar é inadequado nesse cenário.
B
Errada
Está errada porque múltiplos agravos não tornam a atenção especializada exclusiva nem afastam a puericultura da APS. Falha de crescimento, atraso do desenvolvimento, vacinação incompleta e vulnerabilidade social reforçam justamente a necessidade de coordenação do cuidado pela equipe de saúde da família. Encaminhamentos especializados podem coexistir, mas não substituem o acompanhamento longitudinal pela enfermagem na Atenção Primária.
C
Errada
Está errada porque peso normal ao nascer não exclui déficit posterior de crescimento e desenvolvimento. O caso traz fatores pós-natais com impacto direto: interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo, introdução de ultraprocessados, infecções de repetição, faltas às consultas, baixa responsividade materna, ausência de rede de apoio e dificuldades financeiras. O critério decisivo é longitudinal: a trajetória de queda de percentis e o contexto atual têm mais valor do que o dado neonatal isolado.
D
Certa
A alternativa D é a única compatível com a atenção integral à saúde da criança na APS. O caso não mostra um problema isolado, mas associação de falha de crescimento, suspeita de atraso do desenvolvimento, agravos evitáveis e fragilidade familiar importante. Esse perfil impõe cuidado ampliado: monitorização de crescimento e desenvolvimento, acompanhamento mais próximo pela enfermagem na puericultura, intervenções educativas, busca de adesão, avaliação do contexto familiar e articulação multiprofissional e intersetorial. A APS não perde seu papel diante da complexidade; ao contrário, deve coordenar esse cuidado.
E
Errada
Está errada porque a qualidade da alimentação importa além do aporte calórico. A introdução precoce de ultraprocessados se associa a pior qualidade alimentar, maior risco de adoecimento e impacto no crescimento e desenvolvimento; portanto, não pode ser considerada irrelevante sob o argumento de calorias suficientes. Nutrição infantil adequada depende de composição e oportunidade da alimentação, não apenas de energia total.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre vulnerabilidade familiar e negligência presumida, além da falsa ideia de que maior complexidade exclui o papel da APS; o caso pede reconhecer risco ampliado com cuidado intensificado e articulado, não culpabilização automática nem transferência do caso.
Dica para questões semelhantes
  • Valorize a trajetória de crescimento: queda progressiva de percentis pesa mais do que uma medida isolada.
  • Quando houver agravos clínicos somados a fragilidade sociofamiliar, pense em risco ampliado e em cuidado multiprofissional/intersetorial na APS.
  • Não retire a puericultura da Atenção Primária só porque pode haver necessidade de encaminhamentos especializados.
  • Em nutrição infantil, não reduza adequação alimentar a calorias; qualidade e momento da introdução alimentar também têm valor decisivo.

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