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Q3917524 Enfermagem
Gestante de 34 anos, G3P2, comparece à maternidade com 35 semanas e 4 dias de gestação, encaminhada da Atenção Básica por apresentar elevação progressiva da pressão arterial, ganho ponderal excessivo nas últimas duas semanas e relato de escotomas visuais. Histórico obstétrico inclui parto prematuro anterior e restrição de crescimento intrauterino. Na admissão, a enfermagem realiza avaliação sistematizada e identifica: PA 162×108 mmHg em duas medidas, edema generalizado, dor epigástrica, reflexos osteotendinosos exaltados e proteinúria (+++). Durante o trabalho de parto induzido por indicação materna, evolui com crise convulsiva tônicoclônica generalizada, sendo administrado sulfato de magnésio. O recém-nascido nasce com 2.050 g, Apgar 5 no 1º minuto e 7 no 5º minuto, apresentando hipotonia e gemência expiratória. No puerpério imediato, a puérpera permanece sonolenta, com diurese diminuída e frequência respiratória de 11 irpm.

No âmbito da atuação da enfermagem materno-infantil e pediátrica nos períodos pré-natal, parto, puerpério e neonatal, no caso acima relatado, analise as alternativas e assinale a opção correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso reúne dois critérios centrais da base de decisão: o recém-nascido com 35 semanas e 4 dias é pré-termo tardio e, pelos achados de 2.050 g, Apgar 5/7, hipotonia e gemência expiratória, é neonato de risco; além disso, a mãe segue em alto risco no puerpério imediato, pois a eclâmpsia não se resolve automaticamente com o parto e o sulfato de magnésio exige vigilância de diurese, frequência respiratória e reflexos. Isso torna correta a alternativa que reconhece a necessidade de cuidados intensivos de enfermagem para o recém-nascido e invalida as opções que minimizam o risco materno.

Tema central: Eclâmpsia e neonato de risco
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está em afirmar que o risco materno desaparece após o parto e o uso de sulfato de magnésio. A convulsão em gestante com pré-eclâmpsia define eclâmpsia, e o puerpério imediato ainda é período de risco. No caso, sonolência, diurese diminuída e frequência respiratória de 11 irpm reforçam a necessidade de monitorização rigorosa, inclusive por possível acúmulo/toxicidade do magnésio.
B
Errada
A alternativa naturaliza um sinal de alarme. Em puérpera sob sulfato de magnésio, a vigilância deve incluir frequência respiratória, reflexos e diurese. Frequência respiratória reduzida associada a oligúria não dispensa vigilância; ao contrário, aumenta a preocupação com toxicidade, porque a redução da diurese favorece acúmulo do magnésio e depressão respiratória.
C
Certa
A alternativa C é a única compatível com a classificação neonatal e com os sinais clínicos apresentados. Com 35 semanas e 4 dias, o recém-nascido é pré-termo tardio. Além disso, baixo peso ao nascer, Apgar inicial deprimido, hipotonia e gemência expiratória indicam adaptação neonatal comprometida e risco clínico, o que sustenta necessidade de cuidados intensivos de enfermagem com vigilância térmica, respiratória e neurológica seriada. Esse reconhecimento está de acordo com a semiologia neonatal e com a assistência ao recém-nascido de risco descritas na base.
D
Errada
A exclusividade causal torna a alternativa falsa. A hipotonia neonatal pode ocorrer por prematuridade, mas também por depressão neonatal e por efeito do sulfato de magnésio materno. Portanto, não é correto afirmar que ela se relaciona exclusivamente à prematuridade e que não há relação com o uso materno de magnésio.
E
Errada
A assistência não pode ser direcionada exclusivamente ao recém-nascido, porque a mãe permanece em situação grave no puerpério imediato. A interrupção da gestação reduz a progressão da doença hipertensiva, mas não elimina imediatamente o risco da eclâmpsia nem o risco farmacológico do sulfato de magnésio. O próprio enunciado mostra sinais maternos que exigem vigilância contínua.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar o parto como resolução imediata da eclâmpsia e subestimar o pré-termo tardio como se fosse um recém-nascido próximo do termo e, portanto, de baixo risco.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique primeiro a idade gestacional neonatal: 35 semanas e 4 dias corresponde a pré-termo tardio.
  • Em recém-nascido pré-termo tardio com gemência, hipotonia e Apgar inicial baixo, pense em neonato de risco e em vigilância térmica, respiratória e neurológica.
  • Em puérpera com eclâmpsia, o parto não encerra automaticamente o risco materno.
  • Sob sulfato de magnésio, sempre confronte frequência respiratória, reflexos e diurese; FR baixa e oligúria são sinais de alerta, não de tranquilidade.

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