Um paciente de 78 anos, ex-tabagista com carga elevada, em ...
Um paciente de 78 anos, ex-tabagista com carga elevada, em tratamento para adenocarcinoma de pulmão com quimioterapia, apresenta piora da sua dispneia e, ao ser radiografado, é constado derrame pleural de início recente. Na sequência, optase pela realização de uma toracocentese para confirmação da etiologia do líquido pleural. Embora não seja o resultado esperado, o líquido é do tipo transudato.
No contexto clínico e laboratorial do paciente, é correto afirmar que esse achado justifica-se pelo(a):
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Tema central: A questão aborda diagnóstico diferencial de derrame pleural quanto à sua natureza: transudato ou exsudato, especialmente em um paciente oncológico com possível atelectasia pulmonar.
Explicação didática: Para diferenciar transudato de exsudato, utilizamos os Critérios de Light, que analisam proteína e LDH do líquido pleural comparados ao soro. Transudatos surgem por alterações de pressão hidrostática/oncótica, enquanto exsudatos resultam de inflamação ou lesão local, sendo mais comuns em câncer, infecções e doenças autoimunes.
Justificativa da alternativa correta (E):
“Presença de uma lesão endobrônquica associada a atelectasia.”
No contexto do paciente com adenocarcinoma de pulmão, uma lesão endobrônquica pode causar atelectasia (colapso pulmonar). Nessa situação, ocorre aumento da pressão negativa no espaço pleural, levando ao acúmulo de líquido transudativo. Isso é clássico em situações em que a atelectasia se dá por obstrução brônquica, como destaca o Manual de Medicina Interna de Harrisons (21ª ed., Capítulo 289): “A obstrução proximal pode causar atelectasia e gerar transudação líquida para o espaço pleural.”
Análise das alternativas incorretas:
A) Tipo de quimioterapia utilizada: A quimioterapia não costuma promover transudato, mas sim quadros exsudativos por toxicidade, infecção ou lesão pleural.
B) Desnutrição apresentada pelo paciente, que tem proteína baixa: A desnutrição pode favorecer transudato em síndromes gerais (ex: hipoalbuminemia), porém não costuma ser isoladamente responsável em pacientes oncológicos com derrame recente.
C) Disseminação linfática das células neoplásicas: Geralmente gera exsudato, pois lesa a drenagem linfática pleural, promovendo aumento de permeabilidade e presença celular.
D) Erro no exame que deverá ser repetido: O resultado de transudato é possível neste cenário, não havendo necessidade imediata de repetir o exame se o contexto fisiopatológico explica o achado.
Estratégia para provas: Atenção ao mecanismo fisiopatológico do derrame, não apenas à doença de base. Doenças malignas frequentemente causam exsudatos, mas exceções ocorrem (como atelectasia, que pode gerar transudato).
Resumo: O achado de derrame pleural transudativo em paciente com câncer de pulmão justifica-se quando há atelectasia por lesão endobrônquica, alinhado ao que preconizam as principais fontes médicas (Harrisons, UpToDate, critérios de Light).
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