Um paciente de 23 anos, sem comorbidades prévias, apresentou...
Um paciente de 23 anos, sem comorbidades prévias, apresentou náuseas e vômitos, após 3 semanas de início de esquema básico (EB) para tratamento de tuberculose pleural. Nega etilismo e doenças hepáticas prévias. Tinha peso de 51 quilos. Em uso de 4 comprimidos, 1 x por dia, de RHZE, dose fixa combinada. Foi solicitada rotina laboratorial que mostrou TGO 108 U/L (VN até 40 U/L) e TGP 122 U/L (VN até 56 U/L.
Diante desse quadro, a conduta mais adequada para esse paciente é:
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda a hepatotoxicidade leve induzida pelo tratamento de tuberculose (esquema RHZE) e a conduta frente à elevação moderada das transaminases associada a sintomas gastrointestinais leves.
Fundamentação da alternativa correta (C):
Nesse cenário, as transaminases estão elevadas (TGO e TGP < 3x o limite superior) e o paciente apresenta náuseas e vômitos, sem icterícia e sem sinais de disfunção hepática grave. Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (Ministério da Saúde, 2019), elevações até 3x o valor normal, mesmo com sintomas leves, não indicam suspensão do tratamento. Devem ser adotadas medidas para minimizar sintomas e monitorar clinicamente o caso:
- Manter o esquema básico RHZE;
- Orientar a tomada após o desjejum (reduz desconfortos gástricos);
- Prescrever antieméticos (controle dos sintomas dispépticos);
- Solicitar reatualização laboratorial (bilirrubinas e enzimas) para reavaliação objetiva da função hepática.
Essa decisão está em consonância com a literatura nacional e internacional (vide UpToDate, 2024; Manual MS, Seção Hepatopatias, pág. 151).
Por que as alternativas estão incorretas?
A) Propõe interrupção precoce do esquema básico, além de um esquema para hepatopatia que não se justifica em elevação leve de enzimas e sem diagnóstico confirmado de hepatite medicamentosa.
B) A interrupção do EB não deve ocorrer com elevação de transaminases menor que 3x, sem sintomas graves. Prescrever antieméticos e monitorar bilirrubinas isoladamente não é suficiente: o tratamento deve ser mantido.
D) Sugere manter o EB, mas orienta monitorização intensa e reintrodução sequencial do esquema, conduta reservada a hepatotoxicidade clinicamente relevante ou com elevações importantes (>3x LSN com sintomas ou >5x sem sintomas).
E) Sugere suspender o tratamento por 30 dias — conduta inadequada, pois resultaria em risco de abandono, resistência bacteriana e piora do quadro infeccioso sem justificação laboratorial para suspensão.
Estratégia para provas: Observe valores de corte das enzimas, associe achados clínicos/laboratoriais e siga o protocolo oficial. Pegadinhas comuns são exagerar indicação de suspensão medicamentosa com elevações discretas e sintomas brandos.
Resumo final: Manter o EB, manejar os sintomas e monitorar exames é a conduta respaldada pelas maiores diretrizes.
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