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Q3511932 Medicina

Um paciente, previamente saudável, apresenta-se no ambulatório com queixa de tosse seca persistente há 2 meses, associada a fadiga, dor torácica leve e dispneia aos leves esforços. Refere perda ponderal de 4 quilos no último mês, sem febre. Nega tabagismo ou história ocupacional. Apresenta tatuagem antiga onde nota haver local endurecido recentemente. Alguns gânglios são palpáveis na região cervical. A radiografia de tórax mostra adenomegalia hilar bilateral acompanhada de infiltrado intersticial em terços médios de ambos os pulmões.

O exame mais adequado para confirmar o diagnóstico dessa doença, levando-se em consideração o contexto clínico-radiológico, é:

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Tema central: Quadro clínico-radiológico clássico de sarcoidose: tosse seca, dispneia, fadiga e perda ponderal, com adenomegalia hilar bilateral e infiltrado intersticial em terços médios. O achado de infiltração de tatuagem antiga (pápulas/induração em cicatriz) é altamente sugestivo de comprometimento cutâneo pela doença.

Alternativa correta: A – Biópsia ganglionar

Por quê? A confirmação da sarcoidose exige histologia compatível (granulomas não caseosos) em contexto clínico-radiológico típico e exclusão de outras causas de granulomas (TB, fungos). O princípio é biopsiar o local acessível de maior rendimento e menor invasividade. Neste caso, o linfonodo cervical palpável permite biópsia excisional/agulha com alta acurácia, além de possibilitar pesquisa de micobactérias e fungos (Ziehl-Neelsen, PAS/Grocott e culturas). Em diretrizes, este é o caminho de escolha (ATS/ERS/WASOG 2020; UpToDate; Harrison’s).

Achados esperados na biópsia: granulomas epitelioides não caseificantes, células gigantes, podendo haver corpos de Schaumann/asteroides. Lembrar sempre de excluir causas infecciosas antes de firmar o diagnóstico de sarcoidose.

Análise das incorretas

B – PET CT: útil para detectar atividade inflamatória e guiar sítio de biópsia, mas não confirma diagnóstico (baixa especificidade; captação também ocorre em TB, linfoma, neoplasias). Não substitui histologia (ATS/ERS 2020).

C – Angiotomografia de tórax com contraste: indicada para tromboembolismo pulmonar ou avaliação vascular. Não caracteriza granulomas nem confirma sarcoidose.

D – Marcadores de função reumática: FAN, FR, anti-CCP são inespecíficos para sarcoidose. A enzima conversora de angiotensina (ECA), embora citada em sarcoidose, tem baixa sensibilidade/especificidade e não confirma diagnóstico (UpToDate; Harrison’s).

E – Biópsia pulmonar vídeo-assistida (VATS): pode diagnosticar, mas é invasiva e reservada quando não há sítio periférico acessível (pele, linfonodo, glândula salivar) ou quando tais biópsias são inconclusivas. Aqui há linfonodo palpável e lesão cutânea sugestiva, portanto VATS não é a melhor primeira escolha.

Dicas de prova e raciocínio:

  • Associe adenomegalia hilar bilateral + sintomas respiratórios + lesão em cicatriz/tatuagem à sarcoidose.
  • Para confirmar, histologia do sítio menos invasivo disponível.
  • Sempre excluir TB e micoses antes de concluir sarcoidose.
  • Radiografia com BHL + infiltrado sugere estágio II da sarcoidose.

Referências: ATS/ERS/WASOG Clinical Practice Guideline on Diagnosis of Sarcoidosis (2020); UpToDate – Clinical manifestations and diagnosis of sarcoidosis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: A – biópsia ganglionar.

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